A Google afirma que conseguiu atingir a “supremacia quântica” da computação, capaz de desempenhar tarefas que nenhum computador atual consegue resolver, anunciou a empresa num artigo publicado na revista científica Nature. O feito foi conseguido através do processador Sycamore e permitiu resolver em 200 segundos um cálculo que, num supercomputador, demoraria 10 mil anos a resolver.

“Computação quântica: soa a futuro, porque até recentemente era. Mas hoje estamos a assinalar um marco importante na investigação da computação quântica que abre novas possibilidades à tecnologia”,  escreveu Hartmut Neven, diretor de engenharia da equipa de inteligência artificial Quantum da Google, no blogue da empresa.

Ao contrário dos computadores tradicionais, este tipo de computação tem por base as propriedades da mecânica quântica e permite resolver problemas que seriam muito difíceis ou impossíveis de resolver num computador tradicional. A Google diz que o artigo publicado esta quarta-feira é “o resultado de anos de investigação e da dedicação de muitas pessoas”.

“Também é o início de uma nova jornada: descobrir como é que pomos esta tecnologia a funcionar. Estamos a trabalhar com a comunidade de investigação e temos ferramentas de código aberto para permitir que outras pessoas trabalhem connosco para identificar novas aplicações”, acrescentou.

Depois de a Google ter tornado o feito público, a rival IBM pronunciou-se — e não concorda. Num texto (também) publicado no blogue da empresa, os investigadores da IBM escreveram que o supercomputador do Laboratório Nacional de Oak Ridge poderia resolver o mesmo problema em 2,5 dias e não nos tal 10 mil anos que fazem com que este feito seja considerado “supremacia quântica”.

“Defendemos que uma simulação ideal desta mesma tarefa pode ser desempenhada num sistema clássico em 2,5 dias e com muito mais fidelidade. Esta é, na verdade, uma estimativa conservadora para aquele que pode ser o tempo mais demorado, e esperamos que, com mais melhorias, o custo base da simulação possa ser reduzido”, escreveram,

Os investigadores acrescentaram ainda que “a experiência da Google é uma excelente demonstração do progresso da computação quântica”, mas que “não deve ser visto como prova de que os computadores quânticos são ‘supremos’ em relação aos computadores clássicos”.

Sobre a reação da IBM, Sergio Boixo, da equipa da Google, disse que “é muito importante testar estas propostas em supercomputadores reais, porque as coisas nem sempre funcionam como o esperado, cita o The Guardian.

À mesma publicação, Christopher Monroe, físico na Universidade de Maryland e cofundador da startup de computação quântica IonQ, diz que o que a Google conseguiu foi um marco académico, mas que “provavelmente, o problema não vai ser usado para nada”. Steve Brierley, líder da empresa de software quântico Riverlane, sublinhou que se tratava de “uma conquista incrível”, que iria marcar a história da computação.

O termo “supremacia quântica” foi utilizado pelo físico John Preskill para determinar o ponto de viragem na história da computação, quando os computadores quânticos venceram máquinas mais tradicionais.