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Este é o som da Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado Diogo Ventura, jogador de basquetebol da Seleção Nacional e capitão do Sporting. Olá, Diogo, bem-vindo. Obrigada por ter aceitado o nosso convite.
Olá, bom dia. Muito obrigado pelo convite.
Quantas vezes é que houve aquela: "Que tempo é que faz aí?" Quantas vezes acontece?
Ouvimos isso muitas vezes, mas principalmente aquilo que vocês me disseram, que eu na televisão pareço bem mais baixo, como sou dos mais baixinhos.
Isso acontece. Eu lembro-me do Carlos Lisboa, grande figura da modalidade em Portugal, que parecia pequeno. Não é assim tão baixo, mas parecia pequeno ao pé dos outros.
O Diogo diz que é dos mais baixinhos. Quanto é que mede?
1,90.
Pois, é um bocadinho fraquinho.
Como é que admitem pessoas destas no basquete? Quando não há saídas de emergência para toda a gente no avião, sou eu sempre o lesado. Sou eu sempre que fico sem a saída de emergência, porque sou dos mais baixinhos. Eu e o Rafael, o filho do Carlos Lisboa.
Sim, o Rafael Lisboa.
Que também joga na seleção, somos dos mais baixos.
Diogo, são cinco perguntas, cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda, damos-lhe de escolha múltipla, portanto, três hipóteses, e se acertar, recebe dois. O máximo são 25. Vamos a isso?
Vamos lá.
Os atletas de basquetebol costumam ter o pé grande. Que número é que o Diogo calça?
46.
Fraquinho. É fraquinho porque está longe do recorde do Guinness para o maior pé do mundo, pertence ao venezuelano Jeison Rodríguez. Sabe que número surreal é que ele calça? Para ter uma ideia, ele mede 2,20 metros.
Ok, 2,20 metros. Nós, no nosso balneário, temos muitos 50.
Isto é o recorde do mundo.
Eu vou dar só uma dica: os pés medem pouco mais de 40 centímetros, cada pé.
O Sporting tem no seu museu uns sapatos de um americano de há muitos anos, que eu penso que é o 58. Portanto, eu vou para o 64.
Quer uma ajuda?
É melhor.
Mais, não acredito.
52, 60 ou 69?
É 69. Incrível.
Ele encomenda os sapatos à Alemanha, tem que ser feitos por encomenda. Claro.
É um estaleiro.
Não, é uma sapataria. Tem os 69. Às vezes nem eu consigo arranjar o 46 em algumas marcas, é difícil.
É muito difícil. A Seleção Nacional de Basquete tem provado o nível que está frente a outras potências europeias, como vimos frente à Espanha, mas a ideia que temos é que a estrutura e o reconhecimento continuam a anos-luz. Os atletas da seleção são tratados como heróis quando ganham, mas no dia a dia continuam a treinar sem as condições que a modalidade merece e exige.
Sem dúvida. Eu não posso ser muito simpático nesse assunto, porque ainda agora tivemos em Matosinhos o primeiro-ministro e a ministra do Desporto e da Juventude a assistir ao nosso jogo e apetecia fazer muitos pedidos na altura em que fomos cumprimentar. Eu vou só dar um exemplo que aconteceu agora bem recentemente e acho que fala muito por si só, que é: nós jogámos contra a Espanha em Saragoça e íamos jogar contra a Geórgia dois dias depois em Matosinhos, e a Geórgia jogou em casa, ou seja, jogou em Tbilisi, que para quem não sabe, fica quase na Ásia. E nós jogámos na sexta em Saragoça, voltámos para Matosinhos no sábado e obviamente nós tivemos que fazer quase quatro horas de autocarro até Madrid, Madrid-Porto em voos comerciais, normalíssimo. Eu não consegui ir numa saída de emergência, como tive em Saragoça.
Nem esticar as pernas.
