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Foi logo no primeiro dia de aulas que um professor de Direito e Economia tentou convencer os alunos do 12.º ano a verem e seguirem o seu canal de Youtube. A notícia, avançada pelo Jornal de Notícias, foi confirmada ao Observador pelo diretor da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, José Eduardo Lemos. O problema é que os vídeos têm caráter obsceno e, em alguns deles, o docente aparece nu, de cuecas, e, inclusive, a lavar-se num bidé, sem qualquer peça de roupa.

O professor reagiu dizendo que está a ser vítima de “falsos moralistas” que não respeitam a liberdade de expressão, conforme noticiou a SIC Notícias.

O professor foi afastado da escola enquanto decorre o processo disciplinar, confirmou ao Observador o gabinete do ministro Tiago Brandão Rodrigues. “O docente foi suspenso, no seguimento do processo disciplinar, com pedido de suspensão preventiva, instruído esta quarta-feira pelo diretor da escola”, lê-se na resposta da tutela.

A queixa foi apresentada pelos pais dos alunos das duas turmas, que exigiam o afastamento do professor. O docente, no recurso que enviou ao Ministério da Educação após a suspensão por 90 dias, justificou que “apenas sugeriu aos alunos os vídeos sobre a melhor forma de se protegerem contra a Covid-19”, citou a SIC Notícias. No entanto, esta medida preventiva não ser passível de recurso, de acordo com o Jornal de Notícias.

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Ao que o Observador apurou, o docente tem cerca de 60 anos e faz parte do quadro de outra escola da Póvoa de Varzim, a secundária Rocha Peixoto, mas, por falta de horário, terá sido colocado na Eça de Queirós, onde faltava um professor de Direito e um de Economia.

“No primeiro dia de aulas, o professor sugeriu e tentou visionar junto dos alunos vídeos privados que tem no YouTube”, contou José Eduardo Lemos ao Observador. “Há cenas que causaram o escândalo entre os pais das duas turmas de 12.º ano e que apresentaram queixa.”

Num dos vídeos, o professor aparece a tomar banho

A partir daí, José Eduardo Lemos comunicou o sucedido à Direção Regional de Educação do Norte, que abriu um processo de averiguações, depois de o diretor da secundária ter instruído um processo disciplinar, com pedido de suspensão preventiva.

“Já não está cá, esteve na escola apenas três dias e foi suspenso”, confirmou o diretor. A decisão de afastar o professor não cabe ao diretor da escola, mas à instância superior, neste caso a Direção Regional de Educação.

José Eduardo Lemos tinha tido conhecimento da existência do canal de YouTube através do próprio professor antes do arranque do ano letivo e tinha-o “advertido” de que, por serem vídeos de cariz privado e inadequados às matérias lecionadas, “não podia transferi-los para o espaço da aula”. Estava, por isso, “ciente de que isto não poderia acontecer”, argumenta o diretor.

Atualizado com as declarações do professor no recurso que enviou ao Ministério Público (24 de setembro, 14h30)