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Países europeus interessados em replicar programa de intercâmbio entre Portugal e Espanha

O IACOBUS apoiou 798 projetos desde 2014 e está a ser procurado por outras regiões da Europa que querem replicar o programa.

Desde que arrancou, em 2014, o programa aprovou, nas seis convocatórias, 798 projetos, num total de 1.475 candidatos, com um financiamento superior a 870 mil euros.

HUGO DELGADO/LUSA

O IACOBUS, o programa de intercâmbio de docentes, investigadores e centros tecnológicos na eurorregião Galiza-Norte de Portugal, apoiou 798 projetos desde 2014 e está a ser procurado por outras regiões da Europa que querem replicar o programa.

“O IACOBUS está a ter bastante êxito pela Europa fora. Já fomos contactados, em diversas ocasiões, por outras regiões que querem implementar projetos semelhantes. A região mais exótica, por exemplo, foi a Finlândia e Suécia”, afirmou Xosé Lago, diretor do Agrupamento de Cooperação Territorial Galiza-Norte de Portugal (GNP-AECT).

Em declarações à Lusa, Xosé Lago sublinha que o programa é hoje tido como exemplo de sucesso a replicar, por exemplo, no contexto das macrorregiões.

“A macrorregião do Sudoeste Europeu — RESOE também está a tentar replicar uma coisa semelhante, assim como o CRUP — Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. A ideia está a ter bastante êxito”, afirmou, acrescentando que também a Associação das Regiões Fronteiriças Europeias (ARFE) manifestou interesse em replicar o programa.

Financiado pelo programa INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020, o IACOBUS destina-se a docentes, investigadores, técnicos e pessoal administrativo das instituições de ensino superior e centros tecnológicos da eurorregião Galiza-Norte de Portugal.

Desde que arrancou, em 2014, o programa aprovou, nas seis convocatórias, 798 projetos, num total de 1.475 candidatos, com um financiamento superior a 870 mil euros.

Na mais recente convocatória, que arrancou com 159 beneficiários, 58 provenientes da região Norte e 101 da Galiza, o apoio, lembrou o diretor do agrupamento, foi alargado aos 22 centros tecnológicos da eurorregião, por forma a garantir que “o conhecimento adquirido nas universidades, não estanque antes de chegar à sociedade civil”.

Além disso, foi criada uma nova linha de apoio às publicações científicas, que selecionou 34 das 37 publicações que se candidataram.

“O que queremos para este ano de 2019 é consolidar as modificações que introduzimos no ano passado, dar a conhecer mais os 22 novos destinos e consolidar também a linhas das publicações científicas”, afirmou Xosé Lago.

Por outro lado, salientou, o agrupamento irá trabalhar na perspetiva de alargar o âmbito do IACOBUS, aproximando-o ainda mais das empresas, nomeadamente dos ‘clusters’ empresariais.

No que respeita ao âmbito geográfico do programa, o diretor do agrupamento referiu que, neste momento, o foco se mantém na consolidação das alterações introduzidas na sexta convocatória, apesar de admitir estar “aberto” a novos alargamentos, por exemplo, no contexto macrorregião do Sudoeste Europeu – RESOE, que inclui as regiões portuguesas do Norte e Centro e as espanholas da Galiza, Castela e Leão e Astúrias e Cantábria.

Sara Mota, assistente convidada na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico do Porto, foi uma das beneficiárias do IACOBUS na convocatória de 2018/2019, para a qual se candidatou com o projeto “Comparação entre a Logística do Hospital@Home na Euro-Região”.

O projeto, desenvolvido em colaboração com a Universidade da Corunha, onde a docente fez o intercâmbio, procurou identificar lacunas e dificuldades na implementação de programas de internamento domiciliário, no sentido de encontrar soluções “tecnológicas” para melhor acompanhar os doentes, nomeadamente no respeita à monitorização dos pacientes.

“Tem de haver alertas para que, a todo o momento, os profissionais de saúde saibam o que se passa com o doente e possam corrigir eventuais descompensações”, explicou, sublinhando que a “telemonitorização” é um elemento fulcral para o sucesso ou insucesso destes projetos.

De acordo com Sara Mota, o internamento domiciliário é também instrumental na redução de infeções hospitalares, pelo que um dos objetivos deste projeto é tentar junto da indústria desenvolver soluções tecnológicas que possam resolver os problemas de “distanciamento físico” entre doentes internados em ambiente familiar e os profissionais de saúde.

Neste sentido, o IACOBUS funcionou como uma ponte para a troca de estratégias, o que também para o investigador galego José Seara constitui um ativo importante no contexto da eurorregião Galiza-Norte de Portugal.

O investigador da Universidade da Minho, que fez um intercâmbio com a Universidade de Vigo, explicou que o objetivo deste projeto é o desenvolvimento de processos biotecnológicos que ajudem a obter produtos de valor acrescentado, através da utilização de métodos de baixo impacto ambiental.

Neste caso, referiu, o projeto de aproveitamento biotecnológico de resíduos agroalimentares foca-se nas indústrias do vinho e do azeite, que geram uma grande quantidade de resíduos com uma aplicação ainda deficitária.

“Por exemplo, de toda a azeitona processada, quase 85% transforma-se em resíduo e até ao dia de hoje a única aplicação que está a ser dada é na queima para caldeiras, para a produção de calor”, disse.

Através da produção destes produtos de valor acrescentado, como enzimas e compostos antioxidantes, procura-se contribuir para resolver os problemas da indústria agroalimentar.

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