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A secretária de António Lacerda Sales deixa, desde logo, uma certeza.
Eu não fiz nada que o senhor secretário de Estado da Saúde não soubesse ou que não me tivesse pedido.
E por isso, mesmo não tendo colocado em cópia no e-mail enviado ao Hospital de Santa Maria para marcar a consulta, a antiga secretária Carla Silva assegura que o secretário de Estado estava a par de tudo.
Por norma, em qualquer contacto para as instituições, não se colocava o secretário de Estado, por regra, em CC, porque os contactos eram feitos só pelo secretariado ou pelo chefe do gabinete ou pelo gabinete de apoio. Portanto, acabei por não colocar. Mas isso não anula o fato do senhor secretário de Estado ter conhecimento, porque nós, a equipe de secretariado, não fazíamos nada sem que o chefe do gabinete ou o secretário de Estado tivesse conhecimento.
Carla Silva relata que este processo foi numa fase inicial do trabalho no gabinete e que não sabia que estava a cometer uma irregularidade.
Perante a ordem que eu recebi por parte do senhor secretário de Estado, nunca me passaria pela cabeça que, efetivamente, houvesse algum problema ou que houvesse alguma irregularidade.
Com as declarações contraditórias entre Lacerda Sales e a secretária, Carla Silva admite que está a ser um bode expiatório para a polêmica.
Levantar suspeições em relação a mim, que era secretária do gabinete, supostamente de confiança. Portanto, sim, possivelmente bode expiatório.
E depois do caso se ter tornado público, a secretária diz que Lacerda Sales tentou marcar um encontro que acabou por não acontecer.
Tinha horários muito complicados, porque estava num gabinete ministerial, e transmiti ao senhor, na altura, doutor António Lacerda Sales, que poderia falar com ele, mas seria no ministério em que eu poderia descer e depois falaríamos à porta do ministério.
E qual foi a resposta?
Disse que já não era necessário.
A audição à Carla Silva, sem recolha de imagens, apenas com áudio e muitas contradições face às declarações do antigo secretário de Estado adjunto e da Saúde.