Marcano, o melhor psicólogo para a equipa que procura o ataque de nervos (a crónica do Portimonense-FC Porto)

FC Porto entrou dominador, secou Portimonense, podia estar a golear mas deixou-se empatar e viu Alex Telles ser expulso. O (des)equilíbrio emocional é um problema, o psicólogo Marcano a solução (3-2).

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Marcano marcou o golo decisivo aos 90+8' e lançou a confusão nas bancadas entre a euforia pelos festejos de mais uma vitória

LUSA

Marcano marcou o golo decisivo aos 90+8' e lançou a confusão nas bancadas entre a euforia pelos festejos de mais uma vitória

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A primeira paragem para compromissos das seleções em cada temporada faz com que o regresso às competições nacionais mais pareça uma espécie de segundo início de Campeonato – aliás, basta ver o exemplo do Real Madrid para se ver isso, com o novo guarda-redes Areola a ser apresentado na véspera do encontro frente ao Levante, tudo no dia em que a notícia foi (ainda) essa possibilidade de Eriksen rumar ainda esta temporada ao Santiago Bernabéu. Foi por isso que, na antecâmara da deslocação ao Algarve para defrontar o Portimonense, ainda tocou também nessa parte do mercado, mostrando a sua satisfação por não ter saído mais ninguém entre os elementos habitualmente titulares apesar de ter havido propostas para isso.

“Estas pausas já estão estipuladas desde o início da época. Antecipadamente, sabemos e percebemos o que temos que fazer e como trabalhar. Aproveitámos para a observação de jovens e isso é importante. Trabalhamos com a formação e com os que ficam, que não são muitos. Isso é um aspeto positivo para o FC Porto, que está habituado a ter jogadores nas seleções. Ouvi esta semana Jaime Pacheco, que ouço sempre com agrado, dizer que os treinadores se queixam de seleções, mas é bom bom é ter jogadores na seleção. Estou completamente de acordo com ele. As equipas grandes têm essa particularidade, mas estes jogadores fazem uma quantidade de quilómetros e isso que pode interferir”, referiu, prosseguindo: “Estávamos sujeitos a saídas, houve abordagens a alguns jogadores mas fiquei contente por toda a gente ficar e poder trabalhar até janeiro com tranquilidade”.

Assim ficou o plantel azul e branco, mesmo depois da eliminação da fase de grupos da Liga dos Campeões. Com alguns elementos novos e antigos que constituem a base do modelo de jogo do FC Porto. Com Corona, que desde que assumiu a posição de lateral direito colocou os dragões a fazerem mais de 40% dos ataques por esse corredor. Com Alex Telles, que cumpria este domingo o jogo 150 pelos azuis e brancos (100.º no Campeonato) com uma fiabilidade à prova de bala. Com Danilo, que continua a assumir um papel determinante na transição defensiva da equipa num aspeto mais importante tendo uma dupla veterana nas costas. Com Uribe, o candidato natural a assumir a batuta do jogo a meio-campo que era no passado de Herrera. Com Marega, o avançado que faz a diferença em todos os jogos pela explosão e capacidade de explorar a profundidade nas costas da defesa contrária. Depois, há Marcano – o espanhol que é remédio santo para o grande problema da equipa nesta fase da temporada.

Durante quase 75 minutos, o FC Porto dominou por completo o Portimonense. Em todos os aspetos: por um lado, condicionou de tal forma o futebol marcadamente ofensivo dos algarvios de tal forma que não concedeu sequer a oportunidade de haver um tiro à baliza de Marchesín nesse período; por outro, conseguiu sempre encontrar soluções no plano ofensivo para criar oportunidades em catadupa que só não deram goleada antes pelo excesso de pontaria aos postes. Por aqui, os dragões foram aquela equipa com a dinâmica criada desde a chegada de Sérgio Conceição. No entanto, e naquele que é o calcanhar de Aquiles dos azuis e brancos, basta um pequeno contratempo para a equipa abanar, abandonar referências e ficar perdida em campo. Foi assim que os algarvios empataram o jogo e estiveram até perto da reviravolta, antes do golo milagroso nos descontos de Marcano (aquele jogador que pode acontecer tudo mas nunca perde a pose serena em campo) que fez o 3-2 final para os dragões.

Apesar de todas as dúvidas em relação às opções iniciais pelos pequenos problemas físicos que continuam a assolar quatro dos habituais titulares azuis e brancos, apenas Romário Baró acabou por não entrar na ficha de jogo. Para o seu lugar, entrou o nome mais provável: Otávio. Com isso, e pelas características do brasileiro, tudo apontava para que houvesse mais Uribe na construção, mais Marega pelo corredor central e mais exploração dos passes longos em profundidade. Tudo confirmado. Com um outro dado que acabou por fazer toda a diferença – a pressão mais alta das unidades mais ofensivas, que “levavam” Danilo e Uribe para zonas mais adiantadas. Foi assim, sem bola, que os dragões condicionaram o Portimonense e tomaram conta do jogo.

Com Marchesín a ser pouco mais do que um espetador que de quando em vez saía da sua área para controlar os passes longos dos algarvios ou afastar a bola da zona de perigo, o FC Porto teve uma primeira tentativa por Marega logo no terceiro minuto e foi desde início agarrando no controlo dos acontecimentos, criando ainda antes do primeiro quarto de hora a melhor oportunidade para inaugurar o marcador com o remate de Luis Díaz a acertar no poste da baliza de Ricardo Ferreira (13′). Nem sempre o passe foi o melhor, nem sempre o critério teve a escolha ideal mas o acerco à baliza do Portimonense partindo dos corredores laterais para dentro dava ideia de que o golo era uma questão de tempo. Assim foi, de grande penalidade.

No seguimento de uma grande penalidade “sacada” por Otávio, ao fazer a diagonal da direita para a esquerda até cruzar para o corte com o braço no relvado de Jadson, Alex Telles inaugurou o marcador pouco depois do meio da primeira parte (25′) e colocou ainda mais o FC Porto na sua zona de conforto, que não se tornou maior por mero acaso quando Danilo, ao segundo poste, tentou um golo com nota artística de peito após cruzamento de Zé Luís da direita e acertou no poste (27′). Também nesta fase, mais do que os momentos com bola, os dragões faziam a diferença nos movimentos sem ela que conseguiam desposicionar a defesa contrária e bloquear a primeira fase de construção do conjunto de Folha, sem argumentos para reagir.

Sem um único remate feito à baliza de Marchesín, o Portimonense “pedia” o intervalo para reorganizar peças, ganhar algum jogo entre linhas e desfazer o sentido único que o encontro foi ganhando de forma natural mas, ainda na primeira parte, as contas ficariam de vez desequilibradas: aproveitando mais um movimento de dentro para fora sem acompanhamento de qualquer adversário, Uribe encontrou espaço na direita para cruzar largo ao segundo poste, onde apareceu Zé Luís a fazer o 2-0 (45′) já depois de ter visto Ricardo Ferreira negar o golo num bom trabalho individual na área com remate de pé direito (38′). Sem ter forçado o ritmo ou o andamento da partida, o FC Porto tinha a vitória na mão até mais pelo que nunca deixou os algarvios fazerem do que propriamente pelo que foi conseguindo fazer – que, com Otávio em destaque, foi o que quis, quando quis.

Nas primeiras quatro jornadas do Campeonato, o Portimonense tinha uma média superior a sete remates no primeiro tempo: cinco com o Moreirense, sete com o Tondela, nove com Belenenses SAD e Sporting. E nem as alterações posicionais durante o intervalo alteraram esse dado, sendo de novo o FC Porto a criar perigo na área contrário quando Marega, aproveitando o arrastamento dos centrais por Zé Luís, surgiu em boa posição na área para mais uma defesa apertada de Ricardo Ferreira (52′). Mais tarde, num lance que voltou a demonstrar bem a diferença que a mobilidade e as movimentações sem bola conseguiam fazer, Danilo surgiu de trás em boa posição na área mas o remate foi desviado por Jadson para canto (63′).

Tudo apontava para uma vitória tranquila, o FC Porto tirou o pé do acelerador e bastou um contratempo para colocar-se a jeito de perder mais pontos no Campeonato: depois do golo de Dener na sequência de uma jogada de insistência onde a defesa portista foi passiva na forma como não acompanhou o seguimento do lance no flanco oposto, Anzai conseguiu mesmo empatar com um grande remate de fora da área e até foi o Portimonense a ter a oportunidade de consumar a reviravolta num tiro que saiu fraco ao já desgastado Jackson Martínez antes de Alex Telles ser expulso por falta sobre Marlos quando o avançado seguia isolado para a área. Depois, nos descontos dos descontos, Marcano conseguiu ainda o 3-2 na sequência de um canto. Se esse conceito existe em futebol, o FC Porto ganhou com justiça. Mas ia percebendo de forma injusta o que tem de melhorar a breve prazo…

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