Os jovens millennials não querem ser donos de nada, certo? E muito menos ser donos de uma casa que os “prenda” a um lugar, diz-se frequentemente. Ora, embora isso possa ser verdade para boa parte dos jovens em outros países, em Portugal essa descrição não parece corresponder à verdade, numa grande maioria dos casos. A avaliar por um inquérito feito pela Century21, os jovens portugueses continuam a evidenciar uma forte cultura de proprietário e têm a ambição de poder, num futuro próximo, poder comprar casa própria. Mas não está fácil.

No estudo “II Observatório do mercado da habitação em Portugal”, promovido pela consultora imobiliária Century21, foram inquiridos 800 jovens entre os 18 e os 34 anos, distribuídos por todo o país. As questões centraram-se nos desafios que os jovens sentem no acesso à habitação, mas uma das conclusões mais surpreendentes, quando se diz que as novas gerações não têm qualquer interesse em comprar casa (preferindo arrendar), é que quando se pede aos jovens que se imaginem dali a 5 a 8 anos, com um emprego, salário razoável e situação estável, uma enorme maioria — quase 88% — diz que gostaria de ser proprietário.

Fonte: Century21

No futuro, apenas 12,1% dos jovens se veem a habitar numa casa arrendada. E os dados demonstram que a aquisição de habitação supera sempre os 80%, em todas as faixas etárias e zonas do país. Só em Lisboa, a opção de arrendamento surge um pouco mais destacada mas, mesmo assim, não vai além dos 16%.

No mesmo horizonte temporal, mais de um terço (38,6%) dos jovens gostaria de viver numa zona periférica do centro da sua cidade, uma opção que reúne mais adeptos no segmento etário
a partir dos 30 anos (42,4%), nos mais jovens (39,2%) e nos homens.

A segunda opção mais ambicionada (26,2%) é o centro da cidade, diz a Century21. O indicador mais expressivo verifica-se nos jovens entre os 25 e 29 anos, com três em cada 10 a indicarem que pretendem viver no centro da cidade. Outro dado interessante é que após alguns anos, um quarto dos jovens pondera afastar-se do estilo de vida cosmopolita, já que 12,8% considera morar nos subúrbios, enquanto 12,5% mostra interesse em morar em zonas rurais.

E destaca-se o sonho de ter uma moradia, um desejo manifestado por 54,3% dos inquiridos. As alternativas são apartamentos em prédios (17,8%), apartamentos em condomínios fechados (13%), moradias geminadas/em banda (9,7%) e estúdios/lofts (5,1%).

Quando procuramos identificar as motivações da juventude atual face à habitação, constatam-se sinais muito claros dos mesmos valores que orientaram as gerações anteriores. Neste estudo, evidencia-se o desejo dos jovens de saírem de casa dos pais para viverem em casal, numa tendência que aumenta com a idade. Também se verifica que os jovens portugueses mantêm ainda uma forte cultura de proprietários, à semelhança do que se verificou na geração dos seus pais. Porém, o arrendamento já é uma opção desejada por um em cada quatro jovens no limiar da vida adulta”, diz Ricardo Sousa, presidente-executivo da Century21.

Para já, contudo, os jovens portugueses estão entre aqueles que, na Europa, demoram mais a emancipar-se, isto é, a sair da casa dos pais e a desenvolver uma vida independente — incluindo ter habitação própria. Segundo dados do Eurostat, citados pela Century21, mais de 40% dos jovens entre os 18 e os 34 anos ainda vivem em casa dos pais, porque são economicamente dependentes, e dos que estão emancipados, muitos não são totalmente independentes economicamente (têm ajudas dos pais ou beneficiam do rendimento de um parceiro). Mas também há 25% dos jovens que já têm uma relativa independência financeira mas que resistem a “abandonar” o ninho.

Segundo as conclusões do estudo da Century21, 40,7% dos jovens entre os 18 e 34 anos vivem em casa dos seus pais. E, olhando mais de perto para estes dados, 68,6% dos jovens que têm entre 18 e 24 anos ainda vivem na casa da família, bem como 32,1% dos que têm entre 24 e 29 anos e 18,8% dos que têm mais de 30 anos.

O inquérito da Century21 revela, também, que 78% dos jovens não gostam do sítio ou condições em que vivem, mas não têm capacidade para melhorar por falta de recursos económicos nesta fase. Oito em cada 10 jovens suportam algum tipo de despesa mensal com a habitação, sendo que o custo médio nacional suportado se fixa nos 348 euros. Mas só cerca de um terço dos jovens assume a totalidade dos custos da casa que habita. Já quatro em cada dez jovens partilha essas despesas com o seu parceiro, amigos ou recebe ajuda da família.

Fonte: Century21