Voluntariado

Aprender pode ser divertido para todos

É a ideia que inspira os voluntários que têm a missão de construir uma escola melhor. Uma experiência para ensinar, mas também aprender com crianças que vivem realidades difíceis

Ser voluntário é uma missão que alguns fazem sua. No Bairro Padre Cruz, em Lisboa, um dos maiores bairros sociais da Península Ibérica, que nasceu nos anos 60 com casas de lusalite e hoje tem milhares de habitantes, fica uma escola que contou com um projeto piloto para ajudar crianças a ultrapassar alguns comportamentos problemáticos, como indisciplina, absentismo ou falta de interesse em aprender. Um dos voluntários que contribuiu para ensinar novas formas de estar aos mais novos é Bernardo Pereira, 38 anos, que trabalha na área de mercados financeiros do Santander em Portugal, e foi um dos escolhidos para representar a campanha de sustentabilidade do Banco, assente em três eixos: Bem-Estar Social, Formação e Voluntariado.

“Para mim, foi uma grande surpresa e fiquei muito orgulhoso. Seria injusto encarar como um reconhecimento pessoal, porque como eu, existem muitas pessoas a fazerem voluntariado no Banco. Acima de tudo, é uma boa iniciativa para tentar divulgar o impacto social que o Santander tem na sociedade”, sublinha Bernardo.

É um dos voluntários, mas representa todos. No ano passado, 2017, participaram em ações de voluntariado um total de 281 colaboradores do Santander, o que corresponde a 2.760 horas de trabalho. Além do apoio na área educativa, ajudaram, por exemplo, a remodelar a Casa da Luz, em Lisboa, que acolhe jovens em situação de emergência, e participaram numa ação de limpeza da Tapada de Mafra ou na reflorestação do Parque das Serras do Porto.

Um novo olhar nasce com o voluntariado

São voluntários que dão o melhor de si em experiências que mudam a forma de olhar o mundo. Bernardo não só ensinou valores acerca da família e comunidade, como também aprendeu com outras realidades. “O voluntariado é gratificante e pedagógico.

Junior Achievement à beira dos 100 anos

A Junior Achievement é uma organização mundial que nasceu nos Estados Unidos da América, em Boston, logo após a I Guerra Mundial.

Desde 1919 até hoje, a Junior Achievement tem vindo, como explica Frederico Fezas Vital, a evoluir sempre no sentido de habilitar os jovens com as ferramentas necessárias para:

a) Perceberem o mundo em que vivem;

b) Terem capacidade de interação com esse mundo;

c) Adquirirem capacidade e pensamento crítico para transformarem o mundo num lugar melhor.

A Junior Achievement, presente em Portugal há 13 anos, chega a 37 mil alunos de todo o país, do ensino básico, secundário e universitário público ou privado.

Permitiu-me contactar com pessoas que infelizmente tiveram menos sorte do que eu. Gostava de continuar a participar como voluntário e assim devolver um pouco à sociedade o que de bom já recebi”, garante.  A presença dos voluntários do Santander no Bairro Padre Cruz surgiu no contexto de um projeto piloto que nasceu de uma parceria entre o Spot, que tem como objetivo combater o abandono e insucesso escolar, e a Junior Achievement, líder na educação para o empreendedorismo que se dedica à formação, por todo o país, de crianças e jovens em temas de Empreendedorismo, Cidadania, Economia, Ética e Literacia Financeira.

Com vista à educação para a cidadania, foi implementada uma estratégia de gamificação na sala de aula, uma ideia do Spot Games, que tem estado também nos bairros da Boavista, Marvila ou Ameixoeira, todos em Lisboa, sob o lema Aprender pode ser divertido, estimulante e significativo para todos.

Os programas e objetivos são transformados em jogos analógicos ou digitais, baseados num sistema de incentivos que pretende fazer com que os jovens se envolvam de forma positiva no seu espaço escolar e na comunidade, ao mesmo tempo que trabalham a capacidade de regular o próprio comportamento. “Este programa foi testado, no primeiro ciclo, com 12 voluntários do Santander e vai agora dar origem a novos projetos que vão ser espalhados a nível nacional”, realça o fundador do Spot, Francisco Miranda, 32 anos.

Um Banco ao lado de grandes projetos sociais

Sem a colaboração da Junior Achievement, o projeto no Bairro Padre Cruz estaria incompleto. “A Spot tem uma metodologia de gamificação que facilita a interiorização dos nossos conteúdos educativos em certos contextos escolares mais difíceis”, explica Frederico Fezas Vital, CEO da Junior Achievement Portugal.

O também professor de empreendedorismo social na Católica Business School realça que a colaboração com o Santander vai muito além deste projeto piloto. No ano letivo 2016/2017, a Junior Achievement contou com 170 voluntários do Santander, que participaram em cerca de 200 programas, correspondendo a um total de 2.118 horas de voluntariado. “Ter o apoio de uma organização como o Santander é absolutamente fundamental”, adianta Frederico Fezas Vital.

Impacto positivo sempre a somar

Resultados em números do Spot Games (ano letivo de 2016/17):

  • 75% dos jovens transitou de ano;
  • 3 negativas subidas em média;
  • 95% dos alunos reduziu as ocorrências disciplinares

Fonte: Spot Games

As mesmas palavras são referidas pelos empreendedores do Spot. O Banco tem sido uma peça chave para um projeto que nasceu no berço do Instituto Superior Técnico, de Lisboa, e foi um dos vencedores da 1.ª edição do Prémio de Voluntariado Universitário Santander, em 2016. Um prémio que celebra este ano a terceira edição e tem as candidaturas abertas até 12 de outubro. Os vencedores serão conhecidos a 5 de dezembro e esperam um novo impulso para crescer, como aconteceu com o Spot. O sucesso desta empresa foi tão significativo que o seu fundador deixou o emprego como engenheiro de gestão industrial no Canadá, onde estava a trabalhar há um ano, para se dedicar ao sonho de construir um mundo melhor.

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