A The Navigator Company anunciou esta terça-feira que vai propor a distribuição de um prémio de 23 milhões de euros, “o valor mais elevado na história da empresa”, aos cerca de 3.200 colaboradores.

Em comunicado, divulgado no mesmo dia em que a produtora de pasta e papel tem uma assembleia-geral de acionistas, a Navigator refere que “acordou recentemente com as entidades representativas dos trabalhadores aumentos generalizados nos ordenados e subsídios”.

A atualização salarial “sofreu aumentos entre 1,5% e 2%, tendo sido igualmente atualizados o subsídio mensal de alimentação (7,85 euros), o subsídio de infantário até aos 12 meses (70 euros) e o subsídio mensal de apoio especial aos filhos dos trabalhadores portadores de deficiência (100 euros)”, adianta a empresa.

A The Navigator Company refere que “aumentou, também, o subsídio anual de livros para os filhos de todos os trabalhadores, entre o 1.º ciclo e o ensino superior, cujos valores se situam agora entre os 95 euros e os 340 euros, incrementando também para 500 euros o valor da Bolsa de Estudo anual atribuída aos filhos que melhor desempenho escolar obtenham”.

“A este conjunto de regalias junta-se, ainda, o aumento no número de feriados de laboração contínua (pagamento de 11 feriados à taxa horária de 240%, independente da realização ou não de trabalho), a redução do número de horas de trabalho, de 40 para 39 horas semanais, entre outros benefícios concedidos aos colaboradores”, prossegue a empresa.

De acordo com o grupo, a Navigator investiu nos últimos quatro anos 470 milhões de euros em Portugal, tendo aumentado o seu efetivo em 620 novos colaboradores.

“Em 2018, a Navigator comprou a fornecedores nacionais 1,2 mil milhões de euros, tendo suportado em Portugal um total de 102 milhões de euros em impostos”, acrescenta, salientando ser a terceira maior exportadora portuguesa, representando cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e 2,4 das exportações nacionais de bens.

No ano passado, os lucros da empresa subiram 8% para 225 milhões de euros, “os melhores de sempre”, tal como o volume de negócios, que aumentou 3,3% para 1.692 milhões de euros.

Diogo da Silveira deixa esta terça-feira da presidência da Navigator

Apesar destes resultados, os melhores de sempre, Diogo da Silveira deixa esta terça-feira a presidência executiva da The Navigator Company, depois de ter manifestado a vontade de não ser eleito para novo mandato, sendo substituído por João Castello Branco, ‘chairman’ da empresa, até designação de novo presidente.

De acordo com um comunicado da empresa (antiga Portucel), de 13 de fevereiro último, “Diogo da Silveira, administrador e presidente da comissão executiva desta sociedade, manifestou a vontade de não ser eleito para o novo mandato do Conselho de Administração, que se inicia este ano”.

Diogo da Silveira entendeu que “se concluiu agora com êxito o mandato que lhe havia sido definido em 2014 no sentido do rejuvenescimento e diversificação da Navigator”, lê-se no do comunicado da altura.

A administração expressou, na altura, “os seus agradecimentos […] pelos resultados obtidos pela companhia e pelo trabalho realizado ao longo do mandato, com realce para o processo de diversificação da sua atividade e para a transformação e modernização da Navigator a nível do seu quadro de colaboradores, imagem e métodos de gestão”.

Cabe agora a João Castello Branco, ‘chairman’ da Navigator, assumir a presidência executiva “entre a data da assembleia geral e a data da designação de um novo presidente para a comissão executiva”.

No relatório individual de 2018 da The Navigator, Diogo da Silveira faz um balanço de 2018, o qual “ficou tristemente marcado pelo falecimento” de Pedro Queiroz Pereira, na altura ‘chairman’ e acionista de referência.

“Ao longo deste ano [2018] ocorreram ainda outros factos desfavoráveis, totalmente inesperados, que só conseguimos ultrapassar graças ao empenho das nossas equipas”, refere Diogo da Silveira, onde elenca a aplicação, em agosto, da taxa ‘anti-dumping’ de 37,34% nas vendas de papel para os Estados Unidos entre agosto de 2015 e fevereiro de 2017, a qual “graças ao esforço de várias equipas internas envolvidas na defesa da companhia” o valor foi reduzido em outubro para 1,75%, ou ainda o impacto da tempestade Leslie na unidade da Figueira da Foz.

Entre os pontos na ordem de trabalhos da reunião magna de acionistas desta terça-feira consta ainda o pagamento de um total de 200 milhões de euros em dividendos.

Os trabalhadores do grupo The Navigator Company iniciaram às 00:00 desta terça-feira uma greve ao trabalho suplementar, paralisação que foi convocada pelos sindicatos dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul – SITE Sul, e está prevista uma concentração no local onde decorre a assembleia-geral de acionistas, no hotel Ritz, em Lisboa.

Os trabalhadores da ATF em Setúbal, empresa do grupo The Navigator Company, estão em luta por aumentos salariais, direito ao pagamento de 11 feriados e 14 prevenções/ano, pela redução do horário de trabalho para 37,5 horas semanais e atribuição de cartão (vale) combustível mensal, segundo os sindicatos.