“Estão prestes a entrar em Harry Potter: A Exposição!”

O anúncio é feito por um jovem feiticeiro depois de atravessada a primeira porta. Atrás de si, em cima de um banco, está o Chapéu Selecionador. É a ele que cabe dar as boas-vindas aos novos alunos da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts e, no Parque das Nações, em Lisboa, aos visitantes da exposição dedicada aos filmes da saga Harry Potter, que será inaugurada este sábado. Criada pela GES Events, em parceria com a Warner Bros. Consumer Products, a mostra ocupa 1.500 metros quadrados de uma tenda montada debaixo da Pala de Siza Vieira, junto ao Pavilhão de Portugal.

Há dez anos a viajar pelo mundo, Harry Potter: A Exposição chega esta semana ao seu destino final — Portugal. “Nunca tivemos uma estreia [dos filmes] em Portugal, mas sempre soubemos que os fãs portugueses eram dos mais entusiásticos. Ficámos contentes por saber que a exposição chegou agora a Portugal”, apontou James Phelps, ator que interpretou o papel de Fred Weasley nos filmes da saga, durante uma conferência de imprensa esta quinta-feira, na apresentação da exposição aos jornalistas. Sentado ao seu lado, o irmão, Oliver Phelps, falou do quão bom é ver os fãs, de olhos muito abertos, passear pelos vários núcleos, enquanto têm contacto com os mais de 400 adereços expostos, muitos deles usados nas gravações dos oito filmes.

Fred e o irmão gémeo, George, pertenciam, tal como todos os Weasley, aos Gryffindor, uma das quatro equipas da Escola de Hogwarts. E é precisamente pela Sala Comum da equipa e pelo dormitório dos rapazes, localizados numa das torres do castelo, que se entra nas várias áreas temáticas da exposição itinerante. Para lá chegar, é preciso apanhar o Expresso de Hogwarts, que todos os anos parte da Plataforma 9 ¾ da estação de King’s Cross, em Londres. O destino final é Hogsmead, a única aldeia no Reino Unido onde vivem apenas feiticeiros. A neve cai, enquanto os visitantes são guiados até à Sala Comum dos Gryffindor, onde a Dama Gorda, que guarda a entrada do espaço reservado, lhes diz olá com uma cantoria desafinada que, por mais que tente, não é suficiente para partir um copo de vidro. Os habitantes dos restantes quadros — que nos filmes têm vida própria — não parecem muito incomodados com as incursões musicais da Dama.

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Esta cena, que surge num dos filmes de Harry Potter, é uma das muitas que pode ser revistada ao longo da exposição, construída de forma a que os fãs possam recordar os seus momentos favoritos da saga, como afirmou Frank Torres durante a mesma conferência de imprensa, ao final da manhã desta quinta-feira. Antecipando o que os jornalistas estavam prestes a ver, Torres garantiu que iam estes “ficar surpresos e entusiasmados, sobretudo se forem fãs da saga”. O objetivo da mostra, explicou o diretor, é “levar os fãs a entrar o mais possível na história, de forma a recordarem os seus momentos favoritos dos filmes”. A experiência é imersiva, e isso consegue-se em parte com o uso de luzes e sons especiais. Até o cheiro da Floresta Proibida foi reproduzido.

Para quem cresceu a ler os livros de J.K Rowling ou a ver os filmes produzidos pela Warner Bros., visitar Harry Potter: A Exposição pode ser, assim, um ato de profunda nostalgia. O brasileiro Eduardo Lima, designer gráfico que tem trabalhado juntamente com Miraphora Mina em todos os filmes do universo Harry Potter, admitiu que ficou emocionado quando a viu pela primeira vez, lembrando-se do tempo que passou a trabalhar nos filmes, que perdeu “com cada adereço, com cada label”. “As lágrimas correram-me pela cara”, disse no Parque das Nações.

