As ligações do Grupo Espírito Santo (GES) à América Latina continuam na ordem do dia. Uma das últimas revelações dá conta de dinheiros oriundos da petrolífera estatal da Venezuela que seriam transferidos a partir do Banco Espírito Santo (BES), revela o Jornal Económico (JE) na sua edição de hoje.

A notícia, que refere fonte da administração fiscal, avança que as receitas provenientes da venda de petróleo e combustíveis da petrolífera venezuelana PDVSA representam uma parcela “significativa” dos 7,8 mil milhões de euros em transferências ocultas que partiram do banco liderado por Ricardo Salgado, entre 2012 e 2014. Operações que, mesmo tendo sido comunicadas pela instituição financeira, não foram registadas no sistema central da Autoridade Tributária (AT).

No caso dos Petróleos da Venezuela, que terá sido um cliente importante do BES, com depósitos superiores a dois mil milhões, o destino foi o Panamá. Segundo as estatísticas da AT, nos três anos a que se referem as três declarações do BES de transferências para offshores (2012, 2013 e 2014), os montantes enviados por não residentes, a partir de Portugal para o Panamá, ascenderam a perto de 2,8 mil milhões de euros

Há uma outra fatia significativa das transferências que envolverá o pagamento de financiamentos indiretos do banco às empresas do GES, através do Panamá, e que foram liquidados e sucessivamente renovados junto do ES Bank deste país. Estes dados juntam-se assim às informações que têm sido divulgadas sobre o envio de 10 mil milhões de euros para paraísos fiscais, no período entre + 2011 e 2014, e que terão escapado ao controlo do fisco – só do BES partiram 80% das transferências ocultas.

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Já era conhecido que mais de metade dos dez mil milhões de euros de transferências para ‘offshores’ que não apareciam nas estatísticas entre 2011 e 2014 tinham sido declarados pelo Banco Espírito Santo, como o mesmo JE avançava na edição da passada sexta-feira.

Offshores: mais de metade dos 10 mil milhões transferidos partiram do BES

A Inspeção Geral de Finanças alargou a auditoria às falhas no controlo, pela Autoridade Tributária, das transferências para offshores, acrescentando uma peritagem que será feita em colaboração do Instituto Superior Técnico. Esta avaliação adicional ao que estava inicialmente previsto vai prolongar o prazo para a conclusão do trabalho.

IGF quer mais dados para a auditoria ao caso dos offshores