O jogo ainda não tinha começado e Jorge Jesus já era o protagonista: junto à linha técnica, gritava e gesticulava para alinhar a defesa como se estivesse a meio de uma final da Liga dos Campeões. O resultado, à partida, foi o esperado — mas aos 87 minutos, a ganhar por 1-5, o treinador ainda pedia mais golos. O Benfica goleou o Famalicão na jornada inaugural da Primeira Liga, afastou da melhor maneira a memória da eliminação europeia frente ao PAOK e conquistou os três pontos rumo ao objetivo da reconquista do título.

Um Cebolinha que pica, faz o refogado e ainda coloca na mesa (a crónica do Famalicão-Benfica)

Waldschmidt bisou, Everton Cebolinha também se estreou a marcar, Rafa fez o segundo golo em dois jogos e Grimaldo converteu um livre direto de forma exímia. Pelo meio, e mesmo sem marcar, Darwin foi titular pela primeira vez, ofereceu um golo e teve um papel preponderante na mobilidade ofensiva do Benfica. Já André Almeida voltou a assistir, depois de também o ter feito contra o PAOK, e Diogo Gonçalves regressou aos jogos oficiais pela equipa principal dos encarnados mais de dois anos depois — e logo em Famalicão, onde esteve na temporada passada.

Certo é que o Benfica entrou na Liga a vencer pelo sétimo consecutivo, goleou na primeira jornada pelo segundo ano seguido (em 2019 foi contra o P. Ferreira, 5-0) e voltou a marcar cinco golos num único jogo — algo que não acontecia precisamente desde a primeira jornada da época passada, contra o P. Ferreira. Mais longínquo estava o último registo de cinco golos fora da Luz, em 2017/18, data de uma goleada em Tondela (1-5).

Na flash interview, Jorge Jesus explicou que o “mais importante” era vencer mas que é “melhor ainda” vencer e convencer. “É verdade que hoje a equipa, face ao nosso rival, foi muito melhor e traduzimos isso em golos. Fomos mais eficazes do que no último jogo, onde fizemos mais remates. O Famalicão não teve muitas chances, fez um golo e atirou uma vez ao poste em duas boas jogadas. Não gostei quando sofremos golo, não gosto de sofrer golos, só quando é mérito do adversário”, disse o treinador português. Sobre a titularidade de Darwin e Waldschmidt, Jesus lembrou que são dois jogadores com “características diferentes” das de Vinícius e Seferovic.

“Sabem ganhar o espaço com alguma dinâmica e tivemos hoje o Gabriel que foi mais intenso que o Weigl. As substituições podiam ter ajudado mais na intensidade da equipa. Entrámos bem, com uma goleada, que não era o nosso objetivo, mas sim os três pontos. Ter avançados que soubessem puxar o jogo, uma equipa que pudesse entrar fresca, uma última linha com alguma mais estabilidade. O Vertonghen esteve uma semana na seleção, o Rúben [Dias] duas semanas, por isso estive duas semanas sem os centrais. A equipa vai melhorar”, garantiu Jesus, que explicou depois que tirou Grimaldo porque o lateral espanhol recuperou recentemente de uma lesão.

Mais tarde, já na conferência de imprensa, o treinador comentou a Operação Lex, onde Luís Filipe Vieira foi esta sexta-feira constituído arguido. “Nós, nesta casa, estamos solidários com o presidente e todos nós sofremos com ele aquilo que ele e a família, ele e os amigos dele, possam estar neste momento a sofrer. Nós acreditamos nele, estamos com ele, esta vitória é do grupo e toda para ele”, concluiu Jorge Jesus.

Vieira reage a Operação Lex: “Esta acusação não é nada”