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Teresa Calçada, comissária do Plano Nacional de Leitura: “A educação sai cara, mas a ignorância é muito mais cara”

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Neste dia mundial do livro, o Plano Nacional de Leitura trá-lo para as ruas de Lisboa. Falámos com a comissária do PNL: "Estamos no caminho certo, mas ainda há muito a fazer".

Teresa Calçada, a atual comissária do PNL

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Autor
  • Joana Emídio Marques

O livro é, ainda hoje, um dos objetos mais revolucionários que o Homem foi capaz de inventar. Nenhum outro consegue congregar tecnologia, arte, conhecimento a um preço tão reduzido. Mas mais do que tudo, nenhum outro pode, como o livro, ser uma alavanca contra a pobreza, a exclusão social, a desesperança, a servidão. Hoje, quando somos assolados por solicitações de toda a ordem, ler um livro torna-se a pouco e pouco um ato de rebeldia e uma manifestação de saúde mental. Sabe-se que quanto maior for o grau de literacia maior é a capacidade de produzir riqueza material e imaterial, maior é a independência e a capacidade de responder aos desafios do mundo e da vida.

É sobre o poder revolucionário e empoderador do livro que se ergue, desde 2006, o Plano Nacional de Leitura (PNL), que ganhou novo fôlego com a chegada de Teresa Calçada, a comissária do projeto, em 2017 (depois de ter sido comissária-adjunta). No dia mundial do livro, o PNL sai para as ruas de Lisboa naquela que será a primeira manifestação pela leitura para celebrar o livro, os autores e os leitores. O Observador falou com Teresa Calçada sobre esta nova vida do plano que agora se designa PNL 2027.

Para além de uma vida dedicada às bibliotecas, Teresa Calçada é, com José Pacheco Pereira, seu marido, a dona desse grande arquivo de livros que é aquilo que podemos chamar “Biblioteca” da Marmeleira. Foto Diogo Ventura/Observador

Nome há muito ligado ao livro e à criação da rede de bibliotecas municipais e escolares, Teresa Calçada está desde 2017 como comissária do PNL e tem como subcomissária Elsa Conde. Fomos encontrá-la nas luminosas instalações do Ministério da Educação, na Avenida 24 de Julho, num dia em que estava particularmente entusiasmada com o prémio que tinha sido atribuído, na feira do livro de Bolonha, ao livro Atlas do Planeta dos Exploradores, da editora Planeta Tangerina. É formada em Filosofia, começou por dar aulas no liceu de Leiria, onde se ocupou da biblioteca e até conseguiu um pequeno orçamento para comprar novos livros para a secção de filosofia com autores que o Ministério da Educação do princípio dos anos 70 não considerava. E lembra que, “durante muitos anos, em Portugal, as bibliotecas eram feitas e conservadas pela boa vontade de muitos professores”. Fez parte do Instituto do Livro com António Alçada Batista, esteve ligada à fundação da Rede de Bibliotecas Municipais e depois à Rede de Bibliotecas escolares. No PNL sucede a Isabel Alçada, a mentora do projeto, e ao poeta Fernando Pinto do Amaral. Não se mostra disponível para falar do legado dos seus antecessores, mas acredita que o PNL “continua no caminho certo” e que “embora haja ainda muito a fazer”, esta é “uma batalha para ganhar”.

Tem ideia de quando se apercebeu da importância do livro como instrumento revolucionário?
Na minha geração e na minha forma de crescer, o livro esteve sempre presente. Eu sou aquilo que eu li. Nesse tempo os livros eram fundamentais para o nossos relacionamentos com os amigos, namorados eram o principal tema das conversas. Os livros e o cinema eram fundamentais até para a minha formação como mulher, era impensável naquele tempo não conhecer certos livros, não ter lido outros. Muita literatura francesa clarão, porque era a língua que tinha mais traduções para português, era o que chegava dos que iam a França. Tive a felicidade de crescer numa casa onde me ensinaram a amar os livros.

Nessa altura para se ser “cool” era preciso ler livros?
Sim, naquele tempo, para os adolescentes não havia nada mais “cool” que ler.

