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Uma investigação revelou que a soprano grega Maria Callas era abusada sexualmente pelo magnata Aristotle Onassis, que a drogava para a violentar. Numa das cartas que a artista enviou já depois da separação do casal, chega mesmo a admitir: “Eu não queria que ele me telefonasse e começasse a torturar-me novamente”.

Num outro documento, sobre a relação com o marido, Giovanni Battista Meneghini, Maria Callas, a cantora lírica mais célebre da história, desabafou: “O meu marido continua a importunar-me depois de ter roubado mais da metade do meu dinheiro e de ter colocado tudo no seu nome desde que nos casámos. Fui uma idiota em confiar nele”. Numa carta endereçada a um amigo, a artista grega adjetiva-o de “piolho” que “não tinha um cêntimo”.

As informações foram recolhidas pela escritora Lyndsy Spence, que teve acesso a cartas e diários nunca antes publicadas de Maria Callas e que vão ser compiladas na biografia Cast a Diva: The Hidden Life of Maria Callas. Os documentos estavam guardados em arquivos e revelam os “pensamentos mais íntimos” da cantora. A obra será publicada a 1 de junho, conta o The Guardian.

Os diários também revelam que Maria Callas tinha uma relação conturbada com a mãe. A artista explica que a mulher, enquanto prostituta durante a II Guerra Mundial, tentou vender a filha a soldados nazis para práticas sexuais. Mais tarde, quando Maria Callas se tornou famosa, a mãe procurou lucrar com o sucesso dela concedendo entrevistas à imprensa.

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Na intimidade da família, a mãe procurava ficar com o dinheiro da filha. Numa das cartas, a escreveu-lhe: “Sabes o que acontece aos artistas de cinema de origens humildes assim que enriquecem? No primeiro mês gastam o primeiro dinheiro que recebem para construir uma casa para os pais e mimá-los com luxos. O que tens a dizer sobre isso, Maria?”.

A artista classificava os pais de egoístas e indiferentes em relação a ela. Há mesmo um episódio em que o pai lhe mente dizendo que estava a morrer num hospital e que precisava de dinheiro para o tratamento quando, na verdade, tinha uma doença sem gravidade. “Não quero mais quaisquer relacionamentos”, admitiu Maria Callas: “Espero que os jornais não entendam o que se passa. Amaldiçoarei o momento em que tive pais“.

Além dos abusos no círculo familiar, as cartas também demonstram como Maria Callas se deparou com obstáculos no percurso profissional quando recusou os avanços de Peter Mennin, o presidente da Escola de Música Juilliard. “Ele apaixonou-se. Então, naturalmente, como eu não sentia isso por ele, ele ficou contra mim”, relata a artista. O compositor chegou mesmo a negar um lugar para Maria Callas na escola, de acordo com os documentos que em breve serão transformados em livro.

Artigo editado a 12 de abril para corrigir o nome do marido de Maria Callas, e os detalhes da relação da artista com Aristotle Onassis.