Dos óculos de Harry à varinha de Lord Voldemort: 400 objetos que contam a história de Harry Potter

Na Sala Comum dos Gryffindor, é possível encontrar o primeiro conjunto importante de adereços. Dentro de vitrinas, foram expostos alguns dos objetos pessoais de Harry Potter — os seus óculos redondos, o Mapa do Salteador, a carta de admissão em Hogwarts, assinada pela Professora MacGonagall — e de Ron Weasley — por exemplo, uma cópia do Semanário Seeker e o gritador que a mãe lhe enviou por ter roubado o carro voador do pai, um Ford Anglia azul claro, em Harry Potter e a Câmara dos Segredos. Os seus uniformes escolares, com o símbolo dos Gryffindor bordado no peito, foram colocados entre as suas camas de dossel, junto ao ovo dourado recuperado por Harry das garras do dragão Cauda-de-Chifre da Hungria durante o Torneio dos Três Feiticeiros, no quarto livro e filme da saga. Do lado oposto, é possível ver os uniformes e roupas informais de alguns dos seus colegas, como Hermione Granger, Neville Longbottom ou Luna Lovegood. Luna é a única que não pertence aos Gryffindor — é dos Ravenclaw.

O segundo núcleo da exposição é dedicado às diferentes disciplinas de Hogwarts, sendo possível reviver as aulas de Herbologia (e arrancar mandrágoras gritantes dos seus respetivos vasos), Adivinhação, Poções e Defesa contra a Magia Negra, com peças representativas dos muitos professores que passaram por esta última disciplina, uma posição que se dizia estar amaldiçoada. Gilderoy Lockhart, o mais vaidoso de todos eles, é o primeiro a surgir; Dolores Umbridge, a mais malvada de todos, é a última. A secretária onde torturou o “Rapaz que Sobreviveu”, o seu tailleur cor de rosa e os pratinhos com gatos que gostava de pendurar nas paredes do seu escritório  são alguns dos adereços que podem ser encontrados nesta secção da exposição, à qual se segue um espaço dedicado exclusivamente ao Quidditch, o desporto mais popular no mundo dos feiticeiros.

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Nesta zona, é possível atirar a Quaffle pelos aros e tentar marcar pontos. Além de imersiva, a exposição pretende ser interativa, contando com vários espaços onde os fãs podem desenvolver atividades relacionadas com os filmes. As capas da seleção da Irlanda, da Bulgária usada por Viktor Krum, de Madame Hooch, de Harry, Ron e Malfoy encontram-se em exposição também nesta zona da mostra internacional, juntamente com vassouras e objetos ligados à Taça do Mundo de Quidditch, a que os jovens feiticeiros assistem no início de Harry Potter e o Cálice de Fogo.

O núcleo central de Harry Potter: A Exposição é dedicado às forças do mal. Antes do encontro com Lord Voldemort e os seus fiéis seguidores, é possível visitar, na orla da Floresta Proibida, a cabana de Hagrid onde, além do seu cadeirão de pele, se encontra exposta a sua varinha, escondida sob uma sombrinha cor de rosa, e o ovo de dragão que o guardador dos campos de Hogwarts recebeu de Quirinius Quirrell. Logo a seguir, estão as roupas usadas por Harry, Ron e Hermione na reta final do terceiro filme, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, quando tentam salvar Buckbeack da morte às mãos de um carrasco cruel e Sirius Black de um destino ainda pior junto dos dementores. Uma réplica do hipogrifo foi também trazida para Lisboa, assim como uma da acromantula Aragog e do Cauda-de-Chifre da Hungria que Harry defrontou.

Na cabana de Hagrid, existe, entre muitos outros objetos, uma réplica do ovo de Norbert, o dragão (que, afinal, era uma Norberta)

Nem os dementores ficaram de fora. Um deles ocupa um lugar junto às fardas da prisão de Azkaban, uma delas pertencente a Bellatrix Lestrange. De Lestrange algumas das roupas presentes neste núcleo, colocadas junto à capa esvoaçante de Voldemort. Os horcruxes encontram-se dentro de uma vitrina logo à entrada da sala, onde é possível ver, entre muitos outros objetos, duas peças do tabuleiro de xadrez que Ron Weasley jogou em Harry Potter e a Pedra Filosofal. A pedra que pertencia ao alquimista Nicholas Flames também tem um lugar na exposição.

