Uma das atletas do momento nas provas de velocidade do atletismo, a norte-americana Sha’Carri Richardson vai falhar os 100 metros dos Jogos Olímpicos de Tóquio, depois de acusar positivo para o consumo de canábis durante as rondas de qualificação dos EUA, que decorreram no passado fim de semana no estado do Oregon.

Aos 21 anos, Richardson era já tida como uma das favoritas às medalhas, havendo imensa expetativa sobre se seria capaz de tornar-se a primeira mulher norte-americana a vencer os 100 metros desde Gail Devers, em 1996. Há 25 anos. 

A Agência Antidopagem dos EUA anunciou o resultado na passada sexta-feira e a atleta aceitou de imediato a suspensão de um mês, que impede aquela que é uma das seis mulheres mais rápidas da história (correu 100 metros em 10,72 segundos em abril) de correr na considerada por muitos a prova rainha do atletismo olímpico. O teste positivo de aconteceu a 28 de junho, nas qualificações realizadas em Eugene, pelo que Sha’Carri Richardson, que viu assim as suas vitórias serem anuladas, pode voltar a competir em 28 de julho.

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E com a suspensão a terminar no final de julho, sobra uma incógnita, que é a participação, ou não, nos 4×100 metros, a 5 de agosto. Com a tal anulação da sua classificação nas qualificações, não pode ser escolhida para a equipa de estafetas pelos resultados. Mas, no entanto, a USA Track & Field (Federação dos EUA) pode escolher duas atletas adicionais para a prova, que acontece já depois da suspensão terminar.

“Quero dizer a todos os meus fãs, à minha família e aos meus patrocinadores que peço desculpa. A todos, peço desculpa por não ter sabido controlar as minhas emoções naquele período”, referiu a jovem atleta numa entrevista televisiva, justificando a situação com a morte da mãe. No entanto, não arranja desculpas para o que fez: “Tomo responsabilidade pelas minhas ações, sei o que fiz e o que não devo fazer”.

E com uma suspensão deste tipo, a atleta achou por bem explicar que nunca tomou nada para melhorar a sua performance: “Tudo o que faço aparece naturalmente. Nunca haverá um esteroide ligado ao meu nome. Foi marijuana. Não me julguem, porque sou humana. Apenas corro um pouco mais rápido”.

Citada pelo The New York Times, Richardson, que foi criada pela avó, soube da morte da mãe através de um jornalista durante uma entrevista, o que apelidou de “chocante”. “Levou-me para um estado de pânico. Não sabia como controlar as minhas emoções ou lidar com elas durante aquele tempo”, explicou.

Depois de correr cinco vezes os 100 metros em menos de 11 segundos durante a presente temporada, não era só a medalha que estava no horizonte da velocista. Atualmente com contrato de patrocínio com uma grande marca desportiva, era uma das “figuras de capa” dessa mesma marca para os Jogos.

Ainda sobre a hipótese de correr os 4×100 metros, referiu que o foco pode ser outro: “Estou a colocar todo o tempo e energia em tomar conta de mim. Se puder competir fico agradecida, mas vou focar-me em mim. Aos meus fãs, família e haters, peço desculpa. Sei que represento uma comunidade que demonstra muito amor e falhei-vos”.

Quem lamentou a situação foram também os responsáveis federativos norte-americanos, com um comunicado a referir que a situação é “devastadora para todos os envolvidos”. “A saúde e bem-estar dos atletas continua a ser uma das maiores prioridades da Federação. Trabalharemos com Sha’Carri para garantir que ela tem amplos recursos para ultrapassar algum desafio de saúde mental no futuro”, lê-se,

“As regras são claras mas isto é devastador a vários níveis. Esperemos que o aceitar da responsabilidade e as desculpas sejam um importante exemplo para todos de que podemos ultrapassar eficazmente as nossas más decisões, apesar das grandes consequências deste caso para a atleta”, comentou Travis Tygart, líder da Agência Antidopagem dos EUA.