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Ronnie Floyd, líder do braço empresarial da Convenção Batista do Sul, nos Estados Unidos apresentou a sua demissão do comité executivo na quinta-feira depois de uma batalha interna no seio da igreja relacionada com uma investigação a casos de abuso sexual, noticia o The Washington Post.

Em 2019, a Convenção Batista do Sul, a maior igreja protestante nos Estados Unidos, viu-se envolvida num escândalo de abusos sexuais divulgada pelo Houston Chronicle, que, na sua investigação deu conta de que pelo menos 700 pessoas foram abusadas por membros ligados à igreja, nomeadamente pastores e diáconos.

Na sequência dessas denúncias, vários pastores foram afastados da igreja, no entanto, as vítimas têm exigido que sejam tomadas medidas mais assertivas para impedir que abusos semelhantes voltem a acontecer.

Nesse sentido, em junho, os delegados nacionais da Convenção Batista do Sul aprovaram uma investigação independente sobre as denúncias de abuso sexual e um possível encobrimento por parte da igreja.

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As guerras internas intensificaram-se com a discórdia quanto à questão do levantamento do sigilo profissional entre advogado e cliente, uma medida encarada pela investigação como necessário para que os investigadores tivessem acesso a todas as conversas dos membros do comité. Contudo, essa hipótese gerou desconforto, temendo-se que que pudesse a levar a uma série de processos judiciais contra a Convenção Batista do Sul e que, no limite, levasse a igreja à falência.

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Ronnie Floyd esteve ao lado dos que votaram contra o levantamento do sigilo profissional, e numa votação inicial, a 21 de setembro, os membros da Convenção Batista do Sul estiveram a seu lado. Algumas semanas depois, a 5 de outubro, e em plena guerra interna, esse voto foi revertido, o que levou à demissão do líder do comité executivo, que considera que o levantamento do sigilo profissional atira a igreja para “águas incertas, desconhecidas e sem precedentes”.

“Devido à minha integridade pessoal e à responsabilidade de liderança que me foi confiada, não vou e não posso mais cumprir as funções que me são atribuídas enquanto líder da entidade executiva, fiscal e fiduciária da Convenção Batista do Sul”, justificou Ronnie Floyd, que chefiava o comité executivo da Convenção Batista do Sul desde 2019.

Apesar de as igrejas batistas funcionarem de forma independente umas das outras, o comité executivo da Convenção Batista do Sul, explica o Washington Post, é responsável pelos negócios, incluindo a gestão de um programa de mais de 190 milhões de dólares para financiar as missões da igreja.