Nasceu em 2008, quando Cristiano Ronaldo já estava há cinco anos no Manchester United, no verão em que Michael Phelps ganhou oito medalhas de ouro em Pequim e se tornou o atleta mais medalhado numa única edição dos Jogos Olímpicos e na altura em que Rafa Nadal ganhou Roland Garros e Wimbledon e tornou-se líder do ranking ATP pela primeira vez na carreira. Tudo história relativamente recente, portanto. Em 2008, nasceu Sky Brown. E com 11 anos, Sky Brown pode tornar-se uma das atletas olímpicas mais novas de sempre.

O percurso da pré-adolescente britânica é curto, como não poderia deixar de ser, mas torna-se ainda mais relevante porque Sky Brown é skater, logo, vai muito provavelmente competir numa modalidade que só em 2020 se vai tornar olímpica. O skate, a par da escalada e do surf, é uma de três modalidades que vão entrar no catálogo olímpico já em Tóquio, no próximo verão, e o grande objetivo de Sky Brown nesta altura é integrar a comitiva do Reino Unido – ainda que a família da skater resida no Japão a tempo inteiro, já que a atleta é filha de mãe japonesa e pai britânico e tem dupla nacionalidade.

“Eu devia ter três anos quando comecei. Via o meu pai no skate dele a toda a hora, andava sempre atrás dele e assim que pude, fui para cima de um skate. Queria copiá-lo. Acho que comecei a levar as coisas a sério logo aos três anos. Não me lembro de não fazer skate por isso devo ter começado mesmo muito nova”, explicou Sky Brown – que é já a atleta mais nova de sempre a ser patrocinada pela Nike e já apareceu em anúncios ao lado de Simone Biles e Serena Williams –, em entrevista ao Telegraph.

A skater vive no Japão e é filha de mãe japonesa e pai britânico, tendo escolhido representar o Reino Unido nos Jogos Olímpicos

A skater é um autêntico fenómeno mediático no Reino Unido e é seguida por mais de 300 mil pessoas no Instagram. Mesmo com 11 anos – se se qualificar para os Jogos Olímpicos, vai ter 12 em Tóquio e tornar-se a atleta olímpica britânica mais nova de sempre –, impressiona pelo discurso coerente e focado, que não deixa de ter uma ponta de compreensível romantismo. “Fazer skate é divertido, só penso nisso. Ainda não acho que seja uma coisa séria. Só adoro. Fazer skate é o meu lugar feliz. Quando estou no skate, estou a fazer tudo aquilo que quero fazer. A parte mais importante de fazer qualquer desporto, não só skate, é aproveitar. Eu adoro o skate, é a minha paixão, mas o meu conselho é que as pessoas experimentem muitos desportos diferentes, não apenas um, e encontrem aquele que adoram. Se quisermos melhorar num desporto, temos de o adorar porque assim não nos preocupamos com o treino todo. Sejam corajosos e experimentem coisas”, explicou Sky Brown.

A atleta, que também faz surf e dança, passa cerca de três meses por ano a viajar para e de competições e estuda durante as viagens de avião, tal como contou ao jornal inglês. “Quando descobri que o skate ia ser uma modalidade olímpica, fiquei super entusiasmada. É ótimo que o desporto que eu adoro vá estar nos Jogos Olímpicos. Claro que vai ajudar o desporto a crescer. Milhões de pessoas vão ver e podem pensar: ‘Eu acho que consigo fazer aquilo'”, defende a britânica, que garante que “ainda não sabe” se vai conseguir construir uma carreira no skate e que o objetivo atual é “chegar aos Jogos Olímpicos e experienciar tudo aquilo”. “Quero mostrar às raparigas do mundo inteiro que é possível”, concluiu Sky Brown, que está atualmente no nono lugar do ranking mundial. As 12 primeiras classificadas do ranking na altura em que terminem as qualificações estão automaticamente apuradas para os Jogos Olímpicos. O primeiro dos muitos sonhos de Sky Brown está logo ali.