Três investigadores do Instituto Okeanos, da Universidade dos Açores, participam na expedição científica internacional The Gap, que vai produzir informação para o novo acordo das Nações Unidas sobre a proteção da biodiversidade do alto mar.

A expedição decorre a bordo do navio de investigação Falkor (too), do Schmidt Ocean Institute, na Zona de Fratura Romanche, no Atlântico Equatorial.

Liderada por investigadores brasileiros, a missão reúne cientistas de Portugal, Reino Unido e Itália, pretendendo-se estudar uma das regiões menos exploradas da Dorsal Médio-Atlântica, a profundidades até 4.500 metros, com recurso ao veículo operado remotamente ROV SuBastian.

A Fratura Romanche é um vale submarino com cerca de mil quilómetros de extensão, constituindo uma das principais passagens de águas profundas entre as bacias ocidental e oriental do Atlântico.

Segundo os investigadores do Okeanos, citados em nota de imprensa, está-se a “observar pela primeira vez fundos marinhos que nunca tinham sido vistos por olhos humanos, numa região que pertence a todos”.

“Encontrar um jardim de esponjas a mais de quatro mil metros de profundidade mostra o quanto ainda desconhecemos sobre o oceano profundo”, salientam.

Os investigadores consideram que a experiência que a equipa dos Açores “tem vindo a acumular no estudo de espécies bentónicas e na análise de vídeo subaquático, nos Açores e noutras regiões do Atlântico, permite dar um contributo especial para essa caracterização.”

Entre os principais resultados destacam-se os jardins de corais de águas frias observados no topo das paredes da fratura, entre os 1.000 e os 1.500 metros de profundidade.

A presença destes habitats confirma o que os investigadores esperavam encontrar, sendo que “a grande surpresa foi a descoberta de um jardim de esponjas a cerca de 4.200 metros de profundidade, onde nada fazia prever que um ecossistema deste tipo pudesse existir“.

A equipa registou ainda “vários organismos que poderão ser espécies novas para a ciência”, mas a sua identificação “só poderá ser confirmada após a análise em laboratório das amostras recolhidas”.

Entretanto, na segunda-feira, cerca de 50 alunos da Escola Secundária Manuel de Arriaga, na Horta, participaram numa sessão em direto com os investigadores do OKEANOS, a partir do R/V Falkor (too).

A iniciativa educativa “Ship to Shore” proporcionou aos estudantes a “oportunidade de contactar diretamente com investigadores a bordo um navio oceanográfico, durante uma missão científica em curso”.

Os mergulhos da expedição podem ser acompanhados em direto e revistos no canal de YouTube do Schmidt Ocean Institute.