Educação

Portugal precisa de “reforma profunda” para fundir investigação e ensino, diz astrofísico

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O astrofísico David Sobral considerou que Portugal necessita de "uma reforma profunda, que permita voltar a fundir a investigação e o ensino universitário".

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O astrofísico David Sobral considerou que Portugal necessita de “uma reforma profunda, que permita voltar a fundir a investigação e o ensino universitário”, à margem da 12.ª Mostra Nacional de Ciência, que começou esta quinta-feira na Alfândega do Porto.

É preciso “ter a coragem de intervir no sistema universitário, que incentive a meritocracia” [sistema de premiação baseado nos méritos pessoais de cada indivíduo], disse à Lusa o investigador, fundador do JC Alumni, um grupo que reúne jovens cientistas que participaram nas anteriores edições da mostra e do Concurso para Jovens Cientistas e que será apresentado esta quinta-feira, no evento.

Embora defenda que ciência em Portugal tenha tido um período de crescimento nos anos 90, com as políticas lideradas pelo cientista José Mariano Gago, David Sobral indicou que o país “desvaloriza o pensamento próprio e a ambição”, incentivando “a obediência cega a regras antigas e pré-estabelecidas, baseadas em títulos e raramente por mérito”, o que leva a que “não tenha uma tradição forte” nessa área.

Devido a isso, é “natural que a ciência não seja valorizada em geral”, sendo, contudo, “bastante óbvio que cada vez é mais valorizada”, fruto do trabalho por parte de investigadores e comunicadores, que demonstra “o potencial para tornar Portugal um país líder em ciência, em várias áreas”, acrescentou o professor associado de Astrofísica na Universidade de Lancaster (Reino Unido).

David Sobral, membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Astronomia desde 2015, defendeu que, para isso, são igualmente necessárias medidas como as recentemente propostas no manifesto Ciência Portugal 2018, através do qual mais de dois mil cientistas – incluindo o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor -, pedem, por exemplo, alterações no financiamento e na contratação dos investigadores.

Nesta edição da Mostra Nacional de Ciência, o astrofísico falará sobre o JC Alumni, grupo criado pela Fundação da Juventude – entidade promotora do Concurso para Jovens Cientistas e da Mostra Nacional de Ciência – com o objetivo de partilhar boas práticas, experiências e testemunhos, fomentando a troca de conhecimento e informação entre os atuais e os antigos participantes.

Segundo David Sobral, a sua participação no Concurso para Jovens Cientistas e na Mostra Nacional de Ciência (2003/2004), juntamente com o concurso Astro-Cosmos, organizado pelo Observatório Astronómico de Lisboa, foram “fulcrais” para as suas escolhas académicas e profissionais, iniciativas sem as quais “muito provavelmente não seria astrofísico”.

Durante o evento, o investigador espera partilhar com os jovens cientistas informações sobre o seu percurso, “de forma a inspirá-los”.

Tenho a certeza que daqui a alguns anos muitos dos jovens ali presentes estarão a dar ainda mais cartas na ciência e inovação e a inspirar outros a fazer o mesmo”, disse ainda.

Nesta edição, a Mostra Nacional de Ciência reúne 289 jovens cientistas e 66 professores, de 44 instituições de ensino, que apresentarão 100 projetos, desenvolvidos no âmbito do ambiente, das ciências sociais, da computação, da biologia, da química, da economia, da matemática, das engenharias, da física e da energia.

O evento, que se realiza pelo segundo ano consecutivo na Alfândega do Porto, é organizado pela Fundação da Juventude desde 2006, com o apoio da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, entidade responsável pela escolha do júri que avalia os 100 trabalhos, escolhidos durante a 26.ª edição do Concurso de Jovens Cientistas.

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