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Em direto no Jornal do Meio-Dia está a Liliana Reis, especialista em Relações Internacionais. Bom dia, Liliana. Este acordo anunciado por Donald Trump vai ao encontro das pretensões do presidente norte-americano?
Nós ainda não conhecemos o acordo definitivo, mas aquilo que foi anunciado, pelo próprio e pela Dinamarca, por Mette Frederiksen, aquilo que sublinhou é que cada um tenta capturar para si algum sucesso deste acordo. Pelo lado da Dinamarca, nós tínhamos aqui uma situação muito difícil, porque a Dinamarca não podia aceitar a anexação e não conseguia confrontar militarmente os Estados Unidos. Por outro lado, também precisava preservar a relação com a população da Gronelândia e assegurar simultaneamente a defesa do Ártico. Por outro lado, os Estados Unidos conseguem alargar aquele acordo que já existia desde 1951, que tinha sido atualizado em 2004 por George W. Bush. Nós não conseguimos ainda perceber se este alargamento da presença militar, que já existia há 75 anos, é algo mais do que isso, e se se trata efetivamente de um arranjo estratégico muito mais abrangente e potencialmente permanente, como disse Donald Trump. Neste momento, aquilo que já se pode concluir é que há uma expansão significativa da presença militar americana e na exclusão de adversários dos Estados Unidos de estabelecerem ali bases militares. Por isso, pode representar também uma tentativa por parte de Washington de criar uma espécie de arquitetura de segurança permanente, não apenas para a Gronelândia, mas sobretudo para o Ártico. E não deixa de ser curioso, e isto tem que ser também sublinhado, é que Ursula von der Leyen esteve na Gronelândia nos dias 6 e 7 de setembro. Todos estamos recordados que anunciou um investimento de 200 milhões de euros para reforçar a aliança estratégica da União Europeia com a Gronelândia e o desenvolvimento sustentável do Ártico. Esta semana tivemos o discurso do Estado da União, em que uma das principais conclusões do discurso foi efetivamente a aproximação da União Europeia ao Canadá e a redefinição desta aliança com o Canadá. Os Estados Unidos, três dias depois do discurso do Estado da União, vêm confirmar que quem tem capacidade é que realmente define os arranjos estratégicos ao nível da segurança e não quem faz discursos ou tem efetivamente um grau de ambição superior. E isso é que nos deve preocupar, sobretudo por parte da União Europeia.
Percebemos que a União Europeia não tem força suficiente?
Claramente. A União Europeia pode investir, pode financiar infraestruturas, pode cooperar com o Canadá em vários tipos de projetos, nomeadamente na cibersegurança e na investigação, mas depois quem é que garante efetivamente a dissuasão do Ártico e nomeadamente quem assegura o controle estratégico da Gronelândia? São os Estados Unidos.
Liliana Reis. Sim, conclua. Liliana Reis, muito obrigado por ter estado em direto conosco. Liliana Reis, especialista em Relações Internacionais, a analisar este acordo alcançado entre Estados Unidos, Dinamarca e Gronelândia para o controle norte-americano da segurança da ilha