A maior parte da evolução humana deu-se em ecossistemas muito diferentes dos atuais, pelo que, para perceber como o ambiente moldou o Homem, é preciso primeiro entender essa diferença, indica um estudo esta segunda-feira divulgado.

Para se entenderem as pressões ambientais que moldaram a evolução humana, os cientistas têm primeiro de reunir detalhes sobre antigas comunidades de plantas e animais em que os antepassados humanos viveram. Como é difícil recriar ecossistemas de sete milhões de anos, os cientistas fazem analogias com os ecossistemas africanos atuais, algo que o estudo questiona.

Liderada pela Universidade de Utah, a investigação, publicada na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”, dos Estados Unidos, sugere que a maior parte da evolução humana ocorreu em ecossistemas diferentes dos encontrados hoje.

O trabalho envolveu a análise de dados de mais de 200 comunidades de mamíferos africanos atuais e mais de 100 comunidades fósseis dos últimos sete milhões de anos na África Oriental, num período que abrange toda a evolução humana.

De acordo com os investigadores há milhares de anos as comunidades de mamíferos eram muito diferentes das atuais, havendo, por exemplo, grande quantidade de grandes mamíferos. E também os padrões alimentares eram diferentes.

No último milhão de anos, as comunidades fósseis terão começado a mudar para padrões mais semelhantes aos atuais, segundo os autores, que sugerem que tal pode ter acontecido com a expansão das pastagens e mudanças no clima.

Há muito tempo que a nossa área tenta identificar como é que as mudanças no ambiente influenciam a evolução humana, mas temos de ser capazes de reconstruir os ambientes passados logo em primeiro lugar”, disse o autor principal do estudo, Tyler Faith, curador de arqueologia do Museu de História Natural de Utah.

E acrescentou: “Se continuarmos a reconstruir ambientes antigos com base nos ecossistemas modernos africanos, provavelmente estaremos a perder um campo inteiro de possibilidades de saber como é que os antigos ecossistemas funcionavam”. Os investigadores notam que o ambiente era moldado pelo tipo de alimentação dos animais e pelo seu tamanho, sendo que os grandes herbívoros começaram a decair há 4,5 milhões de anos, até chegarem a uma distribuição mais parecida com a atual, há 700.000 anos.

Como os anteriores herbívoros comiam mais vegetação, havia menos combustível para incêndios florestais, e o fogo é um fator importante de modulação dos ecossistemas, exemplificam os investigadores.