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Cambridge Analytica explica em PowerPoint como fez de Trump presidente dos EUA

Funcionários da Cambridge Analytica divulgaram um PowerPoint interno que mostra as táticas utilizadas para a campanha de Donald Trump. O objetivo da apresentação era cativar potenciais clientes.

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Donald Trump ganhou as eleições presidenciais americanas no final de 2016

JIM LO SCALZO/EPA

Donald Trump ganhou as eleições presidenciais americanas no final de 2016

JIM LO SCALZO/EPA

A Cambridge Analytica tem um PowerPoint no qual explica como usou o Google, o Snapchat, o Twitter, o Facebook e o Youtube para pôr Donald Trump na Casa Branca. O documento interno, de 27 páginas, foi feito pelos responsáveis da empresa que trabalharam nas eleições americanas de 2016 e tem sido usado para angariar novos clientes, mostrando-lhes a estratégia para a vitória. O Power Point (disponibilizado abaixo) foi divulgado esta sexta-feira pelo The Guardian.

Cambridge Analytica's 'Trump for President' debrief by The Guardian on Scribd

Os seis slides do Power Point divulgados pelo The Guardian

“Quando começámos a trabalhar com a campanha de Donald Trump não havia nenhuma infraestrutura de dados de comunicação.” É assim que começa um dos slides do Power Point que a Cambridge Analytica utiliza para convencer novos clientes de que a sua estratégia é vitoriosa.

A mesma publicação divulga ainda, através de declarações de uma antiga funcionária da empresa, as táticas que utilizavam para influenciar o sentido de voto dos eleitores. Segundo a apresentação, os anúncios foram visualizados “milhares de milhões de vezes”.

Este Power Point demonstra que a empresa utiliza “dados em bruto”, “modelização”, “sondagens” e “análise analítica” para criar conteúdo para audiências específicas. No final, mostra que o objetivo é partilhar em “plataformas de media” — no centro deste slide está o logotipo do Facebook.

Ao todo foram criados 10 mil anúncios para audiências específicas durante o período de campanha das eleições americanas.

Toda a gente queria saber como é que tínhamos conseguido. Antigos clientes, futuros clientes. O mundo inteiro queria saber”, afirma Brittany Kaiser, a funcionária que divulgou o documento, quanto à procura deste.

Depois da vitória de Donald Trump, este Power Point foi apresentado aos trabalhadores da empresa em Londres, Nova Iorque e Washington DC.

O artigo menciona também a Cambridge Analytica ser conhecida por “exagerar” a influência que teve em campanhas. Ao mesmo jornal, um responsável da campanha de Trump afirma que a empresa de análise de dados diz que é responsável por decisões que foram feitas por Brad Parscale, o responsável da campanha digital de Trump.

Kaiser saiu da Cambridge Analytica “por uma disputa contratual”, há cerca de duas semanas. Segundo o The Guardian, a diretora de desenvolvimento comercial foi responsável por mostrar os serviços da empresa a países como a Lituânia, Benin, Etiópia e Líbia.

Um dos casos detalhados por Kaiser é como a campanha de Trump utilizou o Youtube para ter vídeo específicos consoante a localização dos utilizadores. Segundo a mesma funcionária, compraram, no dia das eleições, o maior espaço publicitário da plataforma: aparecer no topo da página principal do Youtube. Um vídeo de apoio a Trump apareceu no dia das eleições a vários visitantes. Este vídeo era diferente consoante a localização.

O irónico na situação, relata Kaiser, é que esta publicidade só ficou disponível porque a campanha de Hillary Clinton desistiu da compra que tinha feito à Google porque estavam confiantes na vitória. “A Google telefonou-nos [à Cambridge Analytica] e disse que o espaço de anúncios estava disponível”.

Outro dos exemplos referido é a publicidade criada no site de notícias Politico patrocinado pela campanha de Donald de Trump. A mesma funcionária afirma que este conteúdo, que foi direccionado a estados-chave para a eleição de Trump (os “swing states“, que votam entre o partido republicano e o partido democrata), foi dos mais eficazes. As campanhas de Bernie Sanders e Hillary Clinton compraram publicidade análoga ao Politico.

São ainda dados exemplos de como ferramentas das redes sociais Twitter e Snapchat foram utilizadas para incentivar os utilizadores a propagar os anúncios da campanha.

Um dos últimos slides conta como a campanha pagou ao Google Ads para implementar “publicidade persuasiva consoante as pesquisas”. Este mecanismo fazia aparecer resultados de pesquisas, consoante os utilizadores, com links a favor de Donald Trump e contra Hillary Clinton. Um exemplo dado é como a empresa garantiu que quem pesquisasse “Trump Guerra do Iraque” encontrava primeiro, anúncios pagos, a dizer “Hillary votou a favor da Guerra do Iraque, Donald Trump opôs-se”.

Foram mais de 50 milhões os perfis de Facebook utilizados pela Cambridge Analytica para prever o sentido de voto nas eleições americanas. Tudo foi conseguido por, em 2013, Alexander Kogan, um académico da universidade britânica, ter criado uma aplicação no Facebook que, com consentimento de 300 mil utilizadores, recolheu os dados destes e dos amigos que tinham na rede social.

A história divulgada pelo The Guardian, que teve desenvolvimentos pelo New York Times e o Channel 4, expôs o que pode ser feito com a informação que os utilizadores têm na rede social através da utilização de aplicações criadas por terceiros. “A nossa app não era especial, havia milhares de aplicações a fazer exactamente o mesmo”, disse Kogan à CNN quanto à aplicação que criou.

*Artigo atualizado a 26 de março de 2018 com correção de gralhas 

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