Hoje o “cool” passa por outras coisas, a música, os gadgets tecnológicos, os ténis de marca. Acha possível que os livros voltem a ser “cool”?
Não é fácil e sem dúvida esse é um dos grandes desafios do Plano Nacional de Leitura (PNL): convencer, mostrar aos jovens que mais do que “cool”, ler é profundo, é marcante, dá-nos consciência do mundo, da força, do poder das palavras. Aqui no PNL queremos que o livro volte a ser “cool”.

E, no entanto, ler é, hoje em dia, um dos gestos mais rebeldes que se podem ter, porque quando estamos a ler temos obrigatoriamente que desligar desse mundo que a todo o instante nos solicita a atenção, o tempo, a disponibilidade mental.
Estamos sempre a ser solicitados, comprados, induzidos, manipulados. É uma servidão da qual o ato de ler nos permite libertar. Isto não é fácil de perceber pelas crianças e adolescentes, mas cabe à escola, aos país, aos professores, à sociedade ajudá-los a perceber isso. Mas, de facto, a melhor forma de atingir o alvo é tornar o livro atrativo entre pares, entre amigos, entre colegas, entre namorados. São os miúdos que têm que chamar uns aos outros a atenção para um livro ou para um filme, para um escritor, mesmo que seja para mostrar desagrado. Isso é crescer e criar proximidades a partir de uma solidão qualificada. Infelizmente, o livro como instrumento de crescimento passou a ser usado apenas por uma elite. A escola massificou o uso do livro mas não os verdadeiros leitores. Nem todos têm que ser grandes leitores, mas se muitos perceberem aquilo que têm a ganhar com a leitura já teremos cumprido parte importante da nossa missão.

maniFESTA-TE pela Leitura

Hoje, dia 23 de Abril, o PNL mobiliza escolas, livrarias, editores para o maniFESTA-TE pela Leitura. O desfile realiza-se em Lisboa, partirá da Praça Luís de Camões e seguirá pelo Chiado, com paragens para leituras em voz alta nas livrarias BD Mania, Bertrand, Férin e FNAC. O desfile será acompanhado por músicos e por artistas do Chapitô.  A APEL junta-se à festa com a iniciativa Ler em todo o Lado. Pelas 17h, está programado um “Ciclo de Concertos” na Biblioteca Palácio Galveias e uma sessão de “Leituras Diversas” na Biblioteca dos Coruchéus. A arte poética de Sophia Mello Breyner Andersen vai invadir a Biblioteca Orlando Ribeiro na iniciativa “Sophia na Biblioteca Andante” das 18h às 19h. Também ao final da tarde, às 18h, está programada uma “Tarde de Leitura sobre o Oriente”, com a Livros de Bordo. O dia termina com o “Prémio Livro do Ano Bertrand 2018”, uma cerimónia onde serão divulgados os vencedores deste concurso. Ao longo do dia estará ainda a decorrer uma recolha de livros para o Centro de Dia da Apoio, na livraria Espaço.

No fundo a sua missão ainda é a mesma de quando integrou, com António Alçada Batista, o Instituto do Livro?
Éramos um grupo pequeno mas vindos de áreas diferentes. Daí tornei-me funcionária no Ministério da Cultura e mais tarde no Ministério da Educação, mas sempre a trabalhar com os livros até 1986 quando se criou o grupo de trabalho que iria fundar a Rede de Bibliotecas Municipais, com Maria José Moura. Esta rede conseguiu chegar ao país todo, e continua a abrir bibliotecas, que entretanto mudaram muito o seu papel dentro das comunidades. Embora a sua essência continue a ser o Conhecimento, hoje a biblioteca é um centro performativo, que não se restringe ao livro, mas que procura orientar e mediar as pessoas no meio de tantas fontes de informação que hoje temos disponíveis.