Sorte que este voo até era pequenino, não era muito grande. E nós quando chegamos ao Porto, ligamos os telemóveis e vamos às redes sociais e vemos que os jogadores da Geórgia, nós chegamos quase à meia-noite, à hora de jantar ao hotel. Acho que foi mais tarde, já não me lembro bem. E fomos às redes sociais e os jogadores da Geórgia já tinham estado na praia no sábado à tarde.
Isto tudo causa logo uma reação.
Vejamos as distâncias, o que é que aconteceu? O governo da Geórgia freta o avião e eles vêm.
Comodamente e contentes.
Exato, ou seja, são tratados um bocado como jogadores de futebol.
Essa frustração depois tem impacto no campo, Diogo?
A frustração nem tanto. O que tem impacto é realmente as horas de descanso, que a este nível contam muito. Ainda por cima, nós somos uma seleção que aposta muito na defesa, somos muito físicos, e se nós não estamos nas nossas melhores condições, faz a diferença. Não estou a dizer que foi por causa disso que perdemos o jogo contra a Geórgia, não teve nada a ver com isso, mas obviamente que essas coisas não ajudam. Isto foi só um exemplo para demonstrar que nós, não querendo deixar de ser humilde, temos uma tarefa muito difícil e conseguimos coisas que não era suposto conseguirmos.
E ainda sentem muito que há esse entusiasmo quando as coisas correm bem, o apoio popular. Vimos um pavilhão esgotado no jogo contra a Geórgia e que depois noutros momentos as modalidades, e neste caso em particular o basquete, são esquecidas.
Sim, sem dúvida. Nós sentimos muito isso, que nos pontos altos muita gente aparece e os pavilhões estão sempre cheios, mas também agora se não estivessem cheios, quando é que iriam estar? Acabámos de ganhar à Espanha, estamos numa qualificação para o mundial, temos um de mias Que quer sempre vir à seleção e esteve presente mais uma vez e dá a cara pelo país e pelo basquete. Se nós não conseguíssemos encher o pavilhão agora. O problema é que depois quando os holofotes não estão ali a apontar, os pavilhões estão vazios, há falta de apoios. Muitas vezes nós jogamos durante a época o campeonato português, tirando os ditos jogos grandes, os pavilhões não estão cheios, nem de longe. E nós próprios, os jogadores mais velhos da seleção, já passamos por muita coisa na seleção e já jogamos com pavilhões vazios, quando não estávamos nestas fases tão altas de competição, de qualificações. Já jogamos contra seleções com menos visibilidade.
Com menos estatuto.
Com menos estatuto, já jogamos com o pavilhão vazio.
E o que é que é preciso ser feito para voltar a encher os pavilhões como noutros tempos?
Eu acho que, em primeiro lugar, hoje em dia vivemos numa era em que tem que se apostar na divulgação através das redes sociais e acho que todos os clubes e principalmente a federação, têm de fazer uma grande aposta nesse sentido, que é a divulgação. E principalmente os jovens, hoje em dia estão sempre muito agarrados às redes sociais, aos telemóveis, seja o que for. Não estou a criticar isso, atenção. Mas o desporto e principalmente as modalidades ditas amadoras, que não são nada amadoras, mas que se dizem amadoras, têm que apostar nesse sentido para trazerem mais praticantes, mais público. E isso muitas vezes, às vezes é bem feito, outras vezes é menos bem feito, mas tem que haver uma consistência e as federações, os clubes, isso tem que ser uma aposta forte para captar mais miúdos, mais público.
Pode ser que o Varandas esteja a ouvir.
Eu tenho sorte porque o Sporting trabalha muito bem nesse sentido e não me posso queixar.
O Varandas está muitas vezes bem composto, não é?
Sim. Mas eu como amante do basquete e da modalidade, eu sou viciado em basquete, eu estou em casa e vejo jogos de todos os campeonatos. Gostava muito que Portugal desse esse passo em frente. E eu não olho só para a árvore. Eu gosto de olhar para a floresta e se houver outros clubes, outras associações, outras federações a terem sucesso, nós temos que ficar contentes e temos que olhar como um todo.
Claro, e seguir os bons exemplos. Muito bem. Diogo, vamos para a segunda pergunta, então. Eu confesso que quando vi a resposta desta fiquei surpreendido.
Já vai perceber porquê.
Na NBA, o recorde de pontos num jogo pertence a Will Chamberlain, com 100 pontos, mas em Portugal, o recorde nacional absoluto de pontos marcados por um só jogador num jogo oficial sénior é de 128 pontos. Quem é que marcou esses pontos todos, sabe?
Já sei quem é. Trabalha na área da comunicação também. Júlio Magalhães.
É verdade.
É verdade. Ele foi nosso colega aqui na rádio.
Nas manhãs.
Nas manhãs. Estava aqui conosco em estúdio e sabíamos que ele jogava basquete, não sabia do recorde, que continua a ser o recorde.
Eu quando ouvi recorde de pontos, achei que iam falar do recorde de pontos na primeira liga e eu já tinha a resposta também na ponta da língua.
Quem é já agora?
O recorde é do Sérgio Ramos, que é o treinador adjunto da seleção nacional e foi o meu treinador adjunto na época passada no Sporting. E nós na época passada tivemos um americano que jogou no Vasco da Gama, uma equipa lá em cima no norte, que esteve prestes a bater o recorde. E nós estávamos no autocarro, nós tínhamos ido jogar a Braga e o nosso jogo acabou e o jogo deles ainda estava a decorrer e eu na altura estava lesionado, não joguei, fui ver o telemóvel e: "Olha, Sérgio, o teu recorde está prestes a cair". E não é que o Sérgio depois no autocarro estava ali a ver o jogo a sofrer e estávamos nós todos a sofrer: "Não marques". E acho que foi ali por um ou dois pontos que o recorde não foi batido.
E o recorde do Sérgio é de quantos, já agora?
Era 55, 56 pontos, era por aí.
E 128.
Sim, exato.
Mas é do Juca, do Júlio Magalhães, de facto, este recorde. De facto, o basquete pode ser espetacular, com jogos corridos, com muita pontuação. O Diogo é base.
Sim.
A função do base, para um ignorante quase do basquete, não é propriamente marcar pontos, é distribuir o jogo.
Não, embora hoje em dia o basquete evoluiu já muito no sentido em que toda a gente tem que saber lançar ao cesto, toda a gente tem que ser uma arma ofensiva, porque senão perde um bocado de espaço. Mas a primeira função do base é ser um bocado a extensão do treinador dentro do campo.
É aquele que leva a bola, não é?
Sim, sou eu que normalmente transporto a bola da defesa para o ataque, sou eu que chamo as jogadas, sou eu que tenho que pensar qual é o movimento que vamos executar. Nós no basquete temos 30, 40, às vezes mais, movimentos táticos do ataque, bolas fora.
Preparados.
Sim, preparados. E eu tenho que pensar, ou seja, onde é que está a vantagem, qual é o ponto fraco da defesa adversária, qual é o nosso ponto forte. Por exemplo, estamos a atacar, o Nemyas tem um defensor muito mais baixo do que ele. Qual é o movimento que eu vou pedir para que a bola chegue dentro, consigamos pôr a bola perto do cesto para o Nemyas ser ofensivo.
Tem que ser muito rápido a fazer a leitura e a decisão.
Sim, já é praticamente inato. Nós treinamos muito e os bases todos, principalmente no nível em que nós jogamos, têm que ter.
E já têm então um lado de treinador também. Muitas vezes há a tentação de também ser um bocadinho treinador e de discutir essas coisas com o treinador.
Sim, com o passar dos anos vamos percebendo cada vez mais também do jogo e os treinadores hoje em dia têm muita abertura para ouvir qual é a opinião dos jogadores. Porque são os jogadores que estão dentro do campo, são os jogadores que têm as sensações do que se vai passando mesmo dentro do campo e às vezes o treinador de fora Acham uma coisa, mas nós, jogadores, temos uma ideia completamente diferente. E felizmente tenho tido treinadores que têm essa abertura para ouvir um bocado. Às vezes aceitam, outras vezes não, é normal. Mas sim, nós enquanto bases temos uma veia de treinador. Atenção, não estou aqui a lançar qualquer carga.
Ainda.
Não, porque eu até preferi ir por outra área, preferi pela área do dirigismo, da gestão do desporto.
Sim, porque fez uma pós-graduação.
Sim, fiz.
Se não estou em erro, vi, em gestão.
Em gestão do desporto. Eu já era licenciado em Gestão de Transporte e Logística na Escola Náutica de Paço de Arcos, já há alguns anos. E agora com o mediatismo que nós vamos tendo na seleção, no Sporting também, quis aprender um bocadinho mais e formar-me também um bocadinho mais e consegui tirar uma pós-graduação em Gestão do Desporto na Universidade Católica de Múrcia. Consegui fazer tudo online.
Os jogadores das modalidades ditas amadoras, muitas vezes têm também essa preocupação de começar logo a preparar o futuro, porque ao contrário dos jogadores de topo do futebol, o futuro não está assegurado. Vê essa preocupação junto dos seus colegas da seleção e do clube?
Nós não temos outra escolha. Felizmente, quem joga nos três grandes e na seleção ganha bem acima da média, mas não ganhamos o suficiente para, como os jogadores de futebol, deixarem de trabalhar e sustentarem três gerações. Não, de longe.
E uma família.
Sim, de longe. Nós não estamos nem perto disso. E, portanto, não temos outra escolha a não ser começar a preparar o nosso pós-carreira.
E o Diogo já está a preparar.
Sim, acho que tem que ser. Ainda por cima, fui pai há dois anos e essas coisas ainda começam a pesar mais.
Ainda mais essa preocupação com o futuro.
Mas acho que deveria haver mais apoio para os jogadores também nesse sentido, porque eu vejo que alguns jogadores estão mais cientes disso, mas há muitos também que não estão e depois passam algumas dificuldades no pós-carreira.
Aliás, isso vê-se até em campeonatos como a NBA, muitos jogadores depois de abandonarem a carreira, vão à falência em poucos anos. Portanto, essa preparação é importante em qualquer campeonato que seja. Diogo Ventura, vamos para a terceira pergunta. Está com sete pontos.
Talvez, agora para os 12, vamos ver.
Em que lugar do draft 2021 da NBA, Neemias Queta foi escolhido, na altura, pelos Sacramento Kings?
Superssem-me nisto. Isto é uma vergonha não saber isto. E nós estávamos na seleção e vimos todos o draft em direto. Estávamos na Suíça. Mas ele foi na segunda ronda.
Foi na segunda ronda.
Não foi na primeira.
Cada ronda tem 30? Eu creio que cada ronda era 30.
Vou ser sincero, não sou grande fã da NBA, nem estou muito por dentro agora por causa do Neemias, vou estando mais por dentro quando ele teve aqueles contratos, os 2A.
Sim, eu não fazia ideia que isso existia.
Eu estou muito dentro aqui do basquete europeu. Da NBA gosto de ir vendo, agora vejo mais por causa do Neemias, mas gosto de ir vendo só os lances.
Já tem aqui uma pista. Foi na segunda ronda, sendo que a primeira teve 30.
Eu vou para 14.
Da segunda ronda.
Isso estava com 44.
Dava 44. Quer uma ajuda, Diogo?
Pode ser.
Vamos fazer as duas rondas. Foi a 39ª, a 33ª ou 45ª? Não foi uma grande ajuda.
39, 33, 45. Eu acho que foi a 45ª. Não?
Não, foi a 39ª. Foi a 39ª escolha do draft, na altura para os Sacramento Kings, entretanto está nos Celtics de Boston. Há um efeito Neemias Queta no basquetebol em Portugal, na visibilidade também do interesse do público em relação ao desporto e também ao nível dos praticantes da modalidade?
Sim. Em primeiro lugar, desculpa, Neemias, não saber a tua. Mas eu até achava que tu devias ter sido na primeira ronda. Fica aqui o meu pedido de desculpa. Nós sentimos muito isso, principalmente em público, e eu acho que já se justifica outro tipo de abordagem também tendo em conta o mediatismo do Neemias, porque nós vemos que os jogadores de futebol, por exemplo, nos aeroportos, eu acho que eles nem sequer entram, eles vão por outro lado qualquer. E nós não, nós, como já falei, nós vamos para as filas normais e estamos ali e muitas vezes o Neemias não consegue dar dois, três passos seguidos, porque o Neemias já tem o mediatismo de um jogador de futebol. E as nossas modalidades não estão prontas para um caso destes. Nós temos no handebol jogadores muito conhecidos, no basquete jogadores muito conhecidos, no futsal.
Mas isto é outro campeonato.
Isto é outro campeonato, isto é à escala mundial. E nós sentimos muito isso, as nossas redes sociais, quando o Neemias vem à seleção, bombam de uma maneira que nós também não estamos habituados. Os pavilhões enchem muito mais facilmente. E há que capitalizar isso também. Há que saber gerir isso, porque realmente há muito mais visibilidade e muito mais mediatismo.
E também temos outros jogadores, para além do Neemias, que já está na NBA, com capacidade, com qualidades, não só para a NBA, mas também para os melhores campeonatos da Europa, porque muitas vezes também nos esquecemos que há campeonatos europeus bastante competitivos e com equipas de grande qualidade.
Sim, eu vou separar aqui um bocado por Por níveis. Temos o Nias e o Ruben Prey, na minha opinião, vai lá chegar.
Ele já joga nos Estados Unidos, numa equipa universitária.
E ao treinar com ele agora estas três semanas, os jogos que ele fez, tenho a certeza que ele tem nível para fazer uma boa carreira na NBA. Se as coisas corram bem, ele vá continuando a trabalhar da maneira como trabalha, que siga o programa dele da universidade, que é muito importante, que ele tem que passar as cadeiras todas para jogarem. E depois, o Nias e o Ruben, no nível da NBA, nós temos muitos jogadores que costumam fazer as qualificações sem o Nias e sem o Ruben, porque durante a época a NBA não os deixa vir. Nós temos muitos jogadores de nível superior ao campeonato em que jogam. Não sei se me fiz entender. Nós temos muito poucos jogadores a jogar ao nível onde deveriam estar. E acho que isso já diz muito. Nós não temos muita expressão ainda a nível europeu.
E se calhar a próxima pergunta vai-nos levar um pouquinho também para esse campo, Diogo. É a quarta pergunta, está com sete pontos: em que cidade foi fundada a Federação Portuguesa de Basquetebol?
Porto.
Exatamente. Está aqui um futuro dirigente.
Seis pingas. Essa foi fácil, porque agora a federação fez 90 anos, há pouco tempo.
É possível.
E eu estive a ler um bocado.
Fez o trabalho de casa.
Foram seis, três pontos, seis pingas.
E de resto, João Carvalho foi eleito muito recentemente presidente da federação, admitiu que há assimetrias regionais entre as associações, defende também um centro de alto rendimento para o basquete. Quais são as suas expectativas relativamente a este mandato e também a importância disso para o futuro da modalidade em Portugal, na lógica daquilo que estava a falar-nos há pouco?
Na minha pós-graduação, o trabalho final que fiz foi sobre a visibilidade que o EuroBasket, em que nós participamos o verão passado, teve na comunicação e nos novos jogadores que possam ter aparecido. E realmente a nossa seleção agora tem muita visibilidade. E eu acho que a federação, uma das principais metas que deve ter, eu vou bater outra vez na mesma tecla, é capitalizar este mediatismo que o basquete tem tido para alargar a base de jogadores. Nós precisamos de mais miúdos e eu acho que nós até somos das modalidades com mais jovens praticantes, não tenho a certeza, mas tenho essa ideia, mas tem que haver ainda mais e trabalhar essa base de uma melhor maneira. Porque o que acontece? Uma das conclusões que eu tirei desse trabalho que fiz é que os treinadores de jovens, ou seja, mini-8, mini-10, mini-12, muitas vezes são miúdos que deixam de jogar aos 16, 18 anos e que aceitam receber €50, €100 por mês pelos clubes, porque os clubes não têm mais possibilidades. E o que está a acontecer? Nós estamos a trabalhar mal logo desde a base. E na base é que nós temos que começar a investir e a trabalhar melhor. Ou seja, alargar a base e a partir dessa base trabalhar melhor. Eu acho que isto tem que ser o futuro do basquetebol português.
E a federação terá um papel importante nisso.
Tem um papel importante nisso. E atenção, eu respeito imenso esses jovens que deixam de jogar porque sentem que não dá mais e querem continuar ligados ao basquete, e ainda bem, precisamos muito dessas pessoas, mas a federação e os clubes têm que os formar, têm que os ajudar para que eles próprios saibam ensinar outras pessoas, porque o que se costuma dizer é: nem para eles às vezes serviam, então ensinar miúdos logo de base. E isso acho que é um problema que se se resolver, o basquete dá um grande salto no futuro, para que não haja só estas gerações de ouro, como se diz, que tivemos em 2007 e que agora estamos a vivê-la outra vez.
Diogo Ventura, vamos para a última pergunta e esta é fraturante.
Mas vai-se haver, esta vai-se haver.
Até estou com medo. Bem, qual o mais conhecido intérprete do hino do Benfica, "Ser Benfiquista"?
Que é o que se ouve no estádio.
Não faço ideia.
Ainda por cima do clube balardo. Vocês estão-me aqui a provocar.
É melhor falhar.
Eu vou dizer, mesmo que soubesse, eu acho que ia dizer um nome errado.
O Bruno dá uma ajuda.
Carlos do Carmo, Tony de Matos ou Luís Piçarra?
Luís Piçarra.
Já se sabe o que é.
Diogo, estreou-se na liga pelo Benfica, é verdade?
É verdade.
Já há uns 12, 13 anos.
Sim, eu estreei-me pelo Benfica, ainda fazia parte da formação e havia uma série de lesionados e eu tive essa oportunidade e foi com muito gosto e muita honra que eu fiz.
Tornou-se, entretanto, um dos símbolos do Sporting, é capitão de equipa. O coração pode mudar de cor com esta experiência? Já está há sete anos no Sporting.
Sim, desde 2019. Eu costumo dizer a toda a gente que o Sporting mudou completamente a minha vida, porque eu já jogava há dois anos no Galitos do Barreiro.
Força Galitos!
E estava numa fase da minha carreira em que tinha-me acabado de licenciar em Gestão de Transporte e Logística e tinha começado a trabalhar. E lá está, ou se joga nos três grandes e recebe-se um salário bem acima da média, ou joga-se nas outras equipas e o salário que se recebe não dá para o dia a dia. E eu trabalhava e treinava ao fim do dia e acumulava ali dois ordenados. E passou muitas vezes pela cabeça trabalhar aqui em Lisboa, ir para o Barreiro a correr, depois chegar a casa à meia-noite, no dia a seguir acordar outra vez, passou muitas vezes pela cabeça se isto valia a pena ou não. E curiosamente, surgiu o Sporting, reativou o basquete.
Esteve muitos anos sem a secção de basquete.
Sim, 24 anos, penso eu. E o professor Luís Magalhães e o Miguel Afonso contactaram e eu aceitei logo sem pensar, porque era uma oportunidade única na vida. Eu sempre quis ser 100% profissional de basquete num grande clube a lutar por títulos e apareceu-me ali uma-
E hoje é capitão
...uma grande oportunidade e até hoje eu sou capitão. Sou muito bem tratado por toda a estrutura do Sporting. Os adeptos foram sempre impecáveis comigo. E sim, os gostos podem mudar.
Diogo Ventura, muito obrigada por ter vindo à Comissão de Inquérito. Sai daqui com 14 pontos.
Não foi mau.
Não foi mau, enfim, foi simpático. Foi um afundanço, uns afundancinhos, vários afundances. Foi muito positivo. Obrigada e parabéns pelo teu trabalho.
Obrigado