O basquetebol espanhol não é propriamente a coisa mais falada em Portugal mas também consegue provocar ondas de choque na imprensa local, sobretudo quando Real Madrid e Barcelona se cruzam numa final. Foi isso que aconteceu recentemente, no jogo decisivo da Taça do Rei, que os catalães venceram após prolongamento por um ponto (94-93) perante os protestos veementes dos merengues por causa de um lance que foi (mal) corrigido após a intervenção do VAR. Como é habitual, não faltaram reações mais inflamadas, a ameaça do conjunto da capital em abandonar o Campeonato e, como sempre, o comentário de Piqué.

“As queixas do Real Madrid por causa dos árbitros? Passa-se no basquetebol, passa-se no futebol… Mas depois vão ao Wanda Metropolitano, passa-se o que se passa e ficam calados como ratos. Fazem sempre isso. Menos mal, só têm essas duas secções de modalidades ou então também se queixavam no andebol, no hóquei em patins…”, referiu o central, recordando a partida do Real frente ao Atl. Madrid que motivou muitas queixas por parte dos colchoneros.

Piqué nunca foi, não é e provavelmente também dificilmente será algum dia uma figura querida entre as hostes dos blancos mas as intervenções públicas que vai tendo em nada ajudam a que esse cenário mude. Até porque o internacional, que fora de campo vai construindo um império cada vez mais palpável como empresário (a última grande aposta foi a compra dos direitos da Taça Davis, em ténis, com a devida alteração competitiva que já se encontra em marcha), não se cinge apenas aos assuntos ligados ao desporto. E depois do triunfo do Barcelona no Santiago Bernabéu, voltou a mostrar isso na zona mista.

Piqué na disputa de bola entre Casemiro, Kroos e Vinicius no triunfo do Barcelona em Madrid (OSCAR DEL POZO/AFP/Getty Images)

“Se as televisões espanholas que estão aqui dedicassem mais tempo ao julgamento que está a haver dos presos políticos, que é algo super injusto, e as pessoas de Espanha pudessem ver um pouco mais do que se passa, em vez de estarmos a falar do VAR íamos ter um país um pouco melhor”, atirou, em declarações citadas pela Marca, entre outras frases fortes que mereceram muito destaque no país vizinho. “Agora vamos ter outro jogo complicado aqui para o Campeonato. Parece que estão longe mas, se ganharem, ficam a seis pontos. Mais um triunfo no Bernabéu? Temos a sorte de ganhar muitos jogos aqui e com resultados volumosos. Assobios das bancadas? Foi um jogo muito agradável, não ouvi nada”, referiu.

Em paralelo, esta foi também a noite onde as centenas de adeptos visitantes fizeram aquilo que cerca de 80.000 costumavam ter como regra nos últimos nove anos: cantar por Cristiano Ronaldo, “gozando” com a saída do jogador que coincidiu com uma das temporadas mais atribuladas no Real Madrid. A reação não se fez esperar e trouxe muitos assobios do Bernabéu que, apesar do apoio à equipa tricampeã europeia, voltou a ver mais uma noite de glória do Barcelona, que se apurou para a final da Taça do Rei num dia que teve outro simbolismo depois da saída em liberdade de Sandro Rosell, antigo presidente dos blaugrana.

“Estamos na final por mérito próprio, depois de um jogo muito intenso. Foi um grande dia para o barcelonismo. Vamos jogar mais uma final da Taça do Rei e Sandro Rosell e Joan Besolí [n.d.r. antigo atleta olímpico e sócio de Rosell] estão em liberdade. Temos que desfrutar, no final de maio jogaremos outra final, mas agora temos um jogo importante para a Liga aqui no sábado. Ganhar em Madrid? Não é um mau costume. Temos conseguido êxitos, bons resultados e sinto-me muito feliz pelo treinador e pela equipa. Mas ganhar aqui é sempre complicado”, comentou o atual líder, Josep Maria Bartomeu, citado pelo As.