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E então, está tudo bem?

Está tudo bem.

É? Como é que foi?

Foi ótimo.

Foi ótimo.

E perdi contigo. Estavas com um sorriso de orelha a orelha.

Eu gostei muito, foi muito bom.

Foi muito bom.

Acho que ficamos todos contentes.

Até o Paulo.

Até o Paulo gostou.

O Paulo acordou tão early.

Ele que não gosta nada destas coisas.

Eu adormeci ontem.

Adormeceste, mas quando acordaste ficaste feliz.

Depois foi uma surpresa o resultado final.

Estamos a falar de futebol, 4x2. A seleção portuguesa foi ganhar à Dinamarca. Algo estava podre no reino da Dinamarca, mas agora já não está.

A Dinamarca é forte.

A Dinamarca não é uma má equipa.

Ganharam já um campeonato europeu.

Em 1992.

Ela foi logo ali.

Calma. Basta lembrar que Portugal jogou o ano passado na Dinamarca e perdeu. Ainda era Roberto Martínez o selecionador nacional.

As comparações vão-se fazendo.

E mais do que o resultado, é que de facto foi uma exibição muito má de Portugal. Eu estava a olhar para as estatísticas e já não me lembrava do jogo. Uma pessoa esquece dessas desgraças. Mas Portugal nesse jogo teve muita posse de bola.

Alguém tenha comparado os dois jogos com vinho de reserva e vinho de pacote.

Isso.

Sobre estes dois jogos? Ontem e o anterior?

E contra a Dinamarca também. Fora, portanto. Quando Portugal jogou contra a Dinamarca na era Roberto Martínez, e isto não quer dizer que não tenha havido bons jogos com Roberto Martínez na seleção. Houve também boas exibições. Mas comparando diretamente estes dois jogos, Portugal com Roberto Martínez tinha muita posse de bola, mas era aquela troca de bola inconsequente. Eu estava a olhar para a estatística.

O objetivo é esse. Aqui vê-se que o objetivo é a baliza.

É a baliza. Os jogadores que foram ouvidos disseram: "Existem ideias claras, sabemos o que o treinador nos está a pedir. Há riscos nesta nova abordagem", e o próprio Jorge Jesus depois do jogo falou sobre isso. Existem riscos.

O JJ deve estar todo inchado.

Inchado, que aquilo para ele.

Três em três.

Vamos lá ver uma coisa. O Jorge Jesus nunca teve à sua disposição um conjunto de jogadores com esta qualidade. Ele tem perfeita consciência disso.

O treinador da seleção da Dinamarca ontem dizia a melhor seleção do mundo.

A de Portugal?

Eu acho que individualmente. Claro que há outras grandes seleções. Basta pensar na seleção francesa, que tem um conjunto.

Obviamente.

A França.

E o Paulo que dá os exemplos.

A Argentina, sei lá.

Eu vou dizer aqui uma coisa muito polêmica, mas eu acho que individualmente Portugal tem jogadores, se compararmos jogador a jogador, melhores do que a seleção de Espanha. O que é que acontece? É que a seleção de Espanha funciona muito melhor coletivamente, mas as coisas são o que são. E acho que a melhor seleção do mundo neste momento é claramente a Espanha. Mas qual é que era o problema? É que nós não jogávamos de acordo com a qualidade dos jogadores. Esqueçam, não vamos falar do Ronaldo.

Não está aqui em causa o Ronaldo.

É como aquela boca desse jogo antigo, que era: Portugal troca a bola e a Dinamarca.

E a Dinamarca.

Pronto. Boa piada, Paulo. Eu lembro-me desta, da altura que eles ganharam o Europeu.

O Europeu em 1992.

Era mais fácil nessa altura.

Curiosamente, parece que houve alguém que sentiu mais a falta de Cristiano Ronaldo do que os jogadores portugueses. Foi o avançado dinamarquês Rasmus Hojlund, que marcou o segundo gol. E como é que ele festejou o gol? Como? "Ah, Ronaldo. Siiim!" E foi saltar.

Vai ter de pagar direitos de autor.

Isso.

Eu acho que o Ronaldo até ficou comovido com o que viu. E no final do jogo, Rasmus Hojlund foi cumprimentar Jorge Jesus, mas deu-lhe um ligeiro empurrão como que a censurá-lo por aquilo que fez. Ele depois teve declarações a dizer que se a seleção nacional e Portugal não valorizam Cristiano Ronaldo, o resto do mundo dá-lhe muito valor.

Que a seleção dinamarquesa está disponível para o acolher.

Para o acolher. Exilado.

Claro, os jogadores às vezes não pedem a nacionalidade para jogar.

Claro, agora já não pode.

Já não pode?

Não. Mas podia ser honorífico, honorário, um jogador honorário da seleção dinamarquesa. Fica aqui esta possibilidade em aberto. Rasmus Hojlund deve estar ansioso por ter o Cristiano Ronaldo ao lado dele na seleção dinamarquesa. Ontem, os jogadores falaram depois do jogo, ali na zona mista, onde normalmente são entrevistados, mas claramente, apesar das perguntas dos jornalistas, tinham indicações para não falar sobre o caso Cristiano Ronaldo.

Houve um que o disse, mesmo na frente.

Houve um que o disse, foi Renato Veiga. Ele disse: "Tenho um grande carinho por Cristiano Ronaldo, mas temos instruções para não falar do caso". Tudo bem, podem ter, evitem falar do caso, mas o que a certa altura aborrece quem está a ver estas coisas de fora é a intromissão dos assessores de imprensa que tratam jogadores e treinadores como se fossem crianças de cinco anos. Ontem estava a ouvir as declarações do Jorge Jesus durante a conferência de imprensa e há uma pergunta de uma jornalista, e havia a regra de que só faziam uma pergunta e não entravam em diálogo. Tudo bem, pronto, são regras. Mas num momento, não é nenhuma tentativa de tirar mais informações, pode haver mais uma pergunta ou uma dúvida. E há logo uma intervenção do assessor de comunicação dizendo: "Só uma pergunta, não há diálogo." E o próprio Jorge Jesus disse: "Espera aí que eu quero responder, é só para esclarecer isto." Eu acho que todos nós temos consciência que a comunicação é importantíssima hoje nas instituições.

Mas no mundo do futebol passa-se de forma diferente.

Mas isso no futebol adquire umas dimensões. Parece que os jogadores e os treinadores não têm autonomia, não têm personalidade jurídica para responderem aquilo que quiserem, mesmo com instruções que tenham à partida.

O media training faz todo sentido. Faz todo sentido que alinhem previamente o que dizem sobre determinado caso, neste caso, do Ronaldo. Parece-me até muito profissional que o tenham feito.

Que o tenham feito. O que choca um bocadinho é depois as intervenções e a interferência.

É o babysitting.

É, no momento. Isso é que depois eu acho que não é bonito nem para os jogadores, nem para a própria instituição e para quem a representa dessa forma. Maria João, já tinhas dito, isto nas redes sociais está a ser um grande rombo para a Federação Portuguesa de Futebol.

Mais de um milhão.

Um milhão de seguidores, desseguidores agora. Desseguiram a seleção portuguesa.

Pode ser que agora os resultados, mas quem é fã de Ronaldo é fã a sério.

É fã mesmo. E eu tenho lido muitos comentários e há pessoas mesmo que estão com o Ronaldo até à morte, porque eles são fãs do Ronaldo. Eles, de facto, não são fãs nem do Al-Nassr, nem eram do Real Madrid ou do United, como não são da seleção portuguesa.

Aliás, como se viu no Mundial, vários norte-americanos iam aos estádios com a camisola da seleção portuguesa vestida só para ver o Ronaldo. Pagavam centenas de euros para isso.

E a Federação Portuguesa também já devia estar preparada para isso.

Para o rombo que vai sair.

Para o rombo que vai ser. Ou seja, já devia estar a pensar há muito tempo no pós-Ronaldo.

É a marca.

Mesmo que não fosse agora, mas já devia estar preparada para isso. Vamos ver qual é a reação. Deixa-me só trazer uma história muito rápida, algo meio surreal que aconteceu na Taça do Golfe Arábico. O Iraque e Omã estavam no mesmo grupo e acabaram empatados em tudo no confronto direto, ou seja, em pontos, desde logo. Mas depois, nos pontos no confronto direto, diferença de gols no confronto direto, gols marcados no confronto direto, diferença de gols absoluta, gols marcados e pontos de disciplina. E há aqui uma curiosidade: Omã chegou a ter vantagem nos últimos minutos porque marcou um gol que lhe daria vantagem sobre o Iraque. E o que aconteceu? O jogador que marcou o gol tirou a camisola, levou um cartão amarelo. Logo aí ficaram empatados no critério de desempate da disciplina. Ou seja, ele marcou o gol que poderia dar essa diferença.

Mas anulou logo.

Mas anulou logo a vantagem que tinham, levando um cartão amarelo. Qual é que foi a solução? Sorteio. A equipe que passou à fase seguinte foi decidida por sorteio e foi Omã.