O novo projeto de declaração final da cimeira do clima da ONU exorta os membros do Acordo de Paris a dobrarem o dinheiro que contribuíram para o financiamento climático (cerca de 80 mil milhões de euros) até 2025.

Esta previsão está na mais recente versão de resolução sobre o Acordo de Paris que vai ser discutida ainda este sábado em Glasgow na 26.ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), que está em tempo extra, um dia depois do prazo inicialmente marcado para a sua conclusão.

O compromisso de os países desenvolvidos reunirem 100 mil milhões de dólares anuais para financiamento climático aos países menos desenvolvidos, ajudando-os a tomar medidas de mitigação de emissões poluentes e adaptação aos efeitos das alterações climáticas, foi assumido em 2009 e tinha como meta 2020, mas um ano antes, apenas tinha sido cumprido a 80 por cento.

No texto “lamenta-se profundamente” o falhanço e pede-se aos países para pelo menos duplicarem as suas contribuições até 2025 em relação aos níveis de 2019, para dividir num “equilíbrio entre mitigação e adaptação”.

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Reconhece-se “com preocupação” que as verbas atuais para adaptação “continuam a ser insuficientes para responder a impactos climáticos que se agravam em países em desenvolvimento”.

Num dos principais pontos de contenção entre países mais ricos e países mais pobres, o estabelecimento de um mecanismo de compensação por perdas e danos aos países que menos poluem e mais sofrem com os efeitos adversos da mudança climática, nota-se que as discussões sobre como o tornar operacional “não produziram resultado”.

Mantém-se em relação à versão de sexta-feira um apelo para os signatários do acordo deixarem de dar “subsídios ineficientes” à exploração de combustíveis fósseis e ao recurso ao carvão para produção de energia, com uma mudança na linguagem: se na sexta se recomendava a “aceleração do fim” dos subsídios, hoje pede-se “uma aceleração dos esforços” nessa direção e introduz-se o “reconhecimento da necessidade de uma transição justa”.

Sem alteração continua também o apelo aos países para atualizarem a partir de 2022 os seus esforços nacionais de redução de emissões carbónicas mais frequentemente que os cinco anos previstos no texto do Acordo de Paris, de 2015, mas sempre com a ressalva de isso estará dependente das “circunstâncias nacionais”.

No preâmbulo da declaração final da cimeira, introduz-se um parágrafo em que se reconhece “a importância dos povos indígenas, comunidades locais e sociedade civil, incluindo jovens e crianças, a enfrentar e responder às alterações climáticas”.

A presidência da cimeira marcou um novo plenário para analisar estes textos a partir das 12:00.

Numa mensagem divulgada na sexta-feira à noite, o presidente da cimeira, Alok Sharma, afirmou querer ter as declarações aprovadas este sábado.