A presidente do Conselho de Administração da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, Isabel Soares, assinalou esta quinta-feira que a instituição esteve “um bocadinho adormecida”, mas vai ter “uma nova dinâmica” neste “novo ciclo”.

A fundação, rebatizada em agosto, apresentou esta quinta-feira o plano estratégico até 2025 e, na cerimónia, Isabel Soares, filha do antigo Presidente da República e fundador do PS, afirmou que a instituição “cumpriu a sua missão”, mas “esteve um bocadinho adormecida” nos últimos tempos.

Isabel Soares realçou a “renovação” que a fundação sofreu, contando desde novembro com novos órgãos sociais e novos projetos, e destacou que este é o “início de um novo ciclo”. “Esta é uma nova fundação, com uma nova dinâmica”, prosseguiu, destacando que o património da Fundação Mário Soares e Maria Barroso “é do país” e vai estar disponível para consulta.

A apresentação do plano de ação até 2025 coube à historiadora e antiga secretária de Estado Fernanda Rollo, que integra o novo Conselho de Administração.

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A dirigente sublinhou que a missão da fundação passa pela “promoção de uma cultura cívica e democrática inspirada da vida e no legado” de Mário Soares e Maria de Jesus Barroso, a par da “preservação e divulgação da memória histórica e herança cultural de Portugal contemporâneo”.

De acordo com Fernanda Rollo, os pilares de atuação da instituição vão passar pela dinamização da fundação, do arquivo e da biblioteca, bem como da Casa-Museu João Soares, pela valorização dos espólios de Mário Soares e Maria Barroso, e também pela valorização da “cultura democrática e cívica” e de uma “sociedade de humanismo”.

A fundação vai apostar também na disponibilização de conhecimento através de plataformas digitais e numa aproximação ao setor académico, para facilitar o acesso da informação às novas gerações, indicou a professora universitária.

Fernanda Rollo afirmou que será promovida a abertura à sociedade do Arquivo Mário Soares, como forma de promover o estudo sobre a vida, ação e o legado do fundador do antigo primeiro-ministro e Presidente da República, e haverá uma aposta em tornar a fundação numa instituição de referência e em ampliar as redes e parcerias institucionais, sem descurar a garantia da sustentabilidade financeira do projeto. A fundação terá ainda programas dedicados ao centenário dos dois patronos e ao 50.º aniversário do 25 de Abril.

Numa mensagem de vídeo transmitida na ocasião, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias considerou que Mário Soares demonstrou ao longo da sua vida um “profundo patriotismo convictamente europeu” e assinalou que o seu “pensamento estratégico será um marco” na Presidência do Conselho União Europeia, que Portugal assume no primeiro semestre do próximo ano.

O encerramento na cerimónia coube ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, que elogiou o acrescento do nome de Maria Barroso à designação da fundação, classificando esta “pequena extraordinária mudança” como um gesto “tão genial”.

Medina destacou o papel que a fundação pode ter na batalha contra movimentos políticos extremistas e indicou que a Câmara de Lisboa assegurará “apoio financeiro às atividades da fundação Mário Soares, porque é essencial à cidade”. Este financiamento será garantido “numa base assumida, transparente, clara, plurianual”.

Um dos primeiros projetos será a Biblioteca Mário Soares, que o autarca espera que se possa tornar um “espaço da cidade 24 horas, onde todos os jovens possam estudar, ver, consultar, divertir-se, conversar, conspirar, porque não, honrando o espaço”.

Na cerimónia desta quinta-feira foi também inaugurada uma exposição intitulada “Mário Soares, Europa connosco” e foi entregue o Prémio Fundação Mário Soares – Fundação EDP 2020 a Cátia Sofia Ferreira Tuna, pelo trabalho “‘Não sei se canto se rezo’: ambivalências culturais e religiosas do fado (1926-1945)”.