Depois das trevas, a luz — é no grande salão de Hogwarts que tudo termina, sob velas flutuantes e a luz que entra por uma grande janela gótica. Perto da saída que dá acesso à loja da exposição, repleta de cachecóis coloridos e varinhas mágicas de todas as formas e feitios, não muito longe da réplica de Fawkes, a fénix de Dumbledore, encontram-se os Talismãs da Morte — a Varinha de Sabugueiro, a Pedra da Ressurreição e o Manto da Invisibilidade, que Harry herdou do pai, James Potter. As capas de Albus Dumbledore e Minerva MacGonagal, professora de Transfiguração, também lá estão, vestidas em manequins virados para a espada de Godric Gryffindor, que brilha dentro de um mostrador embutido na parede, pronta para salvar os alunos da sua equipa que estão em apuros.

Um Dobby de olhos tristes esconde-se atrás do manequim com as roubas de Albus Dumbledore. Dá vontade de lhe atirar uma meia

Mais de 22 mil bilhetes vendidos. Exposição inaugura este sábado

Apesar de a produção ser internacional, foi a portuguesa Everything is New a responsável por trazer Harry Potter: A Exposição para Portugal. Esta não é a primeira mostra organizada pela promotora, mas é a primeira a ter uma “pré-venda tão forte”. De acordo com o diretor-geral, até esta quarta-feira, foram vendidos mais de 22 mil bilhetes. Álvaro Covões acredita que o número “é um bom presságio” para as semanas que se seguem até 8 de abril de 2020, quando a mostra, que inaugura este sábado, pelas 10h, fechará portas.

Esta sexta-feira, alguns fãs já poderão espreitar o interior da tenda montada debaixo da Pala de Siza, graças a um concurso lançado pela promotora no final de outubro que permitirá o acesso antecipado a 250 visitantes, que também terão a oportunidade de conhecer pessoalmente os gémeos James e Oliver Phelps. Para se habilitarem a estar com os gémeos Phelps, os fãs tiveram de encontrar três das seis réplicas gigantes de adereços dos filmes de Harry Potter, fotografá-las e partilhar as imagens no Instagram. Segundo Covões, houve “centenas e centenas” de participações, mas apenas 250 podiam ser selecionados. “Infelizmente ficou muita gente de fora”, disse ao Observador.

O diretor-geral da Everything is New diz-se fã de Harry Potter, mas garante que não é “groupie”. “Com esta profissão, se fosse groupie a coisa não ia dar certo. Não podemos ser muito emocionais. Temos de o ser, mas não podemos ser muito.” A vinda da mostra para Portugal insere-se antes na estratégia da promotora de criação de uma maior e mais diversificada oferta cultural em Lisboa e no país.

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“Desde que a empresa apareceu — foi fundada em 2007 — que nos propusemos sempre a ser inovadores. Começámos na altura com o Alive que, penso, continua a ser inovador e já tivemos vários outros projetos, como a Joana Vasconcelos no Palácio da Ajuda, em que juntámos arte e património. Tudo o que tem a ver com arte, cultura, entretenimento e bom gosto, estamos lá. Portanto, [a exposição dedicada a Harry Potter] faz parte da nossa área.” Além disso, Covões acredita que se trata de “um produto que valoriza o destino”. “Quem nos visita, tem um produto de primeira água, porque é isso que os turistas esperam. Não basta só falar em hóteis, no aeroporto. É preciso falar nos conteúdos, é preciso ter conteúdos”, afirmou.

Antes de chegar a Portugal, Harry Potter: A Exposição passou por cidades como Nova Iorque, Tóquio, Paris ou Amesterdão. Em todas elas teve uma afluência de várias centenas de milhares, e Álvaro Covões acredita que, em Lisboa, não será diferente.

Harry Potter: A Exposição estará patente junto ao Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, entre 16 de novembro e 8 de abril do próximo ano. Os bilhetes custam entre 12 a 19 euros e estão à venda nos locais habituais. A mostra vai estar aberta todos os dias da semana, entre as 10h às 19h (20h30 à sexta, sábado e domingo)