Adivinhem quem nos veio visitar, numa oportunidade perdida para os marxistas guincharem contra os ultra-ricos que destroem a Comporta? Barack Obama. O grande capital, do bem!, esteve na zona de Melides, numa incursão rodeada de secretismo. Segredo que só parcialmente explica a ausência selectiva dos histéricos de serviço na costumeira gritaria esquerdista contra “o grande satã americano”.
O resto do motivo deve-se a serem enormes fãs do homem que bem avisou querer “fundamentalmente mudar os EUA”. Chamem-me esquisito, mas acho os fundamentos dos EUA óptimos. Reconheço, contudo, o engenho de Obama na forma como, para atingir esse objectivo, reanimou e incendiou as tensões raciais e de classe na América. Não concordam que o tenha feito? A sério? Então acham que o indivíduo que criou as condições perfeitas para o surgimento de Donald Trump é um génio, é isso?
Génio ou não, a verdade é que Obama é um gozão. Anda há mais de uma década a papaguear a estatística de que as mulheres ganham 77 cêntimos por cada dólar que os homens ganham, ao mesmo tempo que cobra fortunas absurdas por palestras ocas, mansplaining, entre outras vacuidades, precisamente os supostos motivos pelos quais as mulheres (supostamente) ganham esses 77 cêntimos por cada dólar que os homens ganham.
Quem, se calhar, tinha ganho mais em estar calado era o primeiro-ministro. Não digo que Luís Montenegro não respondesse à entrevista de Passos Coelho — quem não sente não é primeiro-ministro algo inconsequente. Mas é arriscado insinuar que antecipar uma queda da actual liderança do PSD seja como apostar que o diabo vem aí. Porque depois pode surgir um qualquer palerma a dizer: “Eh pá, se o homem que está tão por dentro dos assuntos do Grupo Solverde diz que isso é como apostar, eu acredito!” Vamos esperar que tal não suceda.
O que sucedeu mesmo foi a declaração de Montenegro de que “se alguns esperam o insucesso do PSD, podem esperar sentados”. E novidades, senhor primeiro-ministro? Como se não estivéssemos todos mais do que habituados — dos hospitais à justiça, passando por tantos serviços públicos — a esperar sentados, quantas vezes até à cãibra na nádega, por coisas de que realmente precisamos? Se do insucesso deste PSD emergir o protacandidato Passos Coelho para o PSD ganhar caparro, acho que haverá bastante gente a esperar sentada de bom grado.
Espera… É “protacandidato” ou “protocandidato”? Percebi “prota”, de “proteína”. Faria sentido: não vejo outra forma de o PSD ganhar músculo para reformar o país senão com um upa-upa nos níveis de testosterona. Quer dizer, o músculo poderá estar longe de ser suficiente. Resta saber se o flácido eleitorado português tem, na verdade, algum interesse em levantar o traseiro da cadeira para mudar alguma coisa, ou se prefere continuar a desfrutar da cãibra na nádega.
Sendo este último o caso, é bem provável que, num futuro próximo, tenham em Mário Centeno a opção de sonho. Aliás, se dependesse de Centeno, esse futuro de pesadelo seria já anteontem. Mas compreendo haver tantos portugueses que se identificam com o Ronaldo das Finanças (a falta que faz um Jorge Jesus da política…). Afinal, se uma família não pagar a mensalidade da casa é chamada pelo banco. E o Senhor Cativações, não pagando dívidas a fornecedores, também foi chamado pelo banco. De Portugal. Para ser governador. Detalhes.
Outro detalhe interessante: Inês Sousa Real, líder do PAN, faltou ao debate quinzenal da passada sexta-feira na Assembleia da República. Detalhe interessantíssimo: tal deveu-se a uma emergência médica do seu gato, Mikas. O PAN ficou sem representação no debate porque, segundo a própria, “a política exige humanidade” e porque “estive, e estarei sempre, onde ninguém me poderia substituir e onde o meu coração estava: com o Mikas.” Depois admiram-se que as senhoras ganhem 77 cêntimos por cada dólar que os homens ganham.
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