Edwin “Buzz” Aldrin entrou para a História como o segundo homem a pisar o satélite natural da Terra, o que na verdade muito o chateava. “Eu devia ser considerado um dos membros do primeiro grupo de homens a chegar à lua, não o segundo homem a fazê-lo”, disse em tempos, e mais do que uma vez.

O homem que inspirou o boneco Buzz de “Toy Story” não foi o único astronauta do programa Apollo a divorciar-se depois de ir ao Espaço. Houve outros 22 que fizeram o mesmo, mas Aldrin foi o único a fazê-lo duas vezes. Casado há 21 anos, divorciou-se pouco tempo depois de regressar à Terra, casou entretanto e em dois anos estava separado de novo. No total, de entre 30, só sete astronautas do programa se mantiveram casados.

À medida que se aproxima o cinquentenário da chegada à Lua, a 20 de julho de 1969, multiplicam-se os artigos sobre os astronautas das missões Apollo. Neste, o espanhol El País revela que a propensão para o divórcio entre os homens ao serviço da NASA há meio século era quase tão grande como a das estrelas de rock. E faz sentido: as receções a que tiveram direito na altura, depois das respetivas aterragens, foram maiores do que as preparadas apenas cinco anos antes para acolher os Beatles, por exemplo.

“As mulheres simplesmente amavam os astronautas. As oportunidades e as tentações eram fantásticas”, revelou, em 1977, Walter Cunningham, da missão Apollo 7, no seu livro The All-American Boys.

Num outro livro, The Astronauts Wives Club (convertido em 2015 em mini-série), a jornalista Lily Koppel contou o outro lado da história, o das muitas mulheres que tiveram, na altura, de aguentar as infidelidades dos maridos e com um sorriso na cara. Em plena Guerra Fria e tempo de corrida espacial, os maridos eram heróis nacionais, de quem se esperavam comportamentos exemplares, tanto fora como dentro de casa.

De acordo com Koppel, John Glenn terá sido o mais irrepreensível dos sete que se mantiveram casados e aquele a quem a NASA recorria quando era preciso abafar alguma notícia mais incómoda. Terá sido ele quem interveio quando Alan Shepard (por sinal um dos que não se divorciou) foi fotografado por um jornal com uma prostituta. Na altura, até conseguiu impedir a publicação e manter firme a posição dos astronautas norte-americanos na luta moral contra os russos. Agora que passam 50 anos da chegada à Lua, a guerra acabou e o divórcio se democratizou já não é preciso manter o segredo.