Irene Flunser Pimentel está entre os 3.600 investigadores que viram os seus projetos recusados, no Concurso Estímulo ao Emprego Científico da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Os avaliadores decidiram não selecionar a historiadora para um contrato de trabalho que lhe asseguraria a investigação nos próximos 5 anos.

Prémio Pessoa em 2007, especialista no estudo do período do Estado Novo em Portugal, Irene Pimentel propunha continuar a investigar as relações entre a PIDE/DGS e os serviços secretos de outros países da Europa e dos Estados Unidos da América, segundo conta o Diário de Notícias. Contactada pelo Observador, a historiadora diz que foi apanhada de surpresa com a decisão. “Fico sem ganhar um chavo, não entro na universidade como investigadora e, se quiser fazer esta investigação, tenho de encontrar financiamento de outra forma”, explica. A importância de conseguir o contrato é óbvia, acrescenta: “É a importância de ter um ordenado. É tão simples como isso”. Para já, ainda não decidiu se vai contestar os resultados, no prazo de 10 dias definido pela FCT para esses recursos. Também por isso, não quis adiantar mais detalhes sobre a avaliação que recebeu.

A exclusão da historiadora junta-se ao caso de Maria Manuel Mota, revelado esta terça-feira pelo Observador. A cientista, também distinguida com o Prémio Pessoa, em 2013, e considerada uma das maiores referências mundiais na investigação da malária, também ficou fora dos contratos atribuídos pela FCT. Em causa estava um projeto relacionado com a circulação do parasita no organismo infetado, mais um passo nos avanços que tem feito no conhecimento da doença. Sem contrato, terá salário garantido até ao final do ano, como diretora do Instituto de Medicina Molecular, mas depois dependerá do financiamento estratégico da FCT ao IMM, que está, por sua vez, dependente de uma avaliação que ainda não foi feita.

Os resultados das candidaturas ao Concurso Estímulo ao Emprego Científico da FCT foram conhecidos esta segunda-feira e estão a gerar grande perplexidade na comunidade científica. Cerca de 500 projetos foram escolhidos e outros 3.600 acabaram recusados. Investigadores ouvidos pelo Observador falam em resultados “aleatórios” e avaliações que não correspondem ao mérito dos projetos apresentados. A FCT sublinha que os resultados são provisórios, por haver ainda um período de audiência prévia, durante o qual os investigadores podem contestar a avaliação que receberam. “Qualquer investigador que discorde da sua avaliação poderá recorrer, apresentando os seus argumentos, que serão analisados antes da divulgação dos resultados finais do concurso”, garantiu o organismo ao Observador.