No dia em que o Presidente Vladimir Putin esteve a supervisionar a simulação de um “ataque nuclear maciço”, o embaixador russo no Reino Unido disse que não serão usadas armas nucleares na guerra na Ucrânia.

Numa entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, Andrei Kelin revelou que o ministro de Defesa russo, Sergei Shoigu, assegurou aos ministros de todo o mundo que não iriam recorrer a este tipo de armas. “A Rússia não vai usar armas nucleares, está fora de questão”, sublinhou.

Durante a entrevista, Kelin reforçou as acusações russas de que a Ucrânia está a desenvolver uma “bomba suja”. “Nós temos informação – e isto é uma informação muito séria – de que algo está a ser preparado e que poderá ser uma ‘bomba suja’ e só estamos a passar estes dados”, explicou.

Rússia e Ucrânia trocam acusações sobre “bombas sujas”: o que são estes dispositivos de dispersão radioativa?

As autoridades russas disseram nos últimos dias que Kiev pretende lançar uma “bomba suja” no próprio território, sem contudo apresentar provas que sustentem esta tese. O ministro da Defesa russo contactou vários dos seus homólogos para os avisar do plano ucraniano.

Esta quarta-feira também o Presidente russo insistiu nas alegações. “Os planos da Ucrânia de utilizar a chamada bomba suja para uma provocação são também conhecidos”, disse Putin durante uma reunião dos chefes dos organismos de segurança da Comunidade de Estados Independentes (CEI). A Ucrânia, porém, nega as acusações e os seus aliados consideram que se trata de um pretexto da Rússia para escalar o conflito.

Já Kelin defende que Kiev está a planear lançar a “bomba suja” para “atrair a atenção”, numa altura em que “a contraofensiva parou em diferentes zonas e estão a perder recursos”.

As nossas pessoas são sérias. Se os serviços de informação estão a dizer que algo está em preparação, então estão certos disso.”

O embaixador russo levantou também outra acusação russa, a de que a Ucrânia poderá explodir a central hidroelétrica de Kakhovka, na região de Kherson. “A linha da frente estabilizou em todos os três locais, em Kherson, no leste e Zaporíjia. Não há movimento e este país já não tem recursos e neste momento precisa de algo como a barragem de Kakhovka, que é um local difícil, porque se for atingida irá causar inundações”.

Esta é uma alegação também negada por Kiev, com o Presidente Zelensky a denunciar que as tropas russas colocaram minas na barragem. Já o Instituto do Estudo da Guerra (ISW) avisou que a Rússia poderá estar a planear inundar Kherson através de um ataque de “bandeira falsa” à importante barragem. Segundo o think tank norte-americano, os russos pretendem que a explosão da barragem aparente ser realizada pela Ucrânia, de modo a tirar partido das consequências.