“Sabe, para os portugueses, Puigdemont parece um cobarde”, diz António Lobo Antunes em entrevista ao jornal La Vanguardia. E justifica-se: “Porque não entendemos que [ele] tenha fugido depois de comprometer tantas pessoas. Para defender ideais e mudar um país é preciso ficar, não ir”. Carles Puigdemont, ex-presidente da Generalitat, encontra-se exilado na Bélgica desde 2017, após a tentativa falhada de independência da Catalunha.

Em entrevista, o escritor português de 77 anos diz que atualmente, em Espanha, faltam líderes carismáticos capazes de unir ao invés de alimentar confrontos e tirar proveito deles. “Vocês tiveram líderes magníficos. Os portugueses admiravam Suárez (…) e que coragem teve Suárez no 23 de fevereiro frente aos golpistas”, afirmou ainda, referindo-se a Adolfo Suárez González, primeiro presidente democrático após a ditadura de Franco, e ao golpe falhado de 1981.

Ainda no campo político, António Lobo Antunes afirma que o pai, entre outros intelectuais portugueses, “quiseram recuperar a união com Espanha”. “Faria muito sentido que nos uníssemos todos. Que grande país ibérico seria!”

Questionado ainda sobre uma política portuguesa “menos agressiva”, Lobo Antunes recorda um encontro recente, ao contar que há pouco tempo quatro ex-presidentes da República jantaram na companhia do escritor. “Foi uma homenagem magnífica. Os meus amigos espanhóis, franceses e italianos disseram-me que nos seus países isso seria impensável.”