Na conferência de imprensa depois do jogo, Jorge Jesus começou por falar da partida e da vitória — questionado pela Sporting TV — mas rapidamente foi questionado sobre a atual situação do Sporting.

“Ainda não li o post [publicado este domingo por Bruno de Carvalho]. Desde o primeiro dia que entrei aqui estou do lado do Sporting Clube de Portugal, é o meu lado. E é também o lado dos jogadores. Hoje os jogadores demonstraram que a prioridade é a defesa do clube que representam. Dentro de toda a polémica que houve depois do jogo de Madrid, os jogadores deram uma resposta profissional que sabem que à frente deles há uma instituição. Tinham que fazer o que fizeram e muito bem o fizeram”.

“Não foi fácil para os jogadores e para o treinador mas percebi desde a primeira hora qual é a minha responsabilidade: defender os interesses do Sporting. Foi isso que eu fiz. Sabia que estava a defender os interesses de toda a gente. As minhas opiniões — não decisões porque quem decide é o presidente, eu decido sobre a equipa — foram sempre na intenção que hoje havia jogo com o Paços de Ferreira, era importante que o treinador pudesse escolher os melhores jogadores e foi isso que eu fiz”, disse ainda Jorge Jesus.

Com os meus 63 anos já passei por tudo mas não tinha passado ainda por esta situação. Sei que o barómetro de qualquer clube são os jogadores. Hoje são estes, o Sporting já teve outros no passado. Os clubes crescem em função dos jogadores, depois há o treinador, os presidentes… entre jogadores e massa associativa são as duas peças fundamentais, porque são uns fora do campo e outros dentro do campo.”

Jorge Jesus sublinhou que não “puxou as orelhas a ninguém” muito menos “ao líder número um da minha equipa. Também não puxo orelhas aos meus jogadores… Posso ter opiniões diferentes relativamente à defesa do clube em que eu estou. Ninguém podia tirar-me o direito à minha autoridade de escolher os meus jogadores, sabendo que os jogadores partilhavam a mesma ideia de defender os interesses do Sporting. Mais nada que isto”.

Antes, na flash interview, Jorge Jesus apoiou os atletas do Sporting. “Estive sempre do lado dos jogadores”, disse a certa altura. “Este é um grupo muito unido, ninguém os vai derrubar. Eles sabem que isto é a profissão deles, que jogam para o emblema. Juntaram-se cada vez mais, estão unidos, independentemente do resultado. Foi importante esta vitória face a tudo o que aconteceu”, disse.

A semana, apontou Jesus, foi “turbulenta, complicada”. Como treinador, Jorge Jesus conta como viveu tudo: “Não foi fácil, tive de perceber que tinha de defender um clube — eu e os jogadores, principalmente eu”. Já sobre os possíveis processos disciplinares, Jesus disse “não [os] perceber bem”.

Reparem na dignidade destes jogadores. Supostamente com um processo disciplinar jogaram em nome do Sporting. Vamos pensar, refletir e defender os interesses do Sporting, ok?”

O treinador lembrou ainda que na quinta-feira passada, o Sporting enfrentou um adversário complicado: “O Atlético Madrid é uma grande equipa. Não jogámos com uma equipa qualquer. Jogámos contra o Basileia?! Tem que se perceber tudo isto. Agradeço esta forma afirmativa da equipa.”

O que Jorge Jesus disse aos jogadores para os preparar para esta polícia? “Só se estiver a polícia dentro do campo e não nos deixar entrar [é que os melhores não jogam]. Porque nós vamos jogar.  Tivemos a consciência — jogadores, treinadores, equipa técnica — que só temos uma função, trabalhar em nome de um emblema, o Sporting Clube de Portugal.”