Pela primeira vez desde 2018 — o último desfile antes da pausa forçada de cinco anos –, o Fantasy Bra volta à passerelle do desfile da Victoria’s Secret. Uma peça com um diamante amarelo de 75,54 quilates e 4410 diamantes brancos naturais, avaliada em 50 milhões de dólares, cerca de 43 milhões de euros. Veio já na segunda metade do espetáculo, no corpo de uma estreante, Kylie Jenner, e foi criado pelo joalheiro Jacob Arabo, o relojoeiro uzbeque que também cria peças para Cristiano Ronaldo.
“Queria criar o Fantasy Bra mais caro já feito, mas o valor por si só nunca foi suficiente”, disse o joalheiro Jacob Arabo, num comunicado publicado pela Victoria’s Secret. Um sutiã que de facto supera todos os seus antecessores: o último modelo, usado por Elsa Hosk em 2018, custava cerca de um milhão de dólares; o mesmo preço do Fantasy Bra de estreia, usado por Claudia Schiffer em 1996, uma parceria com a Swarovski — na altura o million bra era considerado tão valioso que nunca chegou à passerelle e exigiu uma escolta armada para proteger a modelo e o sutiã até ao local da sessão de fotos.
“Para mim, tinha de ser sobre os diamantes, a luz e o movimento. Reunimos diamantes excecionais em diferentes formatos e tamanhos, incluindo o nosso exclusivo corte Angel-Cut, e desenhamos a peça para que ela captasse a luz a cada passo. O trabalho artesanal é extraordinário, e o que mais importa é a emoção que ela cria quando você a vê ganhar vida na passerelle”, afirmou o joalheiro das estrelas, que já teve peças usadas por nomes como Madonna, Michael Jackson, Rihanna, Michael Jordan, Pharrell Williams, Kim Kardashian, Elton John, Victoria e David Beckham.
“Quando decidimos trazer de volta o Fantasy Bra este ano, não consegui pensar em ninguém mais perfeito para desenhá-lo do que o Jacob”, disse Adam Selman, o diretor criativo da Victoria’s Secret. “Sou um grande fã do trabalho dele há muito tempo, e ele desempenhou um papel importante na formação da cultura pop. Adoro a sua arte, a sua habilidade e a sua ousadia”, disse o designer.
Uma noite de regressos
As apostas em Arabo e Jenner para o grande momento do desfile reafirmam o caminho da Victoria’s Secret em direção à recuperação, depois de Selman assumir a direção criativa em abril de 2025. A pausa nos desfiles de 2019 foi impulsionada por uma queda nas vendas, mas também pelas críticas em torno da marca, que falavam numa “cultura misógina” da empresa, escândalos sexuais e falta de diversidade e inclusão.
O regresso do fashion show veio em 2024, numa abordagem de maior diversidade de corpos e estilos. Já no desfile de 2025, o objetivo parecia ser devolver o glamour dos anjos tradicionais, um equilíbrio que pode ter resultado no aumento do preço das ações da empresa na bolsa, ou como escrevia a Fortune em fevereiro, ter o seu “sexy back”.
Kylie Jenner foi o nome escolhido para envergar o Fantasy Bra, apesar de a “tradição” ditar outra coisa. A peça nunca antes havia sido usada por uma “não anjo” — e nesta noite a passerelle viu nomes como Bella Hadid, que desfila desde 2015, ou a veterana Adriana Lima, que já conta 21 fashion shows. Jenner foi a grande surpresa da noite. Caminhou na sombra, apenas com as asas estilo unicórnio a brilharem, antes de ter a sua identidade revelada já quase na parte final do trajeto.
▲ Hillary Super, Vanessa Bryant e Nicole Kidman na plateia do desfile da Victoria's Secret
WWD via Getty Images
Da plateia, teve o apoio do namorado Timothée Chalamet e da mãe Kris Jenner — assinala-se a ausência da irmã que fez carreira na passerelle e desfilou pela Victoria’s Secret entre 2015 e 2018 — que dividiram espaço com personalidades como Nicole Kidman e Dylan Sprouse. Este último, orgulhoso da mulher, Barbara Palvin, que regressa a um desfile de lingerie apenas seis semanas depois do parto. “Trabalhou muito para este desfile”, disse o ator e marido do anjo a um podcast, citado pela revista People. “Fico surpreendido com a capacidade dela de se recompor”.
Ao longo de quase uma hora, entre os números musicais da rapper Megan Thee Stallion, das cantoras Tate McRae e Megan Moroney e da girl band KATSEYE, o público viu as novidades da marca divididas em temáticas, das peças mais ousadas em renda vermelha à inspiração colegial da coleção PINK, em algumas das modelos que se mantêm com a marca, como Gigi Hadid, Rosie Huntington-Whiteley, Irina Shayk ou Alessandra Ambrosio; misturadas entre os rostos da moda oriental, como a chinesa Ming Xi ou a coreana Yoon Young Bae; e as apostas da nova geração de anjos, como Alex Consani ou Ashley Graham.
A edição de 2026 assinala também o regresso a Los Angeles — a última vez que o desfile foi realizado na Califórnia remonta a 2007 (e já lá estava Adriana Lima) — e o de um anjo que abandonou a passerelle da Victoria’s Secret há exatos 20 anos. Em 2006 Gisele Bundchen desfilou pela última vez para a marca de lingerie, mas agora promete regressar. Num vídeo de abertura em que aparece deitada num sofá a usar um coordenado de renda rosa claro, a modelo brasileira de 46 anos, que se despediu das passerelles em 2015, diz: “Não foi incrível? Vão ver mais de mim em breve. Tchau!”
[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]