Uma associação cultural foi criada em Condeixa-a-Nova com o objetivo de reconstituir acontecimentos que marcaram a histórica milenar deste concelho do distrito de Coimbra, anunciaram este domingo os promotores.

O presidente da direção do Grupo de Reconstituição Histórica de Condeixa (GRHC), Rui Miranda, disse à agência Lusa que factos relacionados com as invasões francesas e a romanização, por exemplo, são temáticas que a associação pretende estudar e apresentar à comunidade.

A escritura de constituição do GRHC foi celebrada em finais de 2019, mas a chegada a Portugal da pandemia da Covid-19, em março de 2020, condicionou as atividades previstas e inviabilizou a sua divulgação oficial.

“Não temos estado parados. Fazemos hoje a devida apresentação à população e à comunicação social, pois até agora não tivemos essa oportunidade”, adiantou Rui Miranda.

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Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Rui Miranda desempenha funções de técnico superior na área da cultura na Câmara de Condeixa-a-Nova, entidade que apoia o GRHC e com a qual o grupo vai manter uma “colaboração estreita”, tendo em vista a dinamização do município ao nível da reconstituição histórica.

Nos últimos anos, os membros da associação participaram em “várias ações relacionadas com as invasões francesas”, como o lançamento da rota das invasões no Convento de Santa Cruz, no Buçaco, concelho da Mealhada, e as comemorações dos 210 anos da batalha do Buçaco, além de representações teatrais com a companhia Caixa de Palco da Mealhada, entre outras atividades.

“Os romanos estão devidamente estudados”, referiu Rui Miranda, indicando que o GRHC “é uma instituição cultural sem fins lucrativos, cujos associados não remunerados” apostam noutros elementos da história local, designadamente confrontos e lendas relacionados com a passagem dos franceses e do exército anglo-luso pelo concelho, em lugares como Casal Novo e Fonte Coberta, no início do século XIX.

O presidente da associação salientou que “Condeixa é uma vila com história e com histórias” e que a presença das tropas aliadas e napoleónicas, especialmente na terceira invasão, comandada pelo general André Massena, entre 1810 e 1811, “deixou marcadas profundas” no concelho, cuja Câmara é presidida pelo socialista Nuno Moita da Costa.

O autarca disse este domingo à Lusa que a autarquia “teve um importante papel” no nascimento do GRHC, desde 2018, ao fomentar as iniciativas já realizadas.

Nuno Moita da Costa lembrou que o concelho, onde está localizado o Museu Monográfico de Conímbriga, no complexo arqueológico desta antiga cidade romana, acolhe atualmente também o Museu Portugal Romano em Sicó (PO.RO.S), que tira partido das novas tecnologias e da interatividade com o público.

“Não queremos limitar a intervenção do GRHC às invasões, mas manter toda uma dinâmica” relativamente a Conímbriga, defendeu, para sublinhar que a Câmara Municipal “acarinhou a criação da associação desde a primeira hora”.

No âmbito de uma parceria com a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, a Câmara, associando-se à apresentação do GRHC, promoveu hoje um programa que incluiu a representação do pelo ator Hugo Inácio de um episódio ocorrido na Fonte Coberta, em 1811, e de um desfile pelas ruas da povoação, bem como a projeção do filme “A primeira linha de Wellington”, do realizador Paulo Fajardo.