Mais de trinta anos depois de criada a Redes de Bibliotecas Municipais, sente que essa foi uma luta ganha?
Globalmente foi uma grande vitória em Portugal. Atualmente é normal haver uma biblioteca em cada Conselho do País. Anormal é não haver. Neste momento, haverá mais de 200 bibliotecas no país e, como também foi criada a Rede de Bibliotecas Escolares, o livro passou a estar ao alcance de todos. A Biblioteca como instituição cívica fundamental continua a ser discutida em todo o mundo, o que mostra a sua necessidade e vitalidade, mesmo que hoje a sua função não se resuma ao livro em papel. Sem bibliotecas não há democratização do saber, logo não há liberdade. Repare-se no papel que as bibliotecas tiveram na América na ascensão social dos emigrantes. Sempre que visito uma cidade vou à biblioteca pública.

A biblioteca está na génese da civilização ocidental, até há mais tempo do que as universidades, basta lembrarmos Alexandria.
Mas antes disso temos que lembrar que as três maiores religiões monoteístas [cristianismo, judaísmo, islamismo] são simultaneamente religiões do livro, da leitura como relação com o sagrado. Aqui no PNL gostaria que as pessoas não perdessem de vista essa história; que o livro é fundador da nossa civilização. Ele é marca de civilidade e humanismo antes de ser qualquer outra coisa. Livro não apenas como leitura, mas também a escrita. A escrita é qualquer coisa de avassalador na história da humanidade. Não podemos deixar de mostrar a qualquer jovem a revolução que constituiu, na nossa aventura humana, a invenção da escrita; o ato de começar a fixar em palavras as coisas do real. E neste tempo da revolução digital, que mesmo com todos os perigos que possa ter, é uma coisa maravilhosa, não podemos esquecer que ela não teria sido possível sem a escrita.

Hoje, quando já há filósofos que preconizam um retrocesso da palavra face à ascensão da imagem, quando a utilização da linguagem escrita está a encolher e a ser substituída pela leitura de imagens, como vê o futuro do livro, dos textos quando é muito mais fácil ler uma imagem do que uma palavra?
O problema é que essas interações promovidas pelas redes digitais são aditivas, e quanto a mim não é só a imagem que vai perdendo a capacidade de ter pensamento simbólico, de entender a metalinguagem, a polissemia do texto, que são fundamentais para o nosso crescimento interior. A palavra é cada vez mais fragmentada, as frases mais simplificadas, já não fazemos orações intercalares. E isso é muito difícil de combater quando as pessoas acreditam que percebem o mesmo se lerem um livro ou lerem um resumo.

No PNL temos esta premissa: ler é compreender. Isto quer dizer que sem compreensão a leitura não se fez. E é por isso que o vocabulário é tão importante, que o vocabulário é uma marca social. Naturalmente quando se tem pouco vocabulário mais dificuldade se terá em aprender a ler e depois em ler de uma forma mais profunda. Porque sabemos que nos meios mais pobres o uso da palavra é mais reduzido por isso haverá mais dificuldade em ler, logo haverá mais possibilidade de insucesso escolar. A leitura é a principal forma de superação dos ciclos geracionais de pobreza. E hoje como há um acesso generalizado ao consumo parece que essa pobreza desapareceu mas não é verdade. Só a leitura pode trazer um pensamento mais elaborado e a recusa dessas formas de servidão.

Formada em Filosofia a atual comissária do PNL esteve ligada à criação da Rede de Bibliotecas Municipais e escolares

Na sua opinião, qual o papel do PNL para o fomento das dinâmicas culturais no nosso país?
Nem sempre isso é reconhecido, mas Portugal tem um dos maiores êxitos da sua história no imenso salto que deu nos últimos 50 anos, comparando com outros países da Europa. Porque a nossa escolaridade subiu muitíssimo e isso é o mérito de muita gente. Podemos ter tido muitos erros políticos, mas, em geral, os nossos governantes compreenderam genuinamente o valor da educação. E essa é, ainda hoje, a mais real vitória sobre o Estado Novo. A mais importante, porque esta traz as outras por arrasto, como por exemplo na emancipação feminina. E hoje verificamos que são as mulheres o grande fator de subida da literacia dentro das famílias. Porque mesmo quando o homem tem mais escolaridade a mãe é mais determinante nos resultados escolares dos filhos. Mesmo no programa Novas Oportunidades, hoje chamado Qualifica, foram as mulheres quem mais respondeu e aproveitou este projeto para se requalificar. Hoje, o PNL também está na educação de adultos, com o Ler + Qualifica e o Ler + Saúde.

Mais de uma década passada sobre a criação do PNL, que balanço faz?
A nossa novidade maior é que temos dez anos e sentimos que estamos a caminhar na direção certa. Que temos os objetivos certos e temos que continuar a persegui-los com firmeza. Embora, claro, que uma década aconselha algumas adequações, alguns ajustamentos. Mas o nosso propósito é claro desde o início: aumentar as competências de literacia e escrita dos portugueses, melhorar os seus hábitos leitores. A leitura é um “inalienável direito do Homem” essa é a justificação da nossa existência e da  nossa urgência.

Mas este é um tempo difícil para o livro quando tem tantas coisas a competir com ele pela nossa atenção.
Temos a concorrência desleal das novas tecnologias. Temos o imperativo de que tudo tem que dar lucro ou ser quantificável, ou que a educação sai cara… mas a ignorância é muito mais cara. O PNL não é uma questão de causa, efeito. Os seus resultados são lentos e podem demorar gerações até se tornarem visíveis. Mas, se em 40 anos conseguimos aproximar-nos daquilo que outros conseguiram em um século, agora é que não podemos parar. Se o nosso ensino tem uma base humanista ele não pode afastar-se das disciplinas humanas e a leitura é um pilar sobre o qual se sustentam todos os outros conhecimentos, sejam matemáticos, científicos ou tecnológicos. O PNL tem como objetivo valorizar socialmente a leitura e não escolarmente. O nosso foco não é o currículo escolar é a leitura como um hábito de vida, como a saúde, como a alimentação. A leitura como forma de empoderamento das pessoas. Parece simples mas não é, porque o nosso target é a sociedade e a sociedade é uma coisa mutante. O nosso foco não mudou, mas temos que estar atentos a todas as mudanças que acontecem à nossa volta.

Em 2006, quando criámos o PNL, o Ler+, foi um período muito rico, também graças ao espírito visionário da Isabel Alçada, tínhamos muitas ideias que depois não foi possível pôr em prática. Agora que estou com a Elsa Conde, também estamos cheias de ideias. Neste momento o nosso foco já não será tanto os anos iniciais da escolaridade e da aprendizagem da leitura e da escrita. Porque sentimos que nessa fase a batalha da leitura está ganha, os professores estão a ler às crianças, as famílias estão a ler às crianças. Não acredito que se possa retroceder. Em breve vamos ter online uma plataforma amigável destinada a professores e mediadores com recursos para trabalhar com as crianças a leitura e a escrita. Temos também a plataforma PICCLE com a mesma filosofia para alunos do 2º e 3º ciclo e outra ainda dirigida aos centros de competências para adultos.

A dificuldade são os jovens do ensino secundário e superior. Tivemos que fazer um conjunto de programas que visam precisamente explorar o ambiente entre pares, os grupos de amigos, etc. Queremos convocar os adolescente de fora para dentro. Assim, uma das novidades do PNL2027 é que  deixámos de estar confinados à escola. Queremos criar ambientes culturais mais excêntricos, mais heterogéneos, como é o programa Movimento 14-20, que é um mural, inspirado na cultura urbana. As escolas podem candidatar-se, mas têm que trazer consigo três outras entidades da sociedade civil, seja um grupo de teatro, um lar de idosos, um grupo de graffiters, escuteiros… A ideia é a escola ir ter com outros ambientes sociais e promover a leitura não dos livros escolares, mas ler para ganhar asas, para compreender os outros, para se relacionar fora do facebook. Não se pode colocar sempre o enfoque na falha dos outros, mas procurar conhecer as suas destrezas, aquilo em que os outros são bons. A ideia é dar conteúdo às impressões superficiais, dar complexidade às identidades. É mostrar que se ficamos apenas no meio do que é igual a nós ficamos mais pobres, prisioneiros dos rumores, da tagarelice. Temos um exemplo de uma escola em Almada que criou o festival Read-on, de música e artes performativas e onde em todas o dia escolar começa sempre com dez minutos dedicados à leitura, independentemente da disciplina.

Como é a relação entre o PNL e os ministérios da Educação, da Cultura, a Direção Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB)?
A nossa relação principal é com o Ministério da Educação, que é quem nos suporta financeiramente e logisticamente. Nós, PNL, temos muito pouco dinheiro, apenas nove pessoas alocadas e um trabalho para o país inteiro. Só podemos ajudar com ideias, recursos logísticos, financeiros através de candidaturas a fundos europeus. Mas a grande dinâmica tem que ser das comunidades.

Convém esclarecer que o PNL não compra os livros para as escolas, apenas recomenda a sua leitura. [O catálogo do PNL está dividido por idades e pode ser consultado aqui]
Não. O que nós temos é a colaboração com as redes de bibliotecas municipais e com algumas autarquias com vista à resolução de problemas concretos das comunidades. Uma coisa nova que nós introduzimos foi o Prémio Ler+ que teve a primeira edição em 2018, e é financiado pela fundação La Caixa.

Como é que uma família com o ordenado mínimo pode comprar os livros, apenas alguns dos livros que o PNL recomenda? Houve um tempo em que os livros do PNL eram comprados para a escola?
Houve, mas a partir da entrada da Troika isso deixou de ser possível. As bibliotecas têm vindo a depauperizar-se; quer as municipais, quer as escolares. As autarquias têm que perceber que não podem descapitalizar as bibliotecas, sob o perigo de se perder tudo o que tem sido feito. Portanto, a compra de livros em bloco para as bibliotecas já não há e, possivelmente, não voltará a haver. Mas temos parcerias de que me orgulho para a edição de alguns livros.

Portanto, todo este trabalho de escolha de livros feito pelo PNL, como é que chega à sociedade, às escolas, às famílias?
O PNL é apenas uma recomendação para as escolas ou as famílias comprarem e a ideia é “desescolarizar” o livro e criar o gosto pela leitura, pela literatura.

Como é que se processa a triagem e a escolha dos livros, que são editados aos milhares, para integrarem o PNL?
A primeira triagem é feita pelas próprias editoras, que concorrem enviando dois exemplares para serem apreciados pelos nossos especialistas. Depois temos 12 pessoas totalmente independentes que avaliam os livros, fazem um verbete e decidem o que integrar, segundo uma lista de critérios que estão disponíveis no site no PNL. Esta triagem é feita duas vezes por ano e agora alargamos as temáticas dos livros que recomendamos.

Mas há em todas as escolas ou bibliotecas municipais um exemplar de cada um dos livros que o PNL recomenda por semestre?
Não, nem pensar. Não há dinheiro para isso. A escolas têm apenas algum dinheiro para livros vindo das autarquias da Rede de Bibliotecas Escolares e do PNL com base nos projetos educativos e candidaturas.

Que tipo de colaboração tem o PNL por parte do Ministério da Cultura?
Houve algum trabalho com a Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia quando lá estava a Fernanda Rolo e agora estamos a tentar delinear um projeto para o ensino superior. No caso da Cultura, não temos feito nada. Mas acreditamos que vamos fazer.

Como é que neste contexto, em que não há dinheiro para comprar livros para as bibliotecas escolares e municipais ou para o PNL, existe verba, por exemplo, para ir à feira do livro de Guadalajara com uma comitiva de 40 escritores?
Isso terá que perguntar a pessoas de outros ministérios, nomeadamente a Cultura e os Negócios Estrangeiros. Mas a América Latina é um mercado importantíssimo. As coisas não são a preto e branco. Há dinâmicas que estiveram na origem dessa decisão que nós não conhecemos. O que eu enfatizo é que tem que haver uma política pública de leitura como há de saúde ou de acesso à eletricidade. Se é uma política pública tem que ter os recursos necessários à sua concretização.

Quando se olha para a lista de livros escolhidos para integrar o PNL encontram-se poucos livros publicados por pequenas editoras independentes e muito mais de grandes grupos editoriais. Porquê?
Nós fazemos o possível para divulgar o plano, mas não podemos fazer tudo. Se as editoras independentes não concorrem, nós não podemos andar atrás delas. Os nossos dados estão disponíveis no site, mas o primeiro passo tem que ser dado pelas editoras. Claro que nós queremos ter os melhores livros, mas precisamos que as editoras também colaborem.

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