A Justiça do Equador ordenou na quarta-feira a detenção do ex-presidente Rafael Correa, que vive na Bélgica, após a sua condenação a oito anos de prisão por corrupção, anunciou esta quinta-feira o tribunal que confirmou a sentença.

A decisão inclui a probição vitalícia de exercer cargos públicos, pondo fim às esperanças do antigo chefe de Estado de se candidatar à vice-presidência do país nas eleições de fevereiro de 2021. O tribunal ordenou igualmente ao Ministério das Finanças que suspenda o pagamento de 4.200 dólares mensais (3.600 euros) atribuídos a Rafael Correa enquanto ex-presidente e informou o Conselho Nacional de Eleições (CNE) da privação de direitos políticos do antigo chefe de Estado. O ex-presidente equatoriano (2007-2017), exilado na Bélgica desde 2017, tinha apresentado a sua candidatura ao CNE, que deverá validar as candidaturas apresentadas até 7 de Outubro.

O Supremo Tribunal do Equador confirmou em 7 de setembro a condenação à revelia do ex-presidente e a perda de direitos políticos por 25 anos, pronunciada por um tribunal de primeira instância em abril, e confirmada em segunda instância em meados de julho.

A sentença acusava Correa de ter liderado uma rede de corrupção entre 2012 e 2016 através da qual recebeu “contribuições indevidas”, quando ocupava o palácio presidencial, para o financiamento ilegal do seu movimento político Aliança País (esquerda), em troca da adjudicação de contratos milionários do Estado a várias empresas, incluindo o grupo brasileiro Odebrecht. Rafael Correa está também a ser investigado pelo rapto na Colômbia, em 2012, do líder da oposição Fernando Balda, mas a lei equatoriana não permite neste caso o julgamento à revelia.

O ex-Presidente ficou conhecido internacionalmente quando concedeu asilo diplomático ao fundador do Wikileaks, Julian Assange, que se refugiou na embaixada do Equador em Londres em junho de 2012 para evitar a extradição para a Suécia, onde foi acusado de violação e agressão sexual.

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