A deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, rejeitou esta terça-feira que o seu partido pretenda ser “um obstáculo” à aprovação do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), embora defendendo mais justiça social e ambiental, assim como mais reuniões à esquerda.

“Não há uma intenção imediata de constituirmos um obstáculo, mas iremos defender absolutamente todos os valores da justiça social. Não há uma correlação imediata entre necessitarmos, hoje em dia, de sermos muito mais exigentes, com uma eventual rejeição do atual orçamento. Iremos analisar, geralmente, qual o impacto das medidas do executivo na melhoria do emprego, no aumento do salário mínimo nacional, no investimento, no combate às alterações climáticas e no mercado do arrendamento, etc. Não iremos analisar individualmente. Se considerarmos que vale a pena investirmos nisto e apoiarmos, obviamente que o faremos”, disse.

Joacine Moreira respondia a perguntas dos jornalistas após uma audiência no Palácio de Belém com o Presidente da República sobre do OE2020, cuja proposta governamental foi entregue na segunda-feira na Assembleia da República.

“É um orçamento que já se começou a ouvir que é único e maravilhoso e por aí fora? É isto mesmo que iremos confirmar. Se é um orçamento que dá resposta às questões ambientais. Qual é o orçamento exatamente para o combate às alterações climáticas. Igualmente, se é um orçamento que dá resposta às necessidades de justiça social”, continuou, acrescentando que “esta legislatura tem exatamente a responsabilidade de recompensar todos os sacrifícios que foram exigidos aos contribuintes”.

Um dos elementos do Grupo de Contacto (direção) do Livre, Pedro Mendonça, ladeado ainda pelos dirigentes Patrícia Gonçalves e Eduardo Viana, afirmou que “o Livre tem consciência das suas responsabilidades e das necessidades do país, mas também” de que existe agora “uma maior maioria de esquerda social em Portugal”.

“Por isso mesmo, nunca nos passará pela cabeça que este primeiro orçamento, neste primeiro ano de legislatura, seja um orçamento de remendos. Tem de ser ambicioso, progressista, de esquerda e ambientalista. Também temos consciência de que somos um pequeno partido ao pé dos partidos tradicionais da esquerda. Por isso mesmo, anunciamos hoje que iremos pedir reuniões com o PS, BE, PCP e “Os Verdes” para vermos pontos em comum para que todos, juntos, os da esquerda, tenhamos a responsabilidade conjunta de o Governo minoritário do PS poder, na especialidade, aprovar um orçamento progressista e de esquerda”, disse.

O dirigente do partido da papoila sublinhou ainda que, ao contrário da anterior legislatura — em que existiam acordos e havia uma pré-negociação dos orçamentos —, atualmente, “será na especialidade que serão feitas as negociações mais minuciosas e mais importantes”.

“Somos um partido colegial. Esta semana já temos grupos de trabalho a fazer a análise na sua minúcia, vamos ter também Assembleia (órgão dirigente alargado entre convenções). Não podemos dizer agora ‘sim’, ‘não’ ou ‘talvez’, sem termos analisado”, concluiu.