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Corona é bom de se assoar mesmo quando a equipa aVARia (a crónica do V. Guimarães-FC Porto)

V. Guimarães teve jogo na mão mas ofereceu-o 80 segundos depois ao FC Porto antes de Corona servir de bandeja mais uma assistência que colocou dragões na final da Taça da Liga com VAR à mistura (2-1).

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Soares completou a reviravolta do FC Porto em menos de dez minutos na meia-final da Taça da Liga frente ao V. Guimarães

Getty Images

Soares completou a reviravolta do FC Porto em menos de dez minutos na meia-final da Taça da Liga frente ao V. Guimarães

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“Não tenho de comentar críticas dos adeptos. Não comento até porque, quando cheguei aqui, o FC Porto tinha quatro anos em que não ganhou nada e normalmente as expetativas são baixas, aí a exigência acaba por baixar. Quando se consegue levantar o FC Porto, acabar com a hegemonia do Benfica, quando se ganha um Campeonato, a exigência começa a aumentar. Como sou um homem do futebol, gosto da pressão, gosto disto. Se vou comentar essas opiniões todas não me foco no mais importante que é fazer com que os adeptos não voltem a criticar. Quando ganho batem palmas, quando perco assobiam e mostram lenços. Os lenços brancos, utilizo-os para me assoar ou para limpar o suor do trabalho aqui, todos os dias. Isso não me pode condicionar no trabalho”.

Sérgio Conceição costuma ser muito direto nas abordagens que tem aos mais diversos assuntos antes e/ou depois dos jogos mas no lançamento deixou nas entrelinhas uma questão que para bom entendedor era fácil entender: a gratidão ou a falta dela. A reação após a derrota do Sp. Braga, também ela apelidada de ingrata pelo treinador dos azuis e brancos, não caiu da melhor forma junto de um grupo que sentiu ter dado tudo até ao limite num encontro atípico em que foram falhadas duas grandes penalidades – e com o técnico à cabeça dessa incompreensão. Por isso, a meia-final da Taça da Liga frente ao V. Guimarães era também um teste à capacidade de reação da equipa que, após ter estado em desvantagem na segunda parte, conseguiu fazer a reviravolta em dez minutos (2-1).

Soares, que marcou pelo nono jogo consecutivo como titular, foi de novo a figura em foco a par de Diogo Costa, o jovem guarda-redes que voltou a ser aposta e que esteve envolvido num lance que daria nos descontos o empate aos vimaranenses antes de ser anulado por ação do vídeo-árbitro (e confirmação de Jorge Sousa). No entanto, o MVP da partida foi o do costume: Corona. Que começou por dar profundidade ao flanco direito como lateral, que foi o fator de desequilíbrio como ala e que já superou o número recorde de assistências numa época (13). Usando a analogia de Sérgio Conceição, o mexicano continua a ser bom de se assoar nos momentos em que a equipa mais precisa e até naqueles em que, com uma final na mão, aVARia e permite que o adversário ande perto do empate.

Ficha de jogo

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V. Guimarães-FC Porto, 1-2

Meia-final da Taça da Liga

Estádio Municipal de Braga

Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto)

V. Guimarães: Douglas; Victor García (Rochinha, 83′), Tapsoba, Pedro Henrique, Florent; Pêpê, André André (Poha, 71′), Lucas Evangelista (João Pedro, 77′); Marcus Edwards, Davidson e Bonatini

Suplentes não utilizados: Miguel Silva, Frederico Venâncio, Rafa Soares e João Carlos Teixeira

Treinador: Ivo Vieira

FC Porto: Diogo Costa; Corona, Mbemba, Marcano, Alex Telles; Sérgio Oliveira, Uribe (Wilson Manafá, 68′); Otávio (Vítor Ferreira, 86′), Luis Díaz; Marega (Romário Baró, 77′) e Soares

Suplentes não utilizados: Marchesín, Diogo Leite, Aboubakar e Fábio Silva

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Tapsoba (65′, g.p.), Alex Telles (66′) e Soares (75′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Corona (29′), Marcano (70′), Luis Díaz (88) e Pêpê (90+3′)

O encontro começou com um encaixe quase perfeito em termos táticos e um zero redondo de oportunidades nos 20 minutos iniciais. Lucas Evangelista, um gigante a meio-campo no arranque a ganhar duelos atrás de duelos, teve um papel importante no condicionamento da construção dos azuis e brancos pelo corredor central mas também Sérgio Oliveira teve grandes dificuldades em dominar uma zona que tinha sido apontada como um calcanhar de Aquiles na derrota com o Sp. Braga e não melhorou muito com a troca por Danilo (que nem nos 18 entrou). Assim, a única nota de registo foi mesmo o arremesso de tochas por parte dos adeptos vimaranenses que levou à curta interrupção da partida e que parece estar a tornar-se moda nos estádios portugueses nas últimas semanas.

Foi preciso esperar até ao 20.º minuto do encontro para ver um remate enquadrado e outro com perigo: primeiro foi Douglas a desviar bem um remate de Marega na área descaído sobre o lado direito e depois, no seguimento, Uribe a rematar perto da trave da baliza dos minhotos. O primeiro sinal de perigo dos azuis e brancos estava dado mas não teria propriamente a cadência desejada: enquanto o V. Guimarães vivia muito à base das iniciativas de Marcus Edwards quando chegava ao último terço, os dragões mantinham os problemas em fazer chegar a bola às zonas de finalização e foi através de um remate de fora da área do maliano após um lance confuso e com ressaltos pelo meio que surgiu a segunda tentativa enquadrada, com defesa de Douglas para canto (33′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do V. Guimarães-FC Porto em vídeo]

O intervalo chegaria mesmo com o nulo mas não sem antes as duas equipas repartirem oportunidades entre si, no caso dos vimaranenses a primeira mais flagrante do encontro: já depois de um cabeceamento de Mbemba após livre lateral bem travado por Douglas (42′), Davidson aproveitou uma segunda bola que sobrou para a zona de tiro mas o remate forte acabou por sair por cima da baliza de Diogo Costa, sem defesas na primeira parte (45+1′).

Mesmo sem alteração de jogadores, a segunda parte começou de forma diferente e com os reposicionamentos feitos por Ivo Vieira a surtirem efeito: o V. Guimarães ganhou o meio-campo, passou a ter muito mais posse e ameaçou a baliza do FC Porto por Bonatini, avançado que teve poucas oportunidades para se mostrar entre Mbemba e Marcano (56′). Quase como “prémio” por essa entrada que deixou os dragões em dificuldades para reentrar na partida, os minhotos conseguiram chegar à vantagem através de uma grande penalidade por falta de Soares sobre Bonatini que motivou protestos dos azuis e brancos mas que foi convertida de forma irrepreensível pelo central Tapsoba, defesa goleador que leva já um total de oito golos na presente temporada (65′).

Os vimaranenses, que tentavam a primeira final de sempre da Taça da Liga, tinham feito aquilo que à partida era o mais complicado mas demoraram apenas 80 segundos a facilitar em demasia a tarefa de recuperação do FC Porto: num lance com várias falhas de posicionamento e onde ninguém conseguiu evitar que a segunda bola caísse para os azuis e brancos, Alex Telles fez o empate com um grande remate em arco de pé esquerdo de fora da área que deixou Douglas a tentar desviar a bola com os olhos (66′). O encontro estava de novo empatado mas com os dragões num estado anímico diferente que aproveitariam da melhor forma já com Corona como ala, tendo Wilson Manafá no apoio como lateral: lançamento em profundidade do mexicano, velocidade de ponta a não permitir que Florent fizesse o corte para canto e assistência para o toque final de Soares a fazer a reviravolta (75′).

O FC Porto tentou depois fazer a gestão possível dos acontecimentos, não tendo a capacidade para chegar à frente e “matar” o encontro mas reforçando o corredor central para tentar congelar o jogo e não sofrer o empate, cenário que esteve próximo no quarto minuto de descontos quando João Pedro chegou a rematar para a baliza deserta antes de Jorge Sousa receber a indicação do VAR de falta sobre Diogo Costa e confirmar depois nos ecrãs no relvado. Sérgio Conceição, após ouvir o apito final, deu um prolongado abraço ao jovem guarda-redes, muito confortado por todos os companheiros. Mas esse gesto poderia ser alargado a Corona, que nos últimos sete jogos fez assistências para golo em seis e empurrou os dragões para a quarta final da Taça da Liga na história (ainda em vitórias).

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