Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sejam bem-vindos ao programa "A Nossa Cultura". O meu nome é Martim Madeira, estamos aqui no Teatro Viriato, a ver a exposição "O Teatro Também é Nossa Casa." Vamos para o último episódio desta exposição e vamos ver as últimas janelas desta exposição. Temos aqui duas janelas que podemos interligar. Temos os horizontes e o almejar. Comecemos pelos horizontes. Vemos o que parece ser o mar e tem uma manivela, que por acaso o Ângelo está aqui a dar à corda, em que as ondas se mexem. Esta ideia do mar e de olhar para além do horizonte, talvez seja essa a ideia desta janelita?
Sim. Nesta janela, pareceu-me muito bonito, poeticamente, o que era transpor o mar para dentro de um lugar. Que é, na verdade, tirar as fronteiras do lugar, que ele cresça sempre além das suas barreiras. E também porque no teatro o mar tem uma importância muito grande, é um dos primórdios, ou seja, há muito vocabulário utilizado no teatro que vem dos navios, a forma de passar as cordas, a forma de panejamento, algumas substituições associadas ao assobio, etc. A história do teatro e as primeiras profissões de teatro vêm de pessoas do mar, de pessoas que trabalhavam em navios e para mim era impensável fazer uma janela que não tivesse a homenagem a horizontes mais além.
Depois temos também a janela do almejar, são umas quantas escadas a chegar até à lua, portanto, almejar em que o teto é a lua, podemos dizer que é esse o objetivo?
Sim, eu acho que é uma característica muito importante que existe nos fazedores de teatro, que é esta ideia de tentar ir sempre mais além, e que gostava que inspirasse e que também pudesse contaminar, de certa forma, o público que vem ver, que é esta ideia um bocadinho sem limites. Não há um contorno na imaginação e portanto tentarmos sempre um bocadinho melhor, subir mais um degrau, irmos sempre um bocadinho mais além, almejar sempre um novo lugar, um novo sonho.
E vamos então passar para esse sonho. Temos aqui, na parte de cima, junto à homenagem ao público, uma peça que diz: "O sonho do teatro." E aqui vemos um caleidoscópio, no fundo. Por que o caleidoscópio para simbolizar o sonho do teatro?
Exato. Eu acho que um dos motores que move o teatro é o sonho e eu queria fazer uma janela dedicada a essa força muito grande que nos move, e que espero que continue a mover, e achei que o melhor lugar seria colocá-la no elevador do teatro. O caleidoscópio está feito no corpo do elevador do teatro, que nos leva ao seu terraço e a forma do sonho foi uma apropriação do caleidoscópio, que é aquele mecanismo que tem também uns vidrinhos internos e que nós ao rodar, há vários líquidos que se vão misturando e também tem pequenas pecinhas que podem criar sempre formas diversas. E neste caso, este sonho não é materializado, é uma coisa que ainda está no seu estado mais líquido e tem umas pequenas pecinhas que são a máscara do contente e do triste, que é muito associada ao teatro, como o drama e a comédia, em que ao movimentarmos o sonho, vamos vendo diferentes composições que o drama e que a comédia podem ter no teatro.
Estão aqui estas interligações entre estas três janelas, horizontes, almejar e o sonho do teatro. E queria perguntar apenas à Ângela, para finalizar esta exposição. Falámos de sonhos. O que é que pode dizer aos ouvintes? Qual é o sonho que tem? Tem o sonho que eles venham cá ver esta exposição?
O teatro é um lugar de portas abertas, apesar de ter uma chave mestra. Mas convidá-los a vir descobrir, a fazer parte deste teatro, a reimaginar este lugar, a participar na construção desta cultura e também se calhar falar de uma janelinha que está aqui, que nós não vamos ter tempo de passar por ela, mas que é dos acasos, que é a importância que muitas vezes os erros ou as imperfeições podem ter na nossa vida. E portanto, olhar bem, estar atento para os acasos e poder descobri-los, tanto na vida como no teatro.
E chegamos ao fim desta exposição "Do Teatro Também é Nossa Casa". Um agradecimento à Ângela por nos ter explicado toda a exposição. Um agradecimento, principalmente, ao Teatro Viriato por nos ter acolhido durante duas exposições e dizer aos ouvintes que esta exposição ainda está aqui e vai estar pelo menos até dezembro, é a informação que tenho. E que cá podem vir e que participem no teatro também. Quem sabe um dia o vosso nome pode vir parar à caixinha dos arquivos.