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O aumento do número de crises de ansiedade e pânico e comportamentos suicidários está a preocupar o INEM. As faixas etárias mais jovens são um principal foco de atenção dos médicos e especialistas, mas a subida do número de mortes por suicídio tem aumentado em todas as faixas etárias. Os dados foram disponibilizados ao jornal I pelo INEM, que alerta para a importância de não desvalorizar sinais, procurar ajuda e planear uma resposta a nível nacional.

Até outubro o número de emergência “112 encaminhou 1.244 chamadas relacionadas com situações emergentes de alterações psiológicas e emocionais de jovens para o CAPIC [Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise]”. Ou seja, até outubro deste ano registou-se uma média de 125 casos por mês, superando o nível máximo registado em 2020. Já em relação a 2019 o número total de chamadas relacionadas com jovens não chegou às mil (993).

Ainda que não sejam a maioria de casos atendidos pelo CAPIC, nos adultos as sinalizações para este tipo de casos também aumentaram. “Nos primeiros 10 meses deste ano foram atendidos 6.574 casos no CAPIC, uma média de 657 por mês, um aumento de 39% face a 2019“.

Os casos relacionados com “o aumento das situações mais extremas, de comportamento suicidário e incidentes críticos que incluem mortes por suicídio e traumáticas, como situações de acidente e agressão” são outro dos focos de preocupação dos responsáveis. Até outubro estes incidentes críticos já ultrapassavam os 1.900 (1.912), o que representa um aumento de 73% face a 2019 e números já superiores aos do ano anterior.

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Além da resposta do lado das famílias, a responsável pelo CAPIC, Sónia Cunha, defende que é preciso planear respostas nos serviços de saúde e na comunidade escolar.

As autoridades e os serviços de saúde terão um papel determinante e acredito que terão de o planear num futuro próximo para capacitar a resposta, sobretudo às camadas mais jovens”, frisa.

Ainda que as faixas etárias em que ocorrem estas situações não tenham sido detalhadas pelo INEM, escreve o jornal I que o apoio em casos de suicídio foi nos primeiros 10 meses deste ano o dobro de 2019, subindo de 748 casos para 1.337.

“Sabemos à partida que os mais jovens, os mais idosos, as mulheres, as grávidas, pessoas emocionalmente mais vulneráveis, estão mais propensos a sofrer perturbações quando a ordem do dia é alterada, seja fruto de maior isolamento, a impossibilidade de recorrer a determinados recursos ou mesmo o menor acesso a cuidados”, diz a responsável pelo CAPIC, Sónia Cunha que nota o efeito da pandemia que se tem vivido nos últimos meses.

“Depois de o CAPIC ter registado em 2020 um aumento de 33% nos atendimentos relacionados com comportamentos suicidários, num total de 3.349 casos em todas as faixas etárias, uma média de 379 casos por mês e três casos por dia, este ao até outubro a média sobe de novo para 286 casos por mês; já os incidentes críticos — que incluem suicídio consumado e mortes traumáticas na estrada, no trabalho ou em contexto de agressão –, subiram de 1.099 em 2019 para 1.694 em 2020 e este ano até outubro já são 1.912”, descreve o jornal com base nos dados do INEM.