Durante largos minutos, Sérgio Conceição foi um treinador satisfeito com a atuação da equipa. Sempre ativo no banco, é certo, mas a aplaudir e incentivar uma exibição com nuances táticas que iam resultando na perfeição, sobretudo tendo em conta a total inoperância do Portimonense em termos ofensivos. Depois, o semblante mudou. Ficou mais carregado. O técnico quase parecia não acreditar no que se estava a passar quando os algarvios empataram o encontro em três minutos e pior ficou quando Alex Telles foi expulso, altura em que se sentou ao lado do adjunto Vítor Bruno para perceber se haveria alguma coisa ainda possível de fazer para evitar perder mais dois pontos. O FC Porto, do relvado ao banco, era uma equipa entregue ao seu estado emocional que proporcionou uma autêntica explosão quando Marcano, nos descontos, apontou o 3-2 final.

Em condições normais, o ambiente entre os azuis e brancos deveria ser de sorrisos e alívio perante um triunfo arrancado a ferros no derradeiro minuto de descontos mas nem por isso Sérgio Conceição acalmou e teve até um episódio mais tenso com Nakajima, avançado japonês lançado em campo no lugar de Luis Díaz quando o FC Porto ganhava por 2-0: após ter chamado o internacional duas vezes, o técnico agarrou mesmo na camisola do jogador e deu um autêntico “raspanete” no número 10, sendo mesmo desviado daquela zona do relvado por Corona e Otávio, quase que pedindo calma ao timoneiro perante o colega de equipa. Entre os nervos à flor da pele, sobrou o triunfo – neste caso histórico até para o próprio treinador, que igualou as três vitórias em Portimão num registo que pertencia apenas à referência do clube, José Maria Pedroto.

Mais calmo, o treinador dos azuis e brancos analisou a partida fazendo um mea culpa em relação ao rumo que um triunfo anunciado acabou por ter, assumindo que podia ter gerido os acontecimentos de outra forma.

“A equipa foi decisiva, não foi o Marcano. Pelo que fizemos, a vitória foi mais do que justa. Tivemos muitas ocasiões, podíamos ter fechado quando devíamos ter conseguido isso na segunda parte, até mesmo no primeiro tempo tivemos oportunidades e podíamos ter concluído melhor. Estava o jogo controlado, acho que o Portimonense não tinha chegado à baliza e de um momento para o outro o jogo mudou. Às vezes o treinador está no banco e complica o jogo, hoje eu compliquei. Quem entende de futebol entende o que quero dizer. Às vezes o treinador está para ajudar a equipa e compliquei”, assumiu na flash interview.

“Ao contrário do que muita gente bitaitou, como dizia o Hernâni Gonçalves, há muitos bitaites Viu-se as dificuldades que tivemos frente a um Portimonense com muita alma e a tentar contrariar o FC Porto. Encontrou um FC Porto forte. Hoje não era um jogo para fazer gestão, nenhum é. Meto sempre o melhor onze dentro daquilo que quero e em função também do adversário. O Romário estava tocado, o Zé Luís conseguiu recuperar, mas tínhamos quatro jogadores com algumas dificuldades. Arriscámos porque sabíamos da dificuldade deste jogo e da importância dos três pontos”, acrescentou depois, perante uma questão sobre a ausência do internacional Sub-21 e a estreia na Liga Europa na quinta-feira, com o Young Boys.

Explicações, essas, só não surgiram sobre o momento de maior tensão com Nakajima já depois do apito final. “São conversas nossas”, atirou de forma resumida, sem explicar o que teria motivado a reação com o japonês ou se teria como justificação o golo apontado pelo também nipónico Anzai, lateral que deveria ter por perto o internacional asiático nesse lance.