Arte

Banksy. As três perguntas que ficaram por responder depois da autodestruição do quadro

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Depois de "Girl with a Balloon", um dos mais conhecidos quadros de Banksy, se ter autodestruído após ser vendido por um milhão de libras, existem três grandes questões ainda por responder.

A pintura foi originalmente concebida em 2002 e vendida pelo próprio Banksy em 2006

AFP/Getty Images

A história foi uma das mais comentadas no mundo inteiro durante o fim de semana passado. Banksy, o famoso artista britânico cuja identidade nunca foi revelada, tinha conseguido organizar uma das mais marcantes e inesperadas representações artísticas dos últimos anos. Depois de “Girl with a Balloon” – uma das obras mais conhecidas do artista – ser vendido por mais de um milhão de libras no leilão da Sotheby’s, uma destruidora de papel instalada na moldura do quadro foi ativada e destruiu parcialmente a pintura em grafite e acrílico de uma menina a largar um balão vermelho.

Poucos minutos depois de dezenas de pessoas ficarem totalmente surpreendidas com a autodestruição do quadro, Banksy publicou na própria conta de Instagram um vídeo do que aconteceu e acrescentou a descrição “going, going, gone”, a ir, a ir, foi-se. O curto espaço de tempo que o artista demorou a partilhar as imagens nas redes sociais deixou uma dúvida: estaria o próprio Banksy entre as pessoas presentes no leilão?

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Going, going, gone…

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Mas esta não é a única ponta solta que ainda não tem explicação. Existem pelo menos três grandes perguntas sem resposta – e o mais provável é que assim continuem, já que Banksy já deixou claro que o mistério e a incerteza são as suas principais armas para realizar algumas das intervenções artísticas mais marcantes desde o início do século XXI.

Estaria Banksy no leilão?

Esta é a pergunta óbvia. O vídeo que o artista partilhou nas redes sociais logo depois do que aconteceu abriu espaço para a especulação de que Banksy poderia, de facto, estar no leilão da Sotheby’s em Londres a assistir à destruição de “Girl with a Balloon” a filmar com o próprio telemóvel.

Nos dias seguintes, surgiram nas redes sociais outras imagens que mostravam um homem de meia idade, com óculos pretos de massa, a filmar o momento em que o quadro é parcialmente destruído. Pouco depois, é possível ver o mesmo homem a ser acompanhado pela segurança até à saída do leilão. O aspeto misterioso da pessoa em causa juntava-se então a um outro fator que alimenta a especulação de que se tratava mesmo de Banksy: o facto de ser parecido com Robin Gunningham, o homem que os investigadores da Queen Mary’s University identificaram em 2016 como sendo o artista britânico ao usar métodos de perfil e localização geográfica, e de estar num local da sala que correspondia ao ângulo captado no vídeo partilhado por Bansky.

Contudo, também existe a possibilidade de terem sido um ou dois colaboradores de Banksy a filmar o momento. É moderadamente conhecido que o artista tem algumas pessoas que trabalham com ele e que o ajudam a manter o secretismo da sua identidade. Erika Rossi, uma proprietária de galerias de arte italiana que estava no leilão, disse à CNN que na fila à sua frente estava um rapaz que filmou o evento na íntegra.

A Sotheby’s estava avisada e colaborou?

Esta é a questão que pode atribuir todo o mérito a Banksy, caso a leiloeira não soubesse de nada, ou retirar-lhe todos os elogios, caso a Sotheby’s estivesse previamente avisada do que se iria passar. A resposta, tal como tudo o que envolve o artista, é um mistério.

Existem vários argumentos que sustentam as duas hipóteses. “Girl with a Balloon” foi originalmente criada em 2002 e vendida diretamente por Banksy a um comprador individual quatro anos depois, em 2006. Segundo a informação disponibilizada pela Sotheby’s, esse mesmo comprador decidiu agora oferecer a obra. Logo, a ser verdade tudo isto, o artista teria de ter vendido a pintura com uma destruidora de papel incluída, alimentada por uma bateria e ativada via controlo remoto. Doze anos depois, o mais provável era que a bateria estivesse completamente gasta.

Além disso, várias pessoas nas redes sociais têm sublinhado a calma e descontração com que os funcionários da Sotheby’s removeram o quadro da parede depois da destruidora ter sido ativada: tanto pela ausência de receio de que existissem lâminas ou algum tipo de explosivo como pela inexistência de estranheza quando pegaram na moldura, já que uma destruidora de papel teria com toda a certeza aumentado o peso original da obra.

Depois do leilão, a Sotheby’s emitiu um comunicado onde recusa veementemente ter tido qualquer conhecimento prévio do que se ia passar e explica porque é que nunca removeu o quadro da moldura, como é normal acontecer quando uma leiloeira recebe um quadro. “Quando a Sotheby’s perguntou ao estúdio se podia remover a obra de arte da moldura durante o processo de catalogação, foi-nos dito expressamente que não podíamos retirar a moldura. E isto não é inédito – consideremos as molduras de laca de Lucio Fontana ou as molduras de George Condo que têm etiquetas no verso a dizer que não é permitido remover a moldura. Em muitos casos, ao remover a moldura estamos a violar os desejos do artista e a destruir o trabalho artístico”, explicou a leiloeira.

Mas os especialistas responderam ao comunicado com outro argumento. Se a leiloeira não sabia mesmo de nada do que se ia passar, então porque é que uma obra de arte com tanta projeção mediática foi a última peça a ir a leilão e não surgiu antes na ordem do evento? A Sotheby’s reiterou: “Não tivemos qualquer conhecimento prévio deste evento e não estivemos envolvidos de forma alguma”.

O quadro vai subir ou descer de valor?

A pintura está parcialmente destruída – mas a encenação artística vai com toda a certeza fazer parte da história da arte contemporânea. Será preciso aguardar alguns dias ou algumas semanas para perceber se o comprador quer ficar com o quadro ou vendê-lo e se “Girl with a Balloon” vai disparar de valor ou cair.

“Não tenho a certeza se a pintura vai ser mais valiosa ou menos valiosa mas vai definitivamente ser a mais famosa do Banksy”, disse à CNN Steve Lazarides, antigo proprietário de uma galeria onde o artista britânica expôs algumas obras.

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