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Cerca de meia centena de pessoas concentrou-se esta terça-feira em Faro em defesa da habitação, afirmando não ter medo da polícia, numa alusão à ação policial do último fim de semana em manifestações em Lisboa e no Porto.
“Não temos medo daquela vergonha que mandaram fazer em Lisboa e no Porto”, proferiu uma das manifestantes através de um altifalante, apelando à participação nas próximas ações que estão a ser preparadas pela Plataforma Algarve em Resistência.
Usando da palavra, outro manifestante aproveitou para criticar também a resposta “desproporcionada” das forças policiais no fim de semana, quando a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação nas duas maiores cidades do país.
“Não é de que lado está a razão, é de que lado está a lei, e a lei está do nosso lado”, frisou, arrancando aplausos dos outros participantes na manifestação, que decorreu durante cerca de uma hora em frente à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.
Os manifestantes empunhavam cartazes onde se podia ler “Ordenado mínimo, mas a renda é máxima”, “PSP – Polícia de Segurança Privada”, “Só queríamos habitação, agora queremos revolução” ou “Nasci cá, cresci cá. Porque não posso viver cá”.
Durante o protesto, foi feito um apelo à mobilização de amigos e familiares às próximas ações, assim como à manifestação marcada para 14 de novembro, que percorrerá as ruas desde o Liceu de Faro até à Doca.
Os participantes na manifestação entoaram ainda palavras de ordem como “A habitação é um direito, sem ela, nada feito”, “Estamos fartos de escolher pagar casa ou comer”, “Somos todos antifascistas” ou “A habitação é para morar, não é para especular”.
Em Faro, já decorreram vários protestos e manifestações, mas ainda não houve montagem de tendas desde o início dos protestos a nível nacional.
Para quarta-feira está prevista uma assembleia popular às 17h00, no mesmo local, e a constituição de grupos de trabalho para a definição de propostas.
A concentração desta terça-feira foi marcada pelo movimento Algarve em Resistência, um grupo de coletivos que tem promovido manifestações pelo direito à habitação na região.
Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.
A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.
Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro.
O chefe de Estado apelou esta terça-feira ao diálogo sobre a habitação “e nunca à violência”, afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.