O antigo presidente do CDS, José Ribeiro e Castro, acusa o PSD de Rui Rio e o CDS de Assunção Cristas de estarem a “medir tamanhos no alfaite” e de não estarem preocupados em juntar esforços para derrotar a esquerda. No fim de uma aula na Universidade de Verão do PSD, Ribeiro e Castro exortou esta quinta-feira PSD e CDS a terem uma “articulação superior” à que têm demonstrado, já que — se consideram que a “geringonça é o diabo” — só unindo esforços a vão conseguir vencer. Para o antigo líder centrista só um “espírito que una o centro-direita”, como aconteceu na AD (Aliança Democrática) pode levar à derrota de António Costa. E o tempo começa a ser pouco.

Ribeiro e Castro diz que “seria interessante que as direções dos partidos avaliassem qual a melhor forma” de se unirem e admitiu até uma coligação pré-eleitoral, embora defenda que não é estritamente necessária. “Isso pode ser feito quer com listas conjuntas, quer em listas separadas“, apontou. Mas, até agora, critica Ribeiro e Castro os partidos tem sido egoístas: “Não noto que haja quem quer que seja preocupado com isso [derrotar a geringonça]. Acho que as pessoas estão preocupadas em se vão ter mais votos com o vizinho.” E atira mesmo: “Entristece-me a situação em que está o centro-direita“.

O antigo presidente democrata-cristão não tem dúvidas de que “a linha que resultou dos últimos congressos do CDS e do PSD” é “um favor a António Costa”, como “as sondagens demonstram”. É, por isso que defende ser “importante, aproveitar o tempo que ainda existe nesta última sessão legislativa para construir um sentimento numa vontade alternativa e não apenas uma competição de medição de forças entre partidos da oposição e mais um carrinho que, pelos vistos, agora apareceu. Portanto, mais um brinquedo [a Aliança de Santana Lopes]. Eu não creio que isso sejam boas notícias para o eleitorado de centro-direita”.

Sobre se a culpa é mais de Cristas ou de Rio, Ribeiro e Castro diz que “a culpa é dos dois desde os tempos de Passos Coelho”, pois os dois partidos não podem reivindicar que a PàF é que devia governar por ter ganho as eleições e depois não demonstrarem união. Para o centrista, depois do que aconteceu nas legislativas de 2015, “o discurso que seria coerente para enfrentar politicamente uma situação política negativa, que é apresentada como uma ameaça tremenda, seria o reforço da coesão e da articulação entre os dois partidos”.

Ribeiro e Castro vê também o PSD “numa posição mais defensiva”, até porque “teve este dissabor do brinquedo [o partido de Santana Lopes] que saltou da pista.” Quanto à Aliança de Santana Lopes, Ribeiro e Castro diz que, para já é “apenas uma intenção. Uma declaração de princípios e uma pessoa que lidera não sabemos bem o quê” e que não aumenta o potencial de crescimento da votação no bloco de centro-direita.