Marc Riboud nasceu em Saint-Genis-Laval, uma pequena comuna de Lyon, em França. Foi aí que começou a dar os primeiros passos na fotografia com a máquina do pai. Morreu esta terça-feira em Paris, aos 93 anos, e a causa da morte avançada pela família é a doença de Alzheimer. O fotógrafo francês esteve no centro da História em vários países. Em África, no Vietname e na China capturou fotos que ajudaram a construir a memória mundial.

O trabalho de Riboud passou por diferentes ângulos e realidades. Recordamos duas imagens que o demonstram. A primeira tirada na Torre Eiffel, na capital francesa, em 1953, recebeu o nome de Eiffel Tower Painter (Pintor da Torre Eiffel). Não será difícil de imaginar o que retratava: na fotografia, um homem posa para Marc Riboud enquanto pinta parte da ponte. Anos mais tarde, numa entrevista de rádio, o fotógrafo afirma que nunca pediu ao pintor para posar. No entanto, a proeza pode ter levado o homem a escorregar ligeiramente. A fotografia dá uma visão pouco conhecida de um dos ex-líbris franceses e simultaneamente mostra a paisagem de Paris.

Já do outro lado do Oceano Atlântico e alguns anos mais tarde, em 1967, a Guerra Vietname colocava os Estados Unidos da América em alvoroço. Várias pessoas protestavam contra a investida norte-americana na Ásia, Marc Riboud estava em Washington, quando centenas de protestantes se faziam ouvir em frente do Pentágono. O fotógrafo captou uma das cenas que ficaram marcadas na história do fotojornalismo: uma jovem chamada Jan Rose Kasmir fica em pé — com uma flor na mão e os olhos afetados pelo gás lacrimogéneo — de frente para os soldados que tentavam impedir a manifestação.

Ela estava apenas a falar, a tentar a encontrar os olhos dos soldados, talvez a tentar ter um diálogo com eles. Eu tive a sensação de que os soldados estavam com mais medo dela, do que ela estava com as armas deles”, recordou Riboud ao jornal britânico, Deccan Herald, em novembro de 2008.

Ainda jovem, viajou de Lyon para Paris para aprender com os melhores da fotografia no momento: Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e David Seymour tornaram mentores de Marc Riboud. Mas foi Cartier-Bresson, um dos fundadores da cooperativa internacional fotográfica Magnum Photos, que o “adotou” como seu protegido. Como salienta o The New York Times, o fotógrafo francês apelidou o professor de “tirano salutar”: “Disse-me que livros ler, as ideias políticas que devia ter e que museus e galerias devia visitar”, recorda o diário.

No mesmo ano em que tirou a foto emblemática na Torre Eiffel, Riboud foi convidado a integrar o coletivo da Magnum Photos. Não deixou que a fotografia se fechasse em França, viajou por vários países. No Vietname capturou o quotidiano de vários cidadãos afetados pela guerra e a pobreza. O resultado final foi a publicação de Face of North Vietnam, em 1969.

No mesmo continente, mas na China sob o domínio de Mao Tsé-Tung, as fotografias centraram-se na repressão política exercida sobre os chineses. Uma cultura e uma sociedade paradas no tempo, a prometer até um retrocesso, surgiram perante Riboud como um cenário obrigatório, um quadro ao qual não conseguia fugir. Desde 1957, que a realidade do país era atrativa para a lente e o enquadramento fotográfico. Desde as províncias aos espetáculos de arte, Riboud capturou um pouco de tudo. China Under Mao foi a série fotográfica da qual resultaram centenas de registos, ao longo de vários anos.

Apesar da seriedade do que capturava, Riboud não deixou que o quotidiano mais suave no México ou na França fosse ignorado pela sua lente fotográfica. O fotógrafo francês mostrava interesse em fotografar cidadãos anónimos, fossem as crianças em Paris ou os naturais de Acapulco.

Marc Riboud morreu esta terça-feira em Paris, aos 93 anos.