Na antecâmara do encontro, Hugo Gaspar, capitão do Benfica, recusava qualquer tipo de favoritismo no dérbi e por uma razão simples: são raros, muitos raros, os confrontos entre os grandes de Lisboa na modalidade em que existe uma clara supremacia de alguma das equipas. No entanto, dentro desse equilíbrio, os encarnados voltaram a ser mais consistentes e venceram no terreno do rival por 3-2, em jogo a contar para a quarta jornada do Campeonato que valeu também a liderança isolada.

E se é verdade que Hugo Silva, treinador do Sporting, prometia uma imagem diferente da equipa a quem faltavam mecanismos para uma melhor ligação entre jogadores, confirmou-se que não há duas sem três: depois do triunfo na final do Torneio das Vindimas (3-2) e na Supertaça (3-0), o Benfica venceu o dérbi na negra e conseguiu também o primeiro triunfo no novo pavilhão dos verde e brancos, depois de quatro derrotas na fase regular e no playoff de apuramento de campeão de 2017/18.

Com Roberto Reis, um dos reforços dos leões para a presente temporada (ex-Sp. Espinho), em destaque, o Sporting ganhou uma ligeira vantagem no arranque do primeiro set que conseguiu ir mantendo ao longo dos minutos (16-14 na pausa técnica) até ao 19-19 marcado por Wohlfahrtstatter, em mais um ataque pela zona central. Os encarnados estavam de novo dentro das decisões mas alguns erros não forçados entre serviços falhados e ataques para fora deram o triunfo aos visitados por 25-22.

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O set seguinte voltou a ser marcado pelo equilíbrio, com uma ligeira vantagem verde e branca nos pontos iniciais tal como tinha acontecido no arranque da partida. Algumas decisões mais duvidosas “acenderam” um pouco mais o dérbi que chegou a ter o Sporting com quatro pontos de vantagem (16-12, 17-13 e 19-15) mas a entrada efetiva de Zelão em campo acabou por virar por completo o rumo dos acontecimentos: apesar do desconto pedido por Hugo Silva quando se registava já 21-21, os comandados de Marcel Matz aproveitaram os erros para somarem quatro pontos seguidos para empatarem o jogo (25-22).

O terceiro set, que terminou com alguma polémica e muitos protestos à mistura, acabou por ser o mais equilibrado e emocionante da partida: o Benfica entrou mais forte, melhorou muito a nível de receção, serviço e bloco, chegou a ter uma vantagem de sete pontos logo a abrir (10-3) mas as alterações que o Sporting foi promovendo, com a entrada de Miguel Maia para a distribuição e também de João Simões, ajudaram a uma aproximação que chegou mesmo à reviravolta nas vantagens, com o set a fechar em 27-25 devido a um cartão vermelho exibido ao distribuidor Nuno Pinheiro por protestos numa bola dividida na rede.

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A forma como o Benfica desperdiçara uma enorme vantagem e perdera o terceiro set (com uma “borla”) podia ter causado mossa no conjunto Marcel Matz mas o que se assistiu no recomeço foi exatamente o oposto: os encarnados, fortíssimos nas variações ofensivas que os verde e brancos nunca conseguiram travar, conseguiram chegar a uma vantagem de dez pontos (16-6) que, apesar de ter sido ainda reduzida (21-21), levou o dérbi para a “negra” com o parcial de 25-23, de novo com o último ponto a ser marcado por cartão vermelho aos leões (numa situação onde parece ter sido sancionada demora propositada).

No set decisivo, onde se notou já o desgaste físico em alguns jogadores apesar das substituições que foram sendo feitas ao longo de mais de duas horas e meia de jogo, o Benfica voltou a mostrar uma maior consistência e fechou o encontro com 15-10.