Calças à boca-de-sino, casacos de pelo falso, ténis compensados, mom jeans, casacos bomber… Todas estas tendências já saíram e entraram nos nossos roupeiros mais do que uma vez. E isso não acontece apenas na moda: também a beleza tem picos. Não falamos dos penteados samurai, que invadiram o verão, mas sim de tendências ao nível de ingredientes que, numa determinada altura, começam a ser vistos nos cosméticos. Na verdade, nada disto é novo mas também a beleza é cíclica. Se, no ano passado, todos os cosméticos gritavam ácido hialurónico, esta ano a vitamina C tornou-se o favorito e novos lançamentos foram feitos com base neste ingrediente.

Porque é que estamos a falar disto agora? Porque há um novo “queridinho”: a sílica, que tem vindo gradualmente a aparecer com mais frequência, desde bases, águas termais e cremes sem que saibamos, de facto, o que é. E, dando continuidade ao nosso glossário de beleza, esta é a altura certa para falar deste componente. Álvaro dos Santos, bioquímico especialista em dermocosmética, explicou-nos de que forma atua na cosmética.

Sílica: o que é?

Aqueles sacos de bolinhas que aparecem dentro de malas ou de caixas de sapatos, sim, contêm sílica — bolinhas que ajudam a absorver a humidade. Tal como o ácido hialurónico que está presente no nosso organismo, também a sílica está: nas cartilagens e na pele, por exemplo. No nosso planeta, a sílica é um dos elementos mais abundantes e é o principal componente da areia, quartzo e argila. Na cosmética, Álvaro Santos explica que são usados os derivados sintéticos de sílica que não são nocivos e estão autorizados pelas autoridades reguladoras dos cosméticos em todos os países. E, para quem gosta de ler as bulas daquilo que compra, o bioquímico elucida que estes derivados podem aparecer com várias designações, mais ou menos chinesas para nós, mas que vale a pena referir: alumina magnesium metasilicate, aluminum calcium sodium silicate, aluminum iron silicates, sodium potassium aluminum silicate, entre outros.

SAN FRANCISCO - AUGUST 11: A woman browses through fragrances at Sephora cosmetics store in the international terminal at San Francisco International Airport August 11, 2006 in San Francisco, California. Businesses at airports are bracing for a financial hit after the Transportation Security Administration imposed a ban on all liquids and gels aboard flights as part of the Department of Homeland Security raising the terrorism threat alert to highest level of "red" on August 10, for commercial flights from Britain to the United States. (Photo by Justin Sullivan/Getty Images)

Álvaro Santos explica que a sílica pode ser usado em quase todas as classes de cosméticos: maquilhagem (de olhos, de pele, vernizes), cremes e loções, produtos de higiene oral, perfumes em pó, entre outros. (foto: Getty Images)

O que faz a sílica?

Há quem lhe chame o “ingrediente esquecido”, porque raramente se fala dele, mas está presente numa série de frutas e vegetais e tem um papel importante nos nossos ossos, dentes, pele, tendões, vasos sanguíneos, unhas e cabelos. Daí também ser chamado o “ingrediente da beleza”. Crescemos a saber que podemos ter carência de vitamina C ou de cálcio, mas o mesmo acontece com a sílica e, tal como o cálcio, a sua falta também vai ter impacto nos nossos ossos.

Parece irónico, certo? Porque é um dos elementos mais abundantes na terra mas, a par com outros minerais inorgânicos, como o ferro, o cálcio e o magnésio, o nosso corpo absorve muita pouca sílica. Daí que tenhamos de nos virar para as formas orgânicas deste mineral – tudo o que podemos comer e que é rico em sílica: pimentos, aveia, cevada, maçãs, laranjas, uvas, pepino, espinafres, rabanete, alface, tomate, amendoins, amêndoas, sementes de linhaça, entre outros.

Sílica na cosmética

Na cosmética, a sílica é um ingrediente versátil que, tal como as bolinhas dentro das malas, tem um poder importante: a sua capacidade de absorver a humidade e o óleo. Além disso, ajuda os cosméticos a aderir à pele e a melhorar a suavidade e o espalhamento das bases, dos cremes e dos pós. Álvaro Santos explica que este mineral pode ser usado em quase todas as classes de cosméticos: maquilhagem (de olhos, de pele, vernizes), cremes e loções, produtos de higiene oral, perfumes em pó, entre outros.

E na cosmética, todos os derivados sintéticos da sílica podem ter muitas funções, desde agentes opacificantes, anti-agregantes, anti-espuma, abrasivos suaves de limpeza (como na pasta de dentes), absorventes (como nos desodorizantes ou cremes para pele oleosa), espessantes, entre outras funções. De forma geral, as suas propriedades são mais físicas, estabilizantes ou como “meios de transporte” para outros ativos nos cosméticos, aumentando a sua eficácia.

Marcas como Clarins, Clinique, Avon, Chanel, Estée Lauder e Shiseido já apostam no uso de sílica em várias das suas linhas de tratamento. Agora que já percebeu todo o poder da sílica no nosso corpo, veja, na fotogaleria, alguns cosméticos ricos neste ingrediente. A sua pele vai agradecer.