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Valor são 10:01. As notícias com Carla Jorge Carvalho. A oposição condena as declarações do presidente do IHRU sobre os protestos pelo direito à habitação e é mesmo quem pede a demissão de Benjamim Pereira. Dentro do governo, há reações divergentes. O presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana sugeriu ontem que falta aos jovens de hoje em dia o espírito de sacrifício, como em gerações anteriores. Contou que o pai e os avós tiveram de emigrar para terem dinheiro para comprar casa. Esta reação de Benjamim Pereira surge depois dos protestos que têm marcado a atualidade. O ministro das Infraestruturas demarca-se das palavras de Benjamim Pereira, revela que já pediu esclarecimentos sobre esta posição. Já em entrevista à SIC, o líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, não vê polêmica nestas declarações. Quanto ao PS, afirma que considera intolerável que um dirigente público fale em falta de espírito de sacrifício por parte dos jovens. O Bloco de Esquerda pede uma audição urgente do presidente do IHRU no Parlamento e exige mesmo a demissão de Benjamim Pereira. Está conosco agora em direto neste jornal Jorge Pinto, que é co-porta-voz do LIVRE. Jorge Pinto, bom dia, obrigada por estar conosco. Como é que classifica estas declarações do presidente do IHRU? São graves ou estão a desviar as atenções para aquilo que é verdadeiramente importante e grave, que é a crise na habitação?
Bom dia. Obrigado pelo convite. São as duas coisas e uma coisa não exclui a outra. São declarações que foram ofensivas, desnecessárias e até bastante provocatórias, como se percebeu pela reação do próprio ministro das Infraestruturas. Aquilo que nos parece claro é que não é o facto destas declarações terem sido ofensivas e mostrarem um desfasamento total com a realidade e aquilo que acontece no país, e até um certo desnorte dentro do próprio governo e do PSD em relação a como reagir a estas declarações, mas que isto não nos impeça de ver o que está em causa. Está em causa o presidente de um instituto que deveria ter um papel central na oferta de respostas a um problema urgente, como é o da habitação, e que parece ter completamente desistido de procurar essas respostas ou essas soluções e que perante os desafios que tem pela frente, perante um país que pede, dos mais velhos aos mais novos, soluções para habitação, ter um presidente do IHRU que acha que o problema é falta de sacrifício, revela realmente que o IHRU merecia muito mais e que o país precisaria de muito mais. E também por isso, o LIVRE defende a criação de um Serviço Nacional da Habitação, para que o tema e o assunto da habitação tenha a centralidade política que precisa de ter.
E não com o IHRU. Jorge Pinto, o LIVRE tira consequências políticas-
Também com o IHRU, mas um IHRU reforçado e certamente com uma presidência mais alinhada com aquilo que são os reais desafios do país.
O LIVRE retira consequências políticas ou pede consequências políticas destas afirmações. Digo isto porque o Bloco de Esquerda já veio sugerir ou exigir a demissão de Benjamim Pereira.
Repare, nem sequer é o LIVRE. O próprio ministro disse ontem em entrevista que já tinha pedido explicações ao presidente do IHRU. Portanto, o próprio ministro deu esse sinal de que iria tirar conclusões políticas. Esperemos para as ver. Mas também para os nossos ouvintes saberem, ainda recentemente, no mês de julho, o presidente do IHRU esteve na Assembleia da República por iniciativa do LIVRE, para que se pronunciasse sobre a venda de dois imóveis públicos que, no nosso entender, deveriam ter sido utilizados para criar habitação pública aqui na cidade de Lisboa. E o senhor presidente do IHRU, quando eu o próprio confrontei dizendo que era uma correia de transmissão do governo, ele afirmou e confirmou alegremente e orgulhosamente que era isso mesmo. Portanto, se é uma correia de transmissão do governo, mas o governo, no caso, o responsável pela pasta, está descontente com o seu trabalho ou com as suas declarações, como parece ter estado Miguel Pinto Luz, então veremos que conclusões políticas são tiradas. Portanto, quem o diz nem sequer é o LIVRE, é o próprio governo, que parece descontente, ou algumas partes do governo, porque a senhora secretária de Estado, como também é sabido, teve declarações diferentes das do senhor ministro, o que mostra, como eu dizia há pouco também, um desnorte dentro do próprio governo.
Vale a pena ouvi-lo então no Parlamento para que todos os deputados possam esclarecer o olhar do presidente do IHRU.
Mas repito, não apenas pelas declarações, para que não ficamos distraídos com o acessório, mas no essencial, para que percebamos então que papel é que o IHRU e quem está à sua frente pode e deve ter para dar resposta aos problemas da habitação no nosso país. Porque nós também não queremos que declarações ofensivas como foram, e disto não haja dúvida, sirvam de desculpa para não discutirmos políticas. Nós queremos que o senhor presidente venha aqui, mas é para explicar por que o IHRU tem tantos atrasos em dar respostas, até naqueles casos em que autarquias se oferecem e oferecem terrenos e propõem ao IHRU a construção de habitação pública e depois o IHRU não consegue dar resposta. Se calhar é porque há falta de meios profissionais? É possível. Também por isso o LIVRE tem apresentado várias propostas para reforçar o IHRU de mais trabalhadores.
Vamos aguardar então.
Que o senhor presidente nos explique, mais do que as declarações ofensivas, que nos explique se é ou não a pessoa indicada para estar à frente do IHRU num momento tão sensível para a habitação no nosso país.
Vamos aguardar então por esses esclarecimentos. Jorge Pinto, muito obrigada por ter estado em direto conosco, co-porta-voz do LIVRE, reagindo às declarações do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, a propósito dos jovens que protestam contra a crise na habitação. Carla, perante esta polêmica, importa percebermos quem é Benjamim Pereira e como chegou ao IHRU. Assumiu funções em 2024, depois de ser escolhido por Luís Montenegro para assumir um dos dossiês mais sensíveis e prioritários do país, a habitação. O percurso público de Benjamim Pereira começa no poder local como autarca. Carlos Pedro.
Concretamente em Esposende, o conselho que liderou durante mais de uma década. Benjamim Pereira nasceu na freguesia de Fão, licenciou-se primeiro em Engenharia Civil e mais tarde em Arquitetura e Urbanismo. Estreia-se no poder local em 2009, quando assume funções de vice-presidente da Câmara Municipal de Esposende, no último mandato do social-democrata João Sepa. Quatro anos depois, ou seja, em 2013, assume a candidatura à liderança da autarquia pelo PSD. Seguem-se três mandatos sucessivos com maiorias absolutas, o que lhe terá valido a oportunidade de em 2024 liderar o IHRU, assim é que está certo, a pedido de Luís Montenegro. O parecer da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública indica que Benjamim Pereira afigura-se empático, assertivo, com visão estratégica, pensamento proativo e orientado para resultados.
Carlos, Benjamim Pereira é muito interventivo sobre a atualidade política nas redes sociais. Recentemente, saiu em defesa de Luís Montenegro, depois das críticas de Passos Coelho, que apontou para a pouca capacidade reformista do governo da AD.
Sim, aconteceu em março deste ano. Benjamim Pereira recorreu às redes sociais para acusar o antigo primeiro-ministro de ser injusto e de alimentar divisões internas, bem como de explorar as fragilidades do partido. Para o dirigente, o que Pedro Passos Coelho está a fazer é uma canalhice e um ato cobarde para com Montenegro. É também nas redes sociais que declara o apoio a António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais contra André Ventura e se posiciona também contra o genocídio na Palestina.
Carlos Pedro, com o perfil de Benjamim Pereira, o atual presidente do IHRU, agora no centro da polêmica por causa das declarações sobre os protestos contra a crise na habitação, sendo que depois de uma noite calma, está marcada para hoje uma nova vigília dos manifestantes. Desta vez vai ser em Marvila, lá em Lisboa. A iniciativa partiu da plataforma Casa para Viver e visa exigir a suspensão imediata do despejo de uma viúva e dois filhos em Marvila.
São agora 10:09, já a seguir o Contracorrente. Antes, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
O primeiro-ministro de Israel mandou fechar a Cisjordânia na sequência do alegado ataque na cidade de Hebron. Dois palestinianos foram mortos a tiros por militares israelitas após o ataque, pelo menos seis soldados ficaram feridos, alguns em estado crítico. São dados das autoridades israelitas. Horas depois, o governo de Tel Aviv ordenou às forças de segurança que cercassem Hebron e se preparassem para encerrar toda a Cisjordânia. É um assunto que vamos desenvolver nos próximos jornais. O preço da gasolina deve descer cerca de €0,07 na próxima semana. Já o gasóleo deve apresentar uma ligeira subida, cerca de €0,01. São estimativas avançadas à Rádio Observador pela Nerec. Os preços finais só são anunciados quando o mercado fechar esta sexta-feira. O preço do barril de petróleo Brent, que serve de referência aos mercados europeus, continua bem acima dos €100 e atingiu o valor mais alto desde abril. Ultrapassa agora os $114 o barril, aumento justificado pela escalada de tensão no Médio Oriente. O antigo ministro das Finanças, Fernando Medina, reconhece que a redução da dívida é um ponto positivo na proposta do governo de orçamento para o próximo ano. Em entrevista ao Diário de Notícias, o antigo governante socialista avisa ainda assim que a dimensão e a rigidez da despesa podem limitar os apoios, tanto às famílias como às empresas. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, começa a ser ouvido a esta hora no Parlamento, precisamente sobre a proposta do governo para o orçamento do Estado. "Às Sombras de Duarte Lima" é o novo podcast Plus do Observador. O primeiro episódio está hoje em ante-estreia.
Através de entrevistas a testemunhas-chave, entretanto já falecidas, de gravações da polícia brasileira, de áudios da vítima captados horas antes de ser assassinada e da análise de vídeos, fotografias, relatórios e milhares de páginas de documentos, o novo podcast Plus reconstitui toda a investigação à morte da portuguesa Rosalina Ribeiro no Brasil.
Assim que entra na sala da morgue de Cabo Frio e um funcionário lhe mostra o corpo, não tem dúvidas. Aquela mulher é mesmo Rosalina Ribeiro. A identificação foi feita a tempo. Faltavam 19 dias para o prazo acabar. A partir do momento em que o corpo é reconhecido, os dois processos, o do desaparecimento de Rosalina Ribeiro e o do aparecimento do cadáver de uma mulher ignorada, fundem-se num só. Agora, é preciso descobrir o assassino.
"Um Corpo na Berma da Estrada" é o título do primeiro episódio do novo podcast Plus do Observador, que está disponível já em ante-estreia.
O ator João Reis é o narrador desta série, que conta com música original do pianista Filipe Raposo. A investigação e os guiões são do jornalista do Observador, o Carlos Diogo Santos.