O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou esta quinta-feira que o seu antecessor na Presidência do Brasil Michel Temer foi preso devido a acordos políticos em nome da governabilidade, noticiou o jornal Estadão.

Em viagem ao Chile, Jair Bolsonaro comentou a prisão do ex-chefe de Estado, acrescentando “que a Justiça nasceu para todos e que cada um é responsável pelos seus atos“, de acordo com a mesma fonte.

Segundo o portal de notícias G1, também o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, se manifestou acerca do caso, afirmando que “é muito mau para o país ter um ex-Presidente preso“, acrescentando que “agora seguem as investigações”.

O “número dois” de Jair Bolsonaro também afirmou que a prisão de Temer não deve atrapalhar as votações no Congresso que são de interesse do Governo atual.

Da central nuclear ao esconderijo no armário: as suspeitas que puseram Michel Temer na prisão

Outro membro do atual executivo, o senador Major Olímpio, líder do governo Bolsonaro na câmara alta parlamentar, declarou no Twitter que “a Justiça será para todos”.

“O Brasil está a mudar, a Justiça será para todos! Grande expetativa para o povo brasileiro, estamos no caminho certo! O Brasil será passado a limpo, cadeia para todos aqueles que dilapidaram o património público brasileiro e envergonharam a política e o nosso povo“, escreveu.

A Polícia Federal brasileira deteve na manhã desta quinta-feira Michel Temer e tenta cumprir outros mandados contra aliados do antigo Presidente brasileiro, numa ação a pedido dos investigadores da Operação Lava Jato do Rio de Janeiro.

Michel Temer, o segundo ex-Presidente brasileiro a ser detido no espaço de um ano – o primeiro foi Lula da Silva, que cumpre pena de prisão -, está a ser investigado em vários casos ligados àquela que é considerada a maior operação de combate à corrupção na história do Brasil e que revelou um escândalo de grandes proporções de desvio de fundos da empresa petrolífera estatal Petrobras.

Michel Temer em prisão preventiva pela Operação Lava Jato

Em causa estão denúncias do empresário e dono da Engevix, José Antunes Sobrinho, que disse à Polícia Federal ter pagado um milhão de reais em subornos a pedido do coronel João Baptista Lima Filho (amigo de Temer), do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento do Presidente Michel Temer.

Desde o seu lançamento, em março de 2014, a chamada investigação Lava Jato levou à prisão empresários e políticos, incluindo o ex-Presidente Lula da Silva.

Durante o mandato presidencial, o Ministério Público pediu por duas vezes ao Supremo Tribunal a abertura de processos por corrupção contra Temer, mas o Congresso brasileiro negou sempre autorizar os procedimentos necessários.

Todas as acusações ficaram, por isso, pendentes do fim da imunidade de Michel Temer, o que aconteceu quando deixou a Presidência da República do Brasil no final de 2018, após dois anos e meio de mandato.