Os triplos de um lado, as perdas de bola do outro. Uma defesa permeável de um lado, falta de agressividade do outro. Ações ofensivas versáteis de um lado, ataque limitado do outro. Tudo o que podia correr bem ao Benfica correu ainda melhor, tudo o que podia acontecer de mal com o FC Porto foi ainda pior. E era nessa resposta à lei de Murphy dos azuis e brancos no jogo 1 da final da Liga de basquetebol que estava a grande curiosidade no reencontro entre os dois conjuntos no Pavilhão da Luz, num encontro que podia deixar os encarnados a um passo do título ou abrir por completo o cenário para o Dragão Arena.

A festa do triplo na Luz: Benfica arrasa FC Porto e ganha vantagem na final da Liga de basquetebol

“Foi um jogo de sentido único, com o Benfica muito dominador. Não estivemos cá, nunca nos adaptámos à pressão do Benfica, eles foram mais fortes. Há muito mérito do Benfica, o jogo ficou difícil e custou-nos acreditar. O nosso plano de jogo fracassou de forma estrondosa. Não conseguimos explorar o que queríamos, nem do ponto de vista ofensivo, nem tão pouco a nível defensivo. Já joguei muitas finais e o primeiro jogo é muito importante, com percentagens muito altas no desfecho do vencedor favorável à equipa que o ganha. Mas, obviamente, não deixa de ser só 1-0. Temos de entender que no segundo jogo não vamos encontrar um Benfica que facilite e temos de ser mais competentes”, comentou Moncho López, técnico dos dragões que viu ainda Mike Morrison sair lesionado no terceiro período da partida inicial.

“Sabíamos que este tipo de jogos ganha-se a partir da defesa e estivemos exemplares a esse nível. É um playoff e tanto vale ganhar por um como por 15. Eles vão ajustar algumas coisas e agora vai começar de novo. Era importante manter a vantagem de jogar em casa. Esperava que fosse mais difícil e equilibrado mas não podemos esquecer que ganhámos a fase regular. Agora é manter a tranquilidade e a humildade porque do outro lado está um conjunto muito forte. Ganhar o primeiro jogo e entrar bem pode ser decisivo. Queremos sair com vantagem da nossa casa e por isso queremos vencer também o segundo”, salientou Norberto Alves, treinador dos encarnados que tentou relativizar o impacto do sucesso inicial da equipa.

Antes da final, o FC Porto até tinha esta temporada um registo melhor nos clássicos, com três vitórias e só uma derrota na Luz, a contar para a segunda fase da Liga. No entanto, e no momento decisivo, a equipa teve um apagão e fez talvez a pior partida da época também com o mérito do Benfica conseguir quase 50% de lançamentos de três entre 14 conversões. Agora, os dragões conseguiram melhorar a prestação defensiva mas nem por isso resolveram os problemas ofensivos, voltando a deixar fugir de novo os encarnados na parte final do terceiro período e perdendo de novo na Luz, deixando o rival a um triunfo do título.

O encontro começou com algumas semelhanças ao que tinha acontecido no sábado, com o Benfica a ganhar uma vantagem máxima de sete pontos num triplo de Ivan Almeida (9-2) mas a não conseguir depois fazer uma fuga no marcador como aconteceu na segunda parte do jogo 1 também perante a boa reação dos azuis e brancos, melhores na defesa e a tentar outras soluções no ataque que, com Max Landis a aparecer com outro protagonismo, conseguiram reduzir a desvantagem para 15-10 no final do período inicial.

As pontuações baixas refletiam as más percentagens de lançamento mas também a prevalência das duas defesas face aos ataques, algo que se manteve nos minutos iniciais do segundo parcial que teve o FC Porto a aproximar-se no marcador e o Benfica a voltar aos seis pontos de diferença antes de arriscar uma defesa a campo inteiro que teve alguns efeitos práticos mas que não melhorou a parte ofensiva, com os encarnados a chegarem ao intervalo com uma vantagem de 28-21 num jogo muito tático (demasiado tático até), com grande entrega mas uma pontuação que poderia resumir apenas um período e não toda uma parte.

A segunda parte começou com dois triplos seguidos de Betinho e Max Landis mas esses tiros foram quase uma miragem para o que se seguiria, com um festival de lançamentos falhados pelas duas equipas apesar do aumento da vantagem dos encarnados para 13 pontos também pelos ressaltos ofensivos e consequentes novas posses de bola que o Benfica foi conseguindo (37-24). As percentagens de lançamentos de campo estavam entre os 33% da equipa da casa e os 22% dos forasteiros, melhorando de forma ligeira para o 44-32 que se registava no final do terceiro período, numa vantagem de 12 pontos que viria a tornar-se decisiva nos últimos dez minutos com Ivan Almeida e Broussard a alargarem esse fosso até ao 56-48 final do jogo.