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O Banco Central Europeu tem de ser “ainda mais conservador” na forma como reage aos aparentes riscos de subida da inflação, avisa Mário Centeno que, por ser governador do Banco de Portugal é, também, membro do Conselho do BCE. Em entrevista à CNBC, Mário Centeno lembra que “a inflação já nos enganou no passado” e, por isso, uma reação precipitada – com retirada abrupta dos estímulos ou subida das taxas de juro – pode significar que a zona euro poderá estar a repetir erros cometidos no passado.

“A inflação já nos enganou no passado, levando-nos a agir de forma errada”, comentou Mário Centeno, em entrevista ao canal financeiro norte-americano. “Portanto, não queremos, definitivamente, cometer o mesmo tipo de erros desta vez”, atirou o governador do Banco de Portugal. “Temos de ser muito conservadores na forma como analisamos esta questão”, rematou.

Centeno não especificou de que momentos na história do BCE estava a falar, mas uma hipótese possível seria as duas subidas da taxa de juro que foram decididas pelo BCE liderado por Jean-Claude Trichet, em abril e junho de 2011, em plena crise da dívida europeia e numa altura em que a inflação também parecia estar subir de forma acentuada. Esse movimento inverteu-se, depois, e o BCE acabaria por alterar o rumo e reverter essas subidas de taxa de juro logo na primeira reunião do Conselho do BCE que foi presidida por Mario Draghi, no outono de 2011.

“Precisamos de garantir condições financeiras favoráveis para todos os setores da economia, à medida que saímos desta crise – e ainda não chegámos lá, ainda não estamos salvos”, afirmou Mário Centeno, manifestando a sua concordância com aqueles que, dentro do BCE, têm avisado que é perigoso fazer uma normalização da política monetária demasiado brusca.

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O BCE anunciou recentemente uma redução do ritmo mensal das compras de dívida ao abrigo do programa (flexível) de estímulos que foi lançado em resposta à pandemia, conhecido pela sigla PEPP. Mas “a senhora não está a retirar estímulos“, garantiu a presidente Christine Lagarde, adaptando uma conhecida citação de Margaret Thatcher para se referir a si própria e ao Conselho que lidera. O banco central, que como se esperava não mexeu nas taxas de juro diretoras, antecipou, também, que as taxas de inflação possam superar “moderadamente” o objetivo do BCE (de 2%) durante algum tempo – mas as causas do aumento recente da inflação são “temporárias“.

BCE. Lagarde garante que “a senhora não está a retirar estímulos” quando reduz as compras mensais